Faz parte do Calendário Clássico de 2015 do Jockey Club Brasileiro o Clássico Eurico Solanés. Esse páreo nobre homenageia um proprietário de grande destaque em sua época, e que foi também um criador no Estado do Rio de Janeiro. Em 2015, na véspera do referido Clássico, foi programada a Prova Especial Courageuse, de propriedade daquele exponencial turfista. Caso curioso aconteceu na compra que Eurico Solanés fez de Courageuse(foto). Essa experiente clássica égua fazia parte da primeira produção do Haras São Bernardo, do casal Von Leithner. Não era uma produção grande, e Courageuse era evidente destaque, não só pelo seu tipo como também pelo pedigree, havia sido importada no ventre. Eurico Solanés foi ver os animais, e foi informado dos preços de cada um. O de Courageuse era evidentemente o maior, bem maior que os dos outros. Estava presente o Barão Otto Von Leithner, com o título nobre por ter-se casado com a nobre Baronesa Marie Blanche Rothschild. A Baronesa tinha uma filha de um primeiro casamento, e que acabou casando-se e viajando com o marido para um país longe. A Baronesa ficou viúva, e gostando de jogar tênis, acabou apaixonando-se pelo seu professor de tênis, Otto Von Leithner. O casal veio para o Brasil, tinha bons recursos financeiros, e implantaram no município de São Bernardo, no antigo Haras Milano, o seu bom e técnico haras.
A oferta da primeira produção do novo Haras levou Eurico Solanés até lá. A importância do Barão estava simplesmente por ele ser casado com a Baronesa, ela era sim, uma admirável e agradável pessoa. Eurico perguntou ao Barão o preço da potranca, com o qual Eurico concordou. O Barão ficou surpreso, ele imaginava que o alto preço decorreria na sobra da potranca nas vendas, ficando Courageuse para defender nas pistas as cores ouro, braçadeiras e boné preto, Stud registrado pelo novo Haras São Bernardo. O Barão fez uma tentativa, o alto preço tinha que ser à vista. Eurico concordou. O Barão tentou nova cartada, ele só venderia a potranca se com ela também fosse levado um macho. Eurico perguntou então qual era o macho mais barato, assinou o cheque e ficou com uma super-égua e com um meio matungo, que na primeira oportunidade foi passado para frente. O grande risco assumido por Eurico valeu muito a pena, Courageuse dominou a ala feminina e enfrentava de igual para igual os machos, muitas vezes os vencendo em nobres provas importantes. Eurico Solanés era audacioso, e sabia o que fazia quando assumia riscos.
Anos depois, já com resultados clássicos de importância, arrendou um cavalo argentino de nome Espiche para uma única corrida, um Grande Prêmio Brasil. E não deu outra, Espiche veio, ganhou o Grande Prêmio para o Stud Verde e Preto, do Eurico, e voltou para continuar a sua campanha com o proprietário argentino. Assim era Eurico Solanés, que se mantém no turfe através do filho Gilberto Solanés, dono do Centro de Treinamento Verde e Preto, em Teresópolis, e de netos como Roberto Solanés, um dos melhores e mais moços treinadores brasileiros, e Gilberto Carvalho Solanés Júnior, um dos melhores jóqueis amadores de nosso país, isso para não falar de Maria Rita Solanés, sua bisneta, que com apenas 11 anos de idade venceu no Hipódromo da Gávea um páreo para joquetas mirins montando pôneis, em 200 metros. Eurico Solanés merece ter uma prova clássica com o seu nome.
Por falar em programação clássica, a cada ano, quando de suas divulgações em novembro, sempre surgem divergências. Não dá para discutir o assunto, pois o autor de seu estudo e preparo é sem dúvidas o mais categorizado técnico do assunto em nosso país, Marcos Araujo Ribas de Faria, mas na comunidade turfística , assim como nas de samba e futebol entre outras, há opiniões menores mas que tem uma relativa importância. Veja-se por exemplo o caso Benemérito Antonio Joaquim Peixoto de Castro Júnior, o fundador do Haras Mondesir, que é apenas um Grupo II no Calendário Clássico da Gávea, quando tinha que ser um Grupo I e em prova importante. Não há nas poucas opiniões divergentes que acompanham uma razão suficientemente forte, ainda mais quando nomes de clara expressão menor são Grupo I. Muita coisa boa já foi feita na modernização do Calendário Clássico do JCB, com inclusive o expurgo de antigos nomes de não turfistas e simples aproveitadores das benesses do clube, que tinham indevidamente os seus nomes no Calendário Clássico por terem sido serviçais do então poder. Há ainda ajustes a serem feitos, inclusive a exclusão de nomes que um dia tiveram uma apenas relativa importância, muitas vezes de conhecidos dos verdadeiros turfistas, que não tem na verdade mais lugar no tocante às provas nobres do JCB.
Muita coisa tem sido feita na modernização e atualização do turfe carioca, mas há ainda muito trabalho pela frente, como por exemplo nos regulamentos dos claimings, no do plano de apostas, na assessoria à Associação Brasileira no que diz respeito à antiga Copa ANPC, etc.
