Quinhão podia ser o de menor peso entre os 18 competidores que alinharam no 91º Grande Prêmio São Paulo (G1), em 2.400 metros, pista de grama macia, neste domingo, 03 de maio, no Hipódromo de Cidade Jardim. Porém, nenhum de seus adversários tem um coração tão grande quanto o desse alazão filho de Ivoire e Que Festa, por Wild Event, criado pelo Haras LLC, de Cláudio Ramos, e defensor do Stud Blue Mountain, de Richard Ávila. Valente, fiel e atropelador dos mais ferrenhos, Quinhão mostrou que corrida de cavalo não é ciência exata e o pequeno se mostrou enorme e escreveu para sempre o seu nome na história do turfe nacional com o sensacional triunfo na carreira principal do turfe paulista.
Marcos Ferreira é o treinador que desde os primeiros exercícios acredita ser Quinhão um dos melhores animais com o qual teve a oportunidade de trabalhar. Perseverante, talentoso e obstinado, Marcos Ferreira levantou-se após o terrível acidente natural na serra fluminense que quase lhe tirou a vida, nos temporais que destruíram boa parte de Itaipava. Aos poucos retomou sua trajetória na profissão e a ida para o Centro de Treinamento Júpiter fez um bem enorme à sua carreira. Os resultados voltaram a aparecer e hoje veio o prêmio com a inédita vitória na maior prova do turfe paulistano.
Quinhão recebeu excelente e enérgica direção de Acedenir Gulart. Jóquei dos mais experientes e que já trabalhou para quase todos os grandes proprietários do país, Gulart chegou a abandonar a profissão de jóquei, passando a ser treinador, para não ter mais de lidar com o insolúvel problema de peso que preocupa oito a cada dez pilotos do turfe brasileiro. Mas, trabalhando com frequência nos matinais, o peso foi baixando e a vontade de voltar às pistas cresceu. Então, o bridão gaúcho cancelou a matrícula de treinador e solicitou novamente a de jóquei. Trabalhador dos mais ferrenhos e piloto de inegável talento, Gulart colocou mais um G1 em seu currículo e o primeiro GP São Paulo, provando que o sucesso só vem antes do trabalho no dicionário.
O Grande Prêmio São Paulo 2015 teve excelente largada e vários animais lutando pela primeira colocação. Entretanto, antes mesmo de cruzarem o disco pela primeira vez, Desejado Zuca já havia assumido o controle das ações. José Cuervo, Delírio, Perfectly Associat, Mitológico, Show, Barolo, Concilium, Quinhão, Ovunque, Honesto, Il Sole Mio, Galeto, Olympic Canada, Caballo de Hierro, Montardon e Orechino vinham depois. Galopando solto na frente, Desejado Zuca mostrava o caminho aos rivais. Aberto, Show buscava melhorar. Jose Cuervo e Perfectly Associat também aproximavam-se do ponteiro, que na grande curva já diminuía um pouco seu ímpeto. Gulart já buscava posicionar Quinhão para fazer a curva aberto e encontrar caminho livre para seu tropel.
Na hora da verdade do GP São Paulo 2015, Desejado Zuca logo foi suplantado por Perfectly Associat e Jose Cuervo. Porém, vários concorrentes deram fila de vitória. Barolo apresentou-se, Galeto surgiu, Caballo de Hierro apareceu. Porém, saindo das últimas colocações, trazido na hora certa por seu jóquei, o valente Quinhão apresentou-se para dominar a situação e conseguir seu batismo clássico em uma prova de G1 e logo na maior do turfe paulista. Galeto formou a dupla, com Coniclium na terceira colocação. Mostrando sua regularidade, Caballo de Hierro conseguiu mais uma colocação em uma prova de graduação máxima no Brasil finalizando em quarto, enquanto Honesto fechou o placar.
O ganhador proporcionou a seu staff uma alegria ainda maior do que a já demonstrada com seu segundo lugar no GP Cruzeiro do Sul – Derby (G1), em abril na Gávea, mostrando o porque o turfe é tão apaixonante.
Na terceira vitória de sua campanha de dez saídas, Quinhão assinalou para a milha e meia, 2min25s875.
por Fernando Lopes – foto: Karol Loureiro
