Como é do conhecimento de boa parte do turfistas, desde já alguns anos os turfes norte-americano e argentino entraram em forte declínio. O argentino acompanhava as práticas dos norte-americanos, com a excessiva permissibilidade do uso de drogas para correr. Com isso, gradativamente os plantéis de corredores desses dois paises chegaram ao cúmulo de, para correr bem, tinham que ser muito medicados, transformando os corredores em dependentes de drogas. A fixação no ilícito pode ser exemplificada pelo remédio anti-hemorrágico Lasix, que é usado em larga escala nos países das Américas, mas que deveria ser dado de forma mais esclarecida pelos treinadores, pois, esse remédio anti-hemorrágico tem também um efeito broncodilatador, o que aumenta de forma artificial o potencial dos corredores. É de tal forma usado o Lasix que o seu nome é dito como anti-hemorrágico , não se fala em remédio contra hemorragias, simplesmente Lasix, mas que, por ter também função broncodilatadora, só deve ser aplicado com pelo menos cerca de quatro horas antes, para na prática minimizar os seus efeitos. Esse é apenas um remédio que, em lugar de só combater as hemorragias, traz embutido uma droga proibida. Os investimentos do arsenal farmacêutico norte-americano são imensos, esse remédio carreia para os seus laboratórios um mundo de dinheiro, há naturalmente um esquema financeiro para defender essa larga fabricação. Esse é apenas um pequeno exemplo, drogas novas estão sempre sendo pesquisadas, e aos laboratórios só importa um lucro cada vez maior, eles não estão se importando com a sanidade, a saúde e a vida normal dos animais.
Nos hipódromos menores nos Estados Unidos, há equipes de veterinários que medicam com drogas fortes todos os amimais alojados, menos nos próprios dias de corridas. Um veterinário brasileiro, formado em Faculdade no Estado de Minas Gerais, esteve de passagem na Gávea, após vir ao Brasil de férias. Contou com detalhes, para quem quisesse ouvir, que o seu trabalho era medicar diariamente 50 animais, e aqueles que haviam corrido na véspera, tinham que tomar fortíssimas doses de remédios. É claro que isso não acontece nos principais hipódromos norte americanos, em número total da ordem de mais de 120 clubes de corridas, mas os tempos mostram que a raça norte-americana está cada vez mais debilitada, o número de dependentes de drogas vai aumentando. O grande sucesso aparente das corridas norte-americanas tem como base a enorme quantidade de dinheiro investido no setor e o absurdo consumo de drogas pelos animais. Os Argentinos seguem a prática norte-americana do uso abusivo de remédios para correr. O que se vê é a cada vez maior dificuldade desses dois países em manter o necessário padrão, o que eles não estão conseguindo. Só para exemplificar, os argentinos, que tinham a supremacia do setor na América do sul perderam a liderança para o Brasil, que tem melhorado a qualidade de sua produção de corredores da raça inglesa de cavalos de corrida, e que em função disso está conseguindo até tirar do Uruguai a tradicional dependência da histórica compra preferencial de animais argentinos, para correr e para a reprodução, voltando-se para o Brasil, que tem ganho no Uruguai as melhores provas já nos últimos anos. Esse evidente declínio do turfe norte-americano já provocou nos últimos anos algumas reações, já houve manifestações voltadas para enfrentar a decadência, mas nos Estados Unidos, cada Estado tem a sua própria legislação, o que torna quase impossível reverter à calamitosa situação. Uma dessas manifestações, amplamente divulgada nos Estados Unidos e fora dele, foi uma proposta no sentido da total proibição de medicações nos dias de corrida. É claro que a intenção era boa, mas na prática era a liberação de drogas até dopantes inclusive na véspera do dia da corrida. E enquanto o tempo vai passando, continua, ou continuou, o descalabro do uso das drogas.
Mas agora, em 2015, parece que o assunto passou a ser enfrentado de maneira séria. A Associação Brasileira foi convidada a fazer um pronunciamento em um importante congresso turfístico na cidade de Nova York. Estavam presentes mais de 300 pessoas, de diversos setores turfísticos. Essa palestra do representante da Associação Brasileira durou 1 hora e meia, e foram dadas ciências de detalhes do funcionamento do turfe brasileiro, e a forma de como lidar oficialmente com o problema das medicações. A palestra foi muito aplaudida, e dela foram enviados reflexos para a comunidade civilizada turfística europeia. Esse interesse dos norte-americanos em conhecer a linha de conduta e a forma das respectivas práticas demonstra pelo menos um início de entendimento necessário. Outro detalhe no mesmo sentido diz respeito a noticia de que dois congressistas norte-americanos, um do Estado de Kentucky e outro de Nova York, vão propor ao Congresso uma Lei Federal, no sentido de formalizar proibições quanto ao uso abusivo de drogas, no sentido de tentar interromper ou pelo menos minorar a dependência de drogas. Uma Lei Federal é naturalmente o caminho. A Argentina, que tem como exemplo no setor o turfe norte-americano, é possível e/ou provavelmente vai seguir o mesmo caminho. Que essas eventuais providencias de correntes venha logo.
