Garanhões em São Paulo – 2015, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Garanhões em São Paulo – 2015, por Milton Lodi

Alguns poucos anos antes de 1930, foram implantados o Jockey Club Brasileiro, na Gávea, e o Jockey Club de São Paulo, em Cidade Jardim. Com outras denominações, já funcionavam à base de entusiasmo e paixão, no Rio um clube de corridas perto da área hoje ocupada pelo Estádio do Maracanã, e em São Paulo no bairro Mooca. Em principio, o JCB conseguiu uma liderança nacional, com a espetacular iniciativa de Antonio Joaquim Peixoto de Castro Júnior, apoiado por seu amigo da faculdade de direito Adhemar de Faria e um dos principais turfistas de nosso pais, que conseguiram convencer com dificuldade, o então Presidente do Clube, o benemérito Linneo de Paula Machado, a promover um “sweepstake”, que era um sorteio da loteria federal, da qual o Dr. Peixoto era concessionário, acoplada a um Grande Premio Brasil, o primeiro da história do turfe, com uma divulgação intensa de caráter internacional e oferecendo um altíssimo premio ao dono do bilhete correspondente ao cavalo vencedor. Com o espetacular êxito promocional do tal “sweepstake”, o JCB assumiu a liderança nacional, e incrementou a fundação de muitos dos principais haras brasileiros.

Curiosamente, muitos dos principais haras eram de propriedade de turfistas domiciliados no Rio de Janeiro, e como as terras fluminenses não são adequadas à criação do puro-sangue da raça inglesa de corridas, os haras desses “cariocas” foram implantados em terras paulistas, dentre eles os importantes São José e Expedictus, Mondesir, Guanabara, Santa Anita, Ipiranga, etc. Mesmo sendo os produtos criados em São Paulo, eles iam correr no Rio, e normalmente aqueles criadores reservavam os pseudo melhores para defenderem as suas cores nas pistas. O Rio manteve-se líder nacional por muitos anos, mas em São Paulo também havia recebido o reflexo da iniciativa “sweepstake”, e ótimos criadores que já existiam, como o da família Assumpção e Lara Campos, acompanhados por muitos outros. Vieram com muito sucesso o Haras Bela Esperança, o São Quirino, o Faxina, o São Bernardo, o Louveira, o Patente, e muitos outros. E de um modo geral, os produtos gaúchos iam correr na Gávea, e os paranaenses em Cidade Jardim, sempre à procura de prêmios melhores.

Enquanto a administração do clube carioca estava em um modo tradicional, com parte dos diretores representados por serviçais da Presidência, com o clube funcionando com a administração ditatorial e monótona, enquanto isso o Jockey Club de São Paulo progredia, as eleições davam lugar a idéias novas, houve um engrandecimento notável, e que atingiu “a chamada” época de ouro do turfe paulista. Naquela época um extraordinário impulso proporcionou um brilho no turfe paulista, três Presidentes, que se sucederam devem ser entendidos como os grandes responsáveis pela época de ouro. Luis Oliveira de Barros foi o responsável, entre outros feitos, pela implantação do Posto de Fomento Agropecuário, mais conhecido como Posto de Monta de Campinas, e a liderança audaciosa bancando a inédita e vitoriosa excursão dos 8 cavalos paulistas na semana do GP 25 de Mayo em Buenos Aires. Luis Oliveira de Barros foi sucedido na presidência pelo criador e proprietário dos Haras Jahú e Rio da Pedras. Banqueiro que equilibrou as finanças do clube e que entre outras realizações promoveu a maior prova do então turfe Sul Americano o Derby Sul Americano, de êxito extraordinário. O sucessor de João Adhemar de Almeida Prado foi o empresário Hernani Azevedo Silva que encontrando o clube saneado financeiramente e em grande progresso teve oportunidade de mostrar uma administração inteligente, competente, eficaz, colocando o turfe paulista em uma indiscutível liderança nacional. Depois de Hernani de Azevedo Silva até hoje houve presidentes bons e outros menos bons, dentre esses administradores inadequados, utilizando-se do clube vaidosamente, até mesmo com pretensões políticas. Por outro lado o turfe carioca que passou 20 anos construindo uma sede faraônica, mais conhecida como Maosoléu do Turfe, sugou as reservas existentes e assumiu compromissos, chegando a uma situação financeira muito difícil.

Foi então, no Rio eleito em 1992 o 1º candidato da então Oposição, empresário, criador e proprietário José Carlos Fragoso Pires. Um gigantesco trabalho de recuperação foi então iniciado com enormes sacrifícios durante 2 anos até um equilíbrio e superação que permitiram a realização no Hipódromo da Gávea de um GP Brasil, em agosto de 1995 com uma bolsa de 2 milhões 244 mil dólares (que estava ao par ao real). O Presidente JCFP tinha um grande Haras no Rio Grande do Sul assim como mais de 10 outros de propriedade de turfistas cariocas, o que deu ao turfe do Rio e Janeiro uma fortíssima base de sustentação das corridas. Paralelamente o turfe Paulista teve que se retrair muito, pois enormes dividas de todas as ordens ameaçavam até a vida do JCSP. A atual diretoria paulista durante os cinco primeiros anos de mandato, dedicou-se a manter o clube vivo à custa de enormes sacrifícios, e agora em meio ao 2º mandato, já com as contas sobre controle deve iniciar uma fase de grandes recuperações.

Esse grande problema do JCSP refletiu-se não só nas corridas como também na recuperação daquele Estado, e cada vez mais valorização das terras paulistas colaborou para o encerramento das atividades de muitas fazendas de criação. Mesmo assim o Estado de SP representa cerca de 21% do plantel nacional, e para o 2º semestre de 2015 conta com uma boa relação de garanhões que vão citados a seguir:

Haras Bandeirantes com Zé de Ouro.

Haras Basano com Hinton Wells, Siphon e Uapybo.

Haras Beverly Hills com Eyeofthetiger, Gallian, Invictus e Pavillon.

Haras e Faz Boa Vista com Gol de Letra.

Haras Capricórnio com Pounced e Top Hat.

Haras Embalagem com Amor Surpresa e Nugget do Faxina.

Haras Figueira do Lago com Al Arab e Meteor Storm.

Haras Mabruk com Kapo di Tutti e Locomotion.

Haras Mariana com Farenheit.

Haras Phillipson com T.H Approval e Zitromax.

Haras Red Rafa com Cape Town e Econash.

Haras Santa Camila com Jeune-Turc.

Haras San Francesco com Nedawi e Plenty of Kicks.

Haras São Quirino com Dídimo e Quick Road.

Haras Smith de Vasconcellos com Bandido Secreto.

Haras Torrão de Ouro com Mr. Angra.

Haras Vale Verde com Mr. Nedawi, Time For Fun e Victory is Ours.

Esses são os garanhões previstos para a estação de 2015.

Gostou da notícia? Compartilhe!

Pular para o conteúdo