Após doze dias seguidos de leilões de potros, daqueles que em 1º de janeiro farão 2 anos de idade hípica, em Kentucky, os resultados finais mostraram-se muito semelhantes aos dos dois anos anteriores. Após o tremendo baque financeiro de uns poucos anos atrás, a economia norte-americana reagiu brilhantemente, e nesses últimos três anos mostra-se estável. Essa estabilidade reflete-se quase que matematicamente nos leilões de Keeneland. Em 2014, foram vendidos por aproximadamente 279 milhões de dólares com média de cerca de 99 mil dólares por produto vendido, e agora em 2015 foram por 281 milhões com a média de 102 mil dólares. Resultados praticamente iguais.
Nesse ano os brasileiros participaram com menor intensidade, tendo o Haras Doce Vale adquirido uma potranca e o Haras/Stud Rio Dois Irmãos outras três, além da grande participação do Stud TNT (lá leia-se Three Chimneys), que comprou 6 produtos, todos por valores acima do preço médio, e um deles pelo maior valor na primeira das doze etapas por um preço de quase 1.6 milhão. Nesses leilões anuais de potros promovidos em Keeneland o número de inscritos gira em torno de 4.100 produtos/ano. Com as naturais retiradas, e com o internacional índice de RNAs (reservas não alcançadas) da ordem de 25%, são na verdade transacionadas cerca de 2.800 animais.
Na prática esse leilão é espetacular, em instalações confortáveis para o público, com restaurantes, bares, áreas de conforto, e uma sucessão de ofertas, durante todos os doze dias, que vão ininterruptamente das 10 horas da manhã até às 18 horas, com três leiloeiros se revezando. Os leiloeiros se substituem de modo automático, tem o mesmo timbre de voz e falam sem parar até que seja batido o martelo. É uma escola de leiloeiros, não há tempo a perder, os leiloeiros só aceitam lances de agencias habilitadas, e essas são responsáveis pelas transações. Não há conversas paralelas, explicações ou semelhantes, os animais devem ser examinados antes pelos interessados, os detalhes de cada ofertado estão nos catálogos, e quem quiser comprar que procure uma das tais agencias, para previamente se cadastrar. As agencias, como co-responsáveis pelas transações, são meticulosas ao serem contatadas pelos interessados. Após cerca de 100 horas de ofertas, os números mostram resultados apreciáveis.
Não posso dizer se esse sistema é bom ou ruim, se é melhor ou pior do que o brasileiro, mas lá funciona, e parece não poder ser diferente, dado o grande número de animais. Em uma apreciação geral, os animais financeiramente mais pretensiosos são colocados no primeiro dia, ficando assim os em principio 3 ou 4 dias com os potros e potrancas supostamente os melhores. É uma prática necessária, pois os grandes interessados internacionais, dentre eles por exemplo os Sheiks e os maiores compradores da Europa, só assistem os leilões dos dois ou três primeiros dias. Na prática, não haveria como segurar os grandes investidores durante doze dias, longe de seus grandes interesses.
A globalização dos meios de comunicação, já muito intensificada por todo o mundo, começa a ensejar parcerias inusitadas. Como é fato público e notório já há poucos anos, a China está implantando 10 novos super hipódromos e agora vem à notícia de que acertou com Hong Kong, onde se realizam corridas sob sofisticado controle anti-doping, de uma parceria para fiscalização do uso e eventuais abusos quanto a medicações.
Assunto doméstico importante é a novidade da realização da Expointer no Parque Assis Brasil em Esteio-RS, de um páreo de cancha reta, assim levando para um evento fora dos hipódromos, de uma competição que visa atrair público novo para o turfe. Essa iniciativa gaúcha é mais um inteligente passo do turfe Rio-grandense de projetar as corridas para angariar novos turfistas.
