Há muitos anos, mas em boa hora, a Associação Brasileira entendeu de implantar uma premiação anual , afim de destacar e prestigiar os melhores do ano recém-findo em várias categorias. O evento foi intitulado de Troféu Mossoró, e dentre as várias categorias de premiações, está a do melhor garanhão nacional da temporada. O grande sucesso e consequente repercussão da iniciativa valorizam em muito os ganhadores anualmente. Uma das categorias mais importantes é a que se refere aos garanhões nacionais. Com a necessária importação de garanhões estrangeiros, que vem vitalizar e “refrescar” o plantel nacional, há naturalmente uma benéfica diminuição das ofertas de éguas para os garanhões nacionais, e em função disso os menos bons muitas vezes perdem oportunidades para os melhores nacionais, esses também pressionados pelos importados. Há assim uma seletividade natural entre os nacionais, a então diminuição das ofertas, em termos de quantidade e qualidade, resulta em um clima de acirrada competição entre os nativos. Isso é bom, pois a seletividade entre os nacionais aumenta. Há casos esporádicos interessantes, que vem ainda abrilhantar mais a competição nesse setor. Refiro-me ao caso de Glória de Campeão, um nacional campeão nas pistas nacionais e estrangeiras, um milheiro alongado de padrão internacional, que após consagrar-se em pistas internacionais, fez uma primeira estação de monta na Suécia. Pois essa única geração de Glória de Campeão deu-lhe a absoluta liderança na estatística local de reprodutores, com o dobro de sucesso sobre o segundo colocado na estatística de reprodutores na Suécia. Pode-se alvitrar que lá o turfe não é de primeira linha, mas que evidencia estar e ser o ótimo Glória de Campeão bem acima de um turfe menor. O sucesso de Glória de Campeão provocou tentativas para que ele voltasse em 2015 em “shuttle” para a Suécia, mas as perspectivas de um grande sucesso em nosso país mantiveram o extraordinário cavalo no Brasil, sediado no Haras Fronteira, em Bagé, RS. Mas esse é um caso esporádico, um grande ganhador clássico de padrão internacional que já vem de fora alicerçado em sucesso.
No Troféu Mossoró, setor garanhões nacionais, através dos muitos anos tiveram realce, pelas suas consecutivas lideranças no Troféu, Clackson, Romarin e Redattote.
A história de Clackson é interessante. Uma das grandes expressões na reprodução daquele que é considerado o cavalo de maior influencia na história do turfe, o italiano Nearco, considerado o cavalo do século, criação do genial Federico Tesio. Um filho de Nearco de nome Sayajirao, que tinha a linha materna considerada à época a de melhores fundistas do mundo, foi comprado por um preço recorde mundial pelo Marajá de Baroda. Sayajirao correspondeu às perspectivas, seus descendentes tiveram suas épocas como ótimos corredores de provas de fundo. Um dos seus filhos, de nome I Say, foi um corredor razoável, e terminada a campanha nas pistas foi para a reprodução, mas os seus filhos não alcançavam preços especiais nos leilões de potros, pois o mundo turfístico internacional já iniciava a fase da diminuição do interesse em provas de fundo. Foi quando o saudoso criador Hernani Azevedo Silva, do Haras São Luiz, que estava na Europa acompanhado pelo ótimo veterinário paulista José Luiz Pinto Moreira, em função da qualidade física e do pedigree do filho de Sayajirao, resolveu comprá-lo. I Say iniciou-se no Brasil quando o Haras São Luiz estava sediado em Salto (SP), e seus filhos paulistas eram fortes, pesados e cabeçudos. Com a ida do Haras para Vacaria, no Rio Grande do Sul, os tipos físicos dos filhos de I Say ficaram menos pesados, as cabeças se modificaram para modelos mais leves, e a qualidade dos produtos melhorou. Dentre os seus bons filhos ganhadores clássicos de alto padrão devem ser citados Baleal, Buvant e Clackson, dentre outros. Clackson tinha velocidade e ótima resistência, de 2000 metros para mais era muito difícil batê-lo. Era filho de I Say, em filha de Pharas, em filha de Coaraze, um pedigree de alto padrão. Coberto de glórias, foi para o Haras, transmitindo as suas qualidades. Venceu por muitos anos as Estatísticas de garanhões. Com o correr dos anos, naturalmente teria que ceder a sua brilhante liderança em função da idade. Depois de Clackson veio Romarin, que também venceu várias estatísticas. Depois dele, outro cavalo nacional ocupou aquela liderança por vários anos com absoluta competência. Do Haras Santa Ana do Rio Grande veio Redattore, um excepcional milheiro, com expressivas e importantes vitórias no Brasil e nos Estados Unidos. Redattore tem um pedigree todo norte-americano. É um filho de Roi Normand em filha de Deputy Minister, em filha de Buckpasser. Voltou para ser reprodutor no Brasil, para um grupo de criadores, e está sediado no Haras Old Friends, em Bagé, RS. Redattore é um cavalo lindo, e sempre foi considerado o mais bonito dos garanhões nacionais de Bagé (dos estrangeiros, o mais bonito era Wild Event).
Agora, no Troféu Mossoró de 2015, o ótimo Redattore, líder por muitos anos mas já com 20 anos de idade, perdeu a liderança para Setembro Chove. Esse cavalo nacional, filho de Fast Gold (muitas vezes presente em pedigrees de bons ganhadores de provas nobres) em filha de Knifebox (excelente importação através do nosso melhor agenciador internacional, Samir Abujamra), é um garanhão novo, vencedor do G.P Presidente da República e do G.P Governador do Estado, entre as suas 7 vitórias, todas com ótimas demonstrações de um super milheiro. Cobrindo menos de 10 éguas por ano, sediado no Paraná pelo Stud Chesapeake, agora com 12 anos de idade, Setembro Chove projetou-se ainda mais em 2014/2015 pois a sua filha Juno mantém-se invicta em 5 apresentações, líder nacional e absoluta da ala feminina da geração nascida em 2012. Com esse evidente especial sucesso, com uma líder absoluta de turma, tudo indica que Setembro Chove, ganhador com merecimento do Troféu Mossoró, receberá um anual maior número de éguas, dando-lhe chances melhores de, quem sabe, receber as mesmas honrarias e as mesmas preferências de Clackson e Redattore.
