Estatísticas regionais – 2014/2015, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Estatísticas regionais – 2014/2015, por Milton Lodi

Em 30 de junho de 2015, encerrou-se o Ano Hípico de 2014/2015. Os números mostram a permanência do grande predomínio do Haras Santa Maria de Araras, a firme liderança como avô materno de Roi Normand, e a impressionante ainda permanência de Ghadeer na segunda colocação, mesmo já com alguns anos depois de sua morte. A ascensão como criador e proprietário do Haras Santa Rita da Serra é muito digna de ser ressaltada, já agora na elite clássica. A bem da verdade, o Araras não tem mais, pelo menos por enquanto o que deve se manter por muito tempo, um ou mais competidores à sua altura. Antigamente, no setor alguns poucos haras, como por exemplo o Mondesir, o São José e Expedictus, o Santa Ana do Rio Grande, o Rosa do Sul e o próprio Araras predominavam cerca de 75% ou mais nas provas nobres, e apresentavam grande número de ganhadores nas programações comuns. Com o passar do tempo, o Mondesir diminuiu drasticamente o seu plantel, mantém um reduzido número de animais e passou a ser estabelecimento quase que só comercial. O São José e Expedictus, o Rosa do Sul e o Santa Ana do Rio Grande, fecharam suas porteiras, encerraram as atividades, e o Araras, ao contrário deles, seguiu melhorando, refinando o seu plantel, investindo, e com isso ocupa a invejável situação de absoluto líder nacional. No turfe civilizado na Europa, o predomínio nas provas nobres de um pequeno e seleto lote continua. Houve época em que Marcel Boussac na França e o primeiro Aga Khan na Inglaterra, dominavam por completo. Bem mais pra cá, entraram a Coolmore, os Skeiks, o Prince Khalid Abdullah e mais uns poucos, e os nomes predominantes mudaram, mas continua havendo uma pequena elite predominando.

             No período 01.07.14 a 30.06.15, assim terminaram as estatísticas no Brasil:

             Rio Grande do Sul – Jockey Club do Rio Grande do Sul (JCRS) – Hipódromo do Cristal. Entre os criadores destacam-se dois haras bageenses, o Santa Maria de Araras e o Anderson, respectivamente o primeiro e o segundo, vindo em terceiro o sul mato-grossense Ponta Porá. É importante salientar que os animais produzidos pelos dois haras no topo da relação são encaminhados à praça do Rio de Janeiro, são leiloados no Tattersall da Gávea, o que mais exalta o feito no Rio Grande do Sul. Entre os proprietários, o vencedor foi Roberto V.de A. da Costa, com o Stud Marisa Star em segundo e Guilherme Vargas Dias em terceiro. O resultado dos treinadores mostrou em primeiro M.Duarte, em segundo L.C Ávila, e em terceiro J.Tavares. Os três melhores jóqueis foram, pela ordem, C.Faria, M. D. Souza e C.Machado. Quanto aos reprodutores, venceu Northern Afleet, com Wild Event em segundo e Inexplicable em treceiro. O reprodutor vencedor veio em “shuttle” trazido pelo Stud TNT, com uma pequena participação do Araras, que é o dono do segundo colocado Wild Event. Entre os avôs maternos, em primeiro Roi Normand, em segundo Ghadeer e em terceiro o extraordinário Clackson.

São Paulo – Jockey Club de São Paulo (JCSP) – Hipódromo Paulistano – Cidade Jardim. Entre os criadores, nova liderança do consagrado Araras, com o ótimo Old Friends em segundo e o Ponta Porá novamente em terceiro. Entre os proprietários, merecida vitória do Haras Phillipson, que tem inovado com práticas vitoriosas mandando corredores para fazer campanha em pistas da Europa e da América, com êxitos. O segundo colocado foi o brilhante Old Friends, e em terceiro o Stud Jaguaretê. Entre os treinadores, vitória por larga margem de J. L. Aranha, treinador novo na profissão, de padrão pessoal e técnico bem acima da média, e de resultados espetaculares. O segundo colocado foi M. Gosik, filho do consagrado Eduardo Gosik, que por vários anos dividiu com Pedro Nickel as anuais lideranças de seus setores. O terceiro foi R. Penachio, uma boa surpresa na profissão. No que se refere aos jóqueis, há considerações a serem feitas, se por um lado o JCB perdeu já há alguns anos o seu supercampeão Jorge Ricardo para o turfe Argentino, por outro lado o JCSP vem perdendo aos poucos os seus melhores jóqueis para o exterior. João Moreira, líder em Cidade Jardim, foi tentar a vida em Cingapura, e após alguns anos de absoluto sucesso e sucessivas lideranças, foi convidado para transferir-se para Hong Kong onde o turfe é muito fechado e oferece os melhores prêmios e apresenta o maior volume de apostas do mundo, excluído o Japão. Com pouco mais de um ano em Hong Kong, João Moreira é o líder absoluto entre os jóqueis, montando contra os melhores do resto do mundo, isto é, contra jóqueis franceses, ingleses, irlandeses etc. João Moreira, no entender do mundo turfístico civilizado, seguramente é um dos melhores do mundo. Outro bom que saiu de Cidade Jardim foi o líder Francisco Leandro, que desde logo assumiu a liderança em Buenos Aires (San Isidro, Palermo e La Plata), e quando tinha boa vantagem sobre os seus mais fortes rivais, os brasileiros Altair Domingos e Jorge Ricardo, e ainda o excelente uruguaio Pablo Falero, sofreu grave acidente, e em função de fratura na bacia, segundo informações, ficará meio ano afastado das pistas. Outro brasileiro antes sediado em Cidade Jardim e que foi para Buenos Aires, com o acidente ocorrido com F Leandro já é o líder no turfe argentino. Só citando esses três nomes, J. Moreira, F.Leandro e A. Domingos, entre vários outros que foram de Cidade Jardim para o exterior e lá ficaram pelos êxitos alcançados, da para se ter uma idéia do desfalque técnico sofrido pelo turfe paulista. Mesmo assim, há ainda bons jóqueis em atividade no turfe paulista. O vencedor nessa categoria foi o veterano W.Blandi. Físico adequado para a profissão, experiente, corajoso, W. Blandi brilhou intensamente no mês de junho na Gávea, quando, com um percurso inteligente e corajoso, venceu o G.P Brasil com Barolo, de criação e propriedade do Haras Santa Rita da Serra. Blandi é um jóquei veterano e experiente. Em segundo chegou V. Leal, que é um bom jóquei em Cidade Jardim, mas mostra-se não tão bom fora do turfe paulista, mostra-se vulnerável em momentos de maior competitividade. Não há deméritos, mas não há dúvidas que corre melhor nas pistas de Cidade Jardim do que em outras. Mas V. Leal mereceu o segundo lugar. O terceiro nome do setor foi A.C.Silva. Esse jóquei tem qualidades técnicas para ser o líder em Cidade Jardim, mas não apresenta performances uniformes, às vezes é tão bom quanto os melhores da Gávea, em outros momentos não mostra o mesmo padrão de qualidade. Alterna fases ótimas com outras apenas regulares. É uma pena, poderia até ser líder. Quanto aos reprodutores, Wild Event, do Araras, foi o primeiro, Elusive Quality e Northern Afleet, ambos trazidos em “shuttle” pelo Stud TNT com a participação do Araras, foram segundo e terceiro respectivamente. Quanto aos avôs maternos, repetiu-se a dupla, primeiro Roi Normand e em segundo Ghadeer, com Wild Event em terceiro (já aparecendo com bom avô).

Rio de Janeiro – Jockey Club Brasileiro (JCB) – Hipódromo da Gávea. Mais uma vez, entre os criadores, venceu o Araras com o Anderson em segundo. Mas o terceiro colocado foi o Haras Santa Rita da Serra, em temporada brilhante e merecida, fruto de muito esforço e trabalho. No setor proprietários, nova vitória para o Araras, com o Stud Alvarenga em segundo e o Santa Rita em brilhante terceiro. A vitória entre os treinadores coube ao habitual grande ganhador D. Guignoni. Em segundo lugar, uma grande surpresa, o treinador J. Borges, que cuida no hipódromo, e em terceiro J. C. Sampaio. Ao contrário do que faz a maioria dos treinadores nos centros de treinamento, Jairo Borges trabalha menos e inscreve mais, e contando com cerca de 100 animais, apresentou ótimo resultado, que poderá ainda ser melhor, pois a diferença entre o custo do trato na Gávea é praticamente a metade do custo nos centros de treinamento, com despesas extras como aluguel de boxes por preços proibitivos, transportes, etc., na prática uma diferença entre cerca de 1.200,00 para 2.200,00. Os centros vão aos poucos se esvaziando e a Gávea com mais cavalos, essa pelo menos é a tendência. No tocante aos jóqueis, V. Borges, líder de estatísticas desde aprendiz, continua soberano. É trabalhador, monta leve, corre o trivial simples, não inventa, procura correr de acordo com as características de seus pilotados, procura evitar desde logo eventuais futuros problemas, avança na reta por fora onde sempre há espaços, e como recebe quase sempre boas montarias, ganha mais do que os outros. Ele não inventa, não complica, e vem na hora certa. Uma de suas mais brilhantes vitórias no período 2014/2015 foi no GP Bento Gonçalves, quando o mais técnico dos jóqueis brasileiros Alex Mota fez um percurso perfeito, foi um pião da corrida, e V. Borges, aproveitando-se do peso menor que o seu conduzido levava, em lugar de desperdiçar forças correndo muito perto, correu colocado para uma partida curta final, vencendo uma linda corrida. V. Borges é o Ricardinho dos tempos modernos. Em segundo chegou o veterano e competente C. Lavor, que se vale de sua larga experiência, corre bem em quaisquer situações, corre limpo, é um excelente jóquei. Em terceiro chegou V. Gil, um dos bons, que corre de forma bruta, em podendo aplica partidos, e ganha muito como jóquei preferencial da Coudelaria Araras. Nos reprodutores, Wild Event, Elusive Quality e Northern Afleet. Quanto aos avôs maternos, mais uma vez foi Roi Normand em primeiro e Ghadeer em segundo, aparecendo Lode em terceiro.

A temporada do ano hípico que passou manteve um padrão de turfe bem satisfatório.

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