Olhar, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Olhar, por Milton Lodi

Olhar para trás, só para colher informações e saber de acertos e erros. Olhar para o chão, para saber onde se está pisando. Olhar para cima, para se vislumbrar metas a serem alcançadas, para procurar caminhos que nos levem a momentos e resultados melhores. Olhar para frente, para ver os caminhos que se apresentam e as práticas a serem seguidas no sentido de melhorias, tendo a noção do que deve ser feito para o não endereçamento a maus resultados.

O quarto Hipódromo Brasileiro promotor de corridas, o Jockey Club de Pelotas, sofre, como o mais fraco dos quatro maiores, basicamente da falta de corredores suficientes. Desde algum tempo em funcionamento regular, normal, tem nos remates a sua principal receita no setor de apostas, que é uma prática demorada para colher todos os lances dos interessados. Em função disso, só pode apresentar 4 páreos por reunião, espaçados por mais de uma hora em cada intervalo, assim ocupando toda as tardes de domingo. Como a vila hípica do JCPL só tem 180 animais, só dá para serem feitas as corridas em semanas alternadas. Os prêmios naturalmente são pequenos, e o Clube sobrevive impulsionado pela paixão. Já há algum tempo em mãos honestas e competentes, mesmo com a diminuição que ano a ano se nota no que se refere à produção nacional de corredores da raça puro-sangue inglesa de corridas, vai o JCPL seguindo um modesto mas entusiasmado ritmo de programas turfísticos. Embora o setor turfístico nacional esteja desde há muito tempo relegado, desprestigiado, quase que marginalizado pela incompreensão geral, que prefere surfe, skate, beach tennis, e outros ditos esportes sem realmente terem expressões significativas, em Pelotas, como cidade pequena em termos turfísticos, há a vantagem para o JCPL de poucas opções para o lazer domingueiro, e aí participa o turfe. Em uma cidade de porte menor, que diversão e bom lazer pode a população usufruir em seu dia de descanso semanal? O JCPL segue vivo, e trabalhando dentro do respeito às Leis e regulamentos, à espera de dias melhores.

O terceiro clube na hierarquia financeira é o Jockey Club do Rio Grande do Sul, que após passar um péssimo período, de vendas irregulares, de saques financeiros indevidos, foi substituído pela ação honesta e competente de uma administração adequada. Ficou para trás um terrível passado, olhando para onde os pés estavam pisando, procurando no alto o possível melhor futuro, olhando sempre para frente o JCRS já estabilizando, com fundamentais obras em fase final de trabalho, e com um futuro financeiro promissor, não só por negócios realizados como também com alianças com o turfe Uruguaio e agora um inicio de acertos com a NYRA (New York Racing Association), com transmissão e vendas de apostas internacionais. O movimento de apostas é crescente, e já está à vista um patamar técnico e financeiro bem mais pretencioso.

O Jockey Club de São Paulo, com uma destemida Diretoria que recebeu de Diretorias anteriores um passivo que se acumulou para a estratosférica dívida e compromissos da ordem aproximada de 550 milhões de reais, com os pés no chão para enfrentar compromissos alguns já em execução na Justiça, impôs o mandato inicial de 3 anos mais o primeiro do segundo mandato, um terrível período de sacrifícios e compromissos de acertos, lutas na Justiça para a anulação de cobranças injustificadas e ilegais, acordos, parcelamentos, e até pagamentos sob pressão, tendo para isso que sacrificar patrimônios. Pior do que isso, o turfe teve que dar lugar à cura de uma situação que certamente iria paralisar as atividades no Clube. Hoje, ainda com mais de dois anos de segundo mandato, sanando o lamaçal de compromissos do passado, pisando agora em chão firme, olha o JCSP para frente, com bons recursos a serem recebidos, e partindo a qualquer momento para a ressureição do turfe paulista, com metas de melhorias gerais em todos os setores, e investindo para que o setor do turfe seja melhor recompensado financeiramente, e olhando para cima, tentar fazer voltar à época de ouro do turfe paulista.

O Jockey Club Brasileiro, no topo do turfe brasileiro, tem hoje um verdadeiro canteiro de obras, todos os setores sendo alvo de reformas e reconstruções, com um exagerado beneficiamento para o clubinho da Lagoa, e o turfe relegado de sua natural e necessária posição de liderança. Mesmo formando normalmente quatro programas semanais, a bem da verdade tem procurado melhorar o seu movimento de apostas, alterando planos de apostas e medidas paralelas, mas na verdade sem um efetivo êxito. Uma das propostas de melhoria financeira, é a esperada aliança com a PMU (Pari Mutual Urbain), que é uma empresa internacional de coleta de apostas que tem movimento financeiro maior, por exemplo que todas as vendas de apostas dos EUA. Com a decrescente produção anual nacional de potros, o JCB, que contava normalmente com cerca de 2.500 animais na Gávea e Centros de Treinamentos, na Gávea com aproximadamente 1.000 animais e nos CTs mais 1.500, chega hoje a um contingente total de cerca de 1.900 animais, dos quais 300 são produtos de três anos ainda a estrear. Desta forma, na prática são 1.600 animais no momento para formação dos pretendidos quatro programas semanais, o que nem sempre é conseguido. No JCB a Comissão de Corridas consegue um aproveitamento semanal das inscrições entre 80-85%. Para o eventual aproveitamento das inscrições não programadas, seria normal um plano diferenciado para um aproveitamento ainda maior. Mas o Clube entendeu diferente, digamos assim mais agressivo. Em lugar de seguir o sistema técnico internacional, com as chamadas com base em sexo, idade e número de vitórias, entendeu de partir para a solução chilena. Essa chamada já foi tentada, em 1995 ou 1996 no Hipódromo de San Isidro (ARG), e após cerca de quatro anos de experiência, voltou-se a chamada técnica internacional. A chamada argentina era conhecida por IT (Índices Técnicos). Em resumo, essa chamada chilena agrupa os animais por pontuação, cada corrida representa para cada corredor mais pontos, manutenção da pontuação ou diminuição, conforme o resultado obtido. Como cada ponto é representado por um kg, há uma semanal variação nas pontuações.

Assim, a partir de agosto de 2015, o JCB praticará experimentalmente essa tal chamada chilena.

É uma tentativa audaciosa pois, olhando para frente, o JCB entendeu de encontrar uma forma de deter o estagnado e inadequado MGA (Movimento Geral de Apostas).

Vamos aguardar.

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