Vou me permitir transcrever um especial texto publicado na Revista Turf-Brasil, referente à reunião realizada em Santiago, Chile, referente a provas de grupo. O que foi abordado e recebeu concordância geral, por todos aqueles que sem quaisquer entendimentos e opiniões paralelas, representa a verdade dos fatos. A seguir, o importante texto publicado na Revista Turf-Brasil, Edição nº 631, referente aos programas de 13 a 17 de agosto de 2015.
“Comitê Fiscalizador da OSAF rebaixa provas nacionais”
Em reunião realizada pelo Comitê Fiscalizador da OSAF, na segunda-feira, dia 3 de agosto, no Club Hípico de Santiago, no Chile, foram definidas as carreiras sul-americanas que caíram de graduação. O Brasil teve sete provas nessa situação, além de uma que saiu do calendário clássico anual: o GP Paraná (G1-2000mA). As milhas internacionais da Gávea e de Cidade Jardim receberam cartas de advertências e podem passar a ser de Grupo 2 em 2017.
Gustavo Tremonti, vice-presidente da Comissão de Corridas do JCB, representou o Brasil na reunião do Comitê Fiscalizador da OSAF. Após intensa discussão, em nove horas de reunião, os Grandes Prêmios que passaram de Grupo 2 para o Grupo 3 no Brasil foram GP Salgado Filho (1600mA) e ABCPCC-Stud Book Brasileiro (3000mG), ambos na Gávea; além do GP General Couto de Magalhães (3218mG), GP Presidente José Cerquinho Assumpção (1600mA), GP Consagração (3000mG) e Piratininga (2200mA) em Cidade Jardim. A Copa ABCPCC-Regional (1600mA), realizada entre Cristal e Tarumã, deixou de ser Grupo 3 e passará a ser Listed Race em 2016.
Uma rápida analise das provas rebaixadas, ficam claras suas características: ou são carreiras na areia, ou são provas de fundo.
“As graduações das provas estão sujeitas às regras internacionais. Para as autoridades européias a questão é matemática: alcançou o índice, é mantida; não alcançou o índice, é rebaixada. Em casos especiais e havendo bons motivos, ela pode ser advertida. Essas provas rebaixadas não alcançavam há algum tempo os índices estabelecidos internacionalmente, então não conseguimos defendê-las. As provas de fundo são no mundo inteiro menos prestigiadas pelos melhores animais e proprietários. A não ser um ou outro cavalo com tais características. Tomando como exemplo a Gávea, os cavalos que correm fundo aqui são sempre os mesmos competidores, com isso existe uma dificuldade em melhorar o rating da prova, pois não entram novos animais nesses páreos para que se possa fazer uma comparação entre eles. A mesma coisa acontece nas provas de areia, os proprietários privilegiam correr na grama em função do calendário que existe, com isso as provas de areia ficam com nível técnico mais baixo”, explicou.
Indagado sobre o fato do Brasil não ter um Calendário Clássico Nacional para preservação destas provas e até manter um rodízio com seus melhores animais, Tremonti explicou: Para se fazer uma chamada clássica são levados em conta vários elementos. Se você tem provas que são chamadas com frequência e não recebem um número de inscrições interessante, tais chamadas passam a ser reduzidas, porque não se consegue dar os páreos com uma boa qualidade. Importante, contudo, salientar, que quantidade não significa necessariamente qualidade. Há que se saber pesar. A temporada clássica é feita espelhando a vontade dos proprietários e o modelo de criação do país. Tem que se avaliar o que aconteceu no passado. Se uma prova é desprestigiada, pode-se tentar mudar a chamada e a distância. Dar provas que não tem quase inscrição é um problema que as pessoas não conseguem entender. Tem provas da programação clássica que você sabe que sairão com poucos animais, mas que são provas importantes e que tem um motivo para acontecer. Se elas saem com poucos animas não quer dizer que elas têm que terminar, mas a mesma acaba se rebaixando sozinha. No Brasil temos dois hipódromos importantes (JCB e JCSP), que tentam se entender sobre a temporada clássica, mas nem sempre isso é possível. Na Europa, o calendário anual medido por ratings existe há cerca de 12 anos e na América do Sul, no âmbito OSAF, é a segunda vez que participo das reuniões. É uma reunião difícil de participar, pois os europeus tem uma visão matemática e nós temos uma tendência a defender a graduação pela importância que nós damos a determinadas provas e não a relevância que ela realmente tem de acordo com a pontuação por ela alcançada. Não sei até quando vamos conseguir defender isso. Os Jockeys Clubs vão ter que se adequar. O rating na Europa é mais fácil de apurar, pois os cavalos correm em diversos países e as turmas vão se renovando com animais de idades diferentes competindo entre si por mais tempo. Há uma alternância de vitórias e de cavalos como líderes de turma, o que aqui é mais difícil de ocorrer. Temos uma dificuldade de correr RJ e SP e não se fala em cavalos estrangeiros competindo por aqui, em vista dos prêmios que pagamos e a dificuldade de logística e locomoção. “Temos que ter uma condição econômica viável para que possamos movimentar esses cavalos pela América do Sul”, explicou.
Assim como o Brasil, outros países membros da OSAF também tiveram provas rebaixadas, justamente por terem os mesmos problemas que nós.
“A situação dos países envolvidos na OSAF não é confortável. Nunca ninguém da federação internacional nos visitou para entender como funciona o mecanismo clássico na América do Sul. Ditar regras para nós é muito fácil, mas será que vamos conseguir cumpri-las? Por conta dessa nossa participação no livro azul e pela preocupação na manutenção das provas de Grupo 1 que temos, que mudamos da data do GP Brasil, porque da forma que era feita antigamente (apenas com cavalos de 4 e mais idade), correríamos inclusive o risco de perder a graduação de nossa prova máxima”, revelou Gustavo Tremonti.
O GP Paraná, por não ter sido realizado e inclusive o Hipódromo do Tarumã, onde é realizado, estar fechado, foi retirado do calendário sul-americano e quando voltar a ser corrido será disputado como Grupo 3. Os GP’s Presidente da República (1600mG) realizados na Gávea e em Cidade Jardim receberam carta de advertência e correm sério risco de cair de Grupo 1 para Grupo 2 em 2017.
Os dois clubes estão tendo o feedback da gravidade da situação. Temos a necessidade de adequar à chamada das provas. Nós não desejamos rebaixar o GP Presidente da República e lutamos contra esse rebaixamento, tanto que como não recebemos a carta de advertência, as mesmas foram mantidas em 2016. É muito difícil defender a manutenção dessas provas, mas se existe uma regra, temos que seguir, doa a quem doer. O que é importante observar é que se nós perdemos uma prova de Grupo 1, que hoje tem uma tolerância de 5 pontos para a federação internacional, para fazê-la subir novamente temos que obedecer o numero real. Exemplo: no mundo inteiro para ser Grupo 1 o rating tem que ser 115, mas para nós sul-americanos é 110; sendo que se uma prova G1 cair aqui, para voltar a subir precisa bater 115 e a tarefa não é fácil, porque nenhuma prova no Brasil bate esse valor. Para se ter uma ideia, o GP Brasil 2015 bateu 111 e a média de 2012, 2013 e 2014 foi de 112,67. Isso é uma questão muito delicada, mas autoridades anteriores entenderam que essa regra era boa e assinaram o acordo internacional, portanto temos que respeitá-lo. Precisamos trazer bons cavalos para correr essas duas milhas internacionais, porém elas tem uma característica diferente das outras. Elas estão colocadas no calendário clássico de uma forma que os bons animais de 3 anos são estendidos nos 2.400 metros para competir no Derby carioca, no GP São Paulo e no GP Brasil. A não ser os milheiros natos (coisa que no Brasil há muito tempo não aparece) que são mantidos para correrem as milhas aos 3 anos. A questão é técnica e ensejará uma reunião entre nós para saber o lado que iremos seguir. Confio que o nosso assessor Marcos Ribas de Araújo e a direção do JCB encontrarão o melhor caminho. A Tríplice Coroa carioca é mal colocada no segundo semestre do calendário hípico. Então o potro de 3 anos corre os 2.400 metros do Derby carioca entre março e abril, depois compete no GP São Paulo (2.400mG) em maio para depois competir no GP Brasil (2.400mG) em junho. Depois do Derby carioca esse potro pode abrir mão do GP São Paulo e voltar para a milha, mas isso tecnicamente está errado. Por isso que defendemos a unificação das Tríplices Coroas da Gávea e de Cidade Jardim, mas não conseguimos. Espero que no futuro esse entendimento aconteça. Não adianta pintar de preto uma prova grupada, se ela não tem categoria para ser prova grupada. Calendário único graduado será sempre um problema, apesar de hoje termos o JCB e o JCSP mais próximos. O calendário tem que prever os problemas que estão acontecendo hoje e tentar antecipar essas soluções. “Principalmente as provas de Grupo 1, que vejo com maior dificuldade de recuperar caso percam a graduação”, explicou Gustavo Tremonti.
