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Projeções, por Milton Lodi

Nesse momento longo e difícil, com os três melhores clubes do Brasil promovendo corridas com prêmios muito defasados, sofrendo para saldar compromissos de diretorias anteriores, sendo que alguns deles em processos de cobranças executivas. Nessa fase em que até para poderem pagar alguns páreos mais atraentes em termos financeiros foi de muito inventada o abominável “added”, invenção norte-americana para tomar compulsoriamente dinheiro do bolso dos proprietários inscritores para reforçar indevidamente as dotações, que são da exclusiva competência dos clubes, repito, nessa longa época do turfe brasileiro com prêmios estagnados e sem prenúncios de melhoria, agora surge uma boa parcela de esperança. Em longa e inteligente entrevista a José Vecchio Filho e de seu vice-presidente Ricardo Felizzola, uma exposição dos planos da Diretoria do Rio Grande do Sul. Vecchio tem cerca de meio ano para cumprir o seu segundo mandato, mas o seu vice Felizzola é o candidato imbatível para a presidência do clube, que tem ambicioso plano para os próximos anos. Lá teremos torres comerciais rendendo para o clube, nova e moderna vila hípica construída sem o dinheiro do clube, contratos garantindo a espetacular dotação do Bento Gonçalves, e mais uma série de coisas boas que vão ensejar, já a curto prazo, melhoria nos prêmios. Quanto ao peso financeiro do passado, 9/10 dos compromissos já estão sendo saldados conforme compromissos assumidos. Do passado restam apenas um milhão, no presente os compromissos estão sendo honrados, e agora, para o futuro, vem à citada entrevista para iluminar as esperanças dos turfistas. O Estado do Rio Grande do Sul tem aproximadamente 12 milhões de habitantes, e todo o Uruguai cerca de 3,3 milhões, e a aliança geral dos dois turfes com o apoio governamental, vão criar um novo turfe gaúcho. O maior, ou um dos maiores entraves na prática para o intercambio das cavalhadas dos dois centros turfísticos é o representado pela alfândega uruguaia. Só para que se tenha uma pequena ideia, quando do Ramirez de 2013, os corredores argentinos tiveram que ficar, após a viagem e na entrada do Uruguai, presos nos carros de transportes por cerca de 14 horas, um absurdo, o que resultou na declaração dos inscritores argentinos que, para eles, correr no Ramirez é coisa do passado. Como dessa vez as conversas e reuniões das autoridades gaúchas com o governo Uruguaio em muito fortificaram, deve-se entender que problemas alfandegários seriam resolvidos a contento.

Na citada entrevista, publicada na íntegra na edição referente às corridas de 23,24 e 25 de novembro de 2014 pela Revista Turfe e Brasil, Ricardo Felizzola, atual Vice-Presidente e Presidente a ser eleito em meados de 2015, já anunciou novos planos e medidas constantes do plano geral estabelecido por ele com o Vecchio. Não há espaço para dúvidas, a parceria Vecchio – Felizzola é muito forte, esta com as rédeas do turfe gaúcho nas mãos, e que eventuais descontentes, se é que os há, saiam da frente e fiquem calados, pois seriam atropelados.

O Jockey Club de São Paulo, que foi recebido das mãos anteriores em situação crítica, com execuções financeiras de todos os lados e de grandes valores ameaçando a iminente paralização das atividades do clube, teve que se ater a “apagar o fogo”, isto é, pagar da melhor e possível forma o volumoso débito ameaçador. O clube ainda tem um imóvel de grande valor, abandonado e sem qualquer sentido de aproveitamento. Há ainda que ser utilizado para o acerto de contas, imóveis sem quaisquer utilidades para o Clube, enquanto se espera a avaliação final da Chácara do Ferreira. O tempo, a demora, é muito ruim para o JCSP. E o pior é que algumas áreas do clube estão sem as devidas manutenções, e, pior ainda, não há condições sequer de se falar em melhoria nos prêmios. O JCSP tem que “inventar” novas soluções, e mais urgentes, pois, dentro de um raciocínio talvez irresponsável, poder-se-ia admitir que, quando o clube estiver econômico – financeiramente em ordem, o turfe paulista já pode ter-se acabado.

No JCB, as condições, embora não ótimas, são satisfatórias. A atual Diretoria recebeu o clube em um aparente encaminhamento para uma solução absurda. Um clube que tem sua existência e estatutos voltados para a promoção de corridas de cavalos, sofria medidas contraditórias à sua razão de ser. Se por um lado recebera expressivas medidas técnicas, como por exemplos, a reconstrução da pista de grama, o aperfeiçoamento da piscina dos cavalos, um novo partidor importado da Austrália, entre outros melhoramentos, por outro lado mostrava-se propensa a constranger a atividade, no sentido de fazer do hipódromo e da suntuosa sede social, mais conhecida como “Mausoléu do Turfe”, em fontes de receita como se fosse uma atividade qualquer. O “Mausoléu do Turfe” foi abandonado de tal forma que a nova Diretoria teve que interditá-la, pois havia até um risco extremo, a tal ponto que companhias de seguro negaram-se a cobrir a seguridade do prédio. Com o prédio fechado, sistema elétrico desligado , a nova Diretoria procura interessados em uma parceria, que recomponha a utilização do prédio, a troco de uma participação financeira por tempo determinado. O planejamento para a revitalização da sede social é muito bom e bonito, e aguarda-se um parceiro competente e interessado. O motivo do abandono pela anterior Diretoria pareceu ter sido ditada para não investir dinheiro em imóvel a ser vendido, e consequentemente transformação do valor em aplicações financeiras como renda para o JCB. Da mesma forma, os imóveis do hipódromo não recebiam um adequado tratamento. Ruas, calçadas, grupos de cocheiras em estado de abandono, uma aparência muito triste. E o dinheiro do clube poderia advir de um inicio de loteamento do hipódromo, isto é, transformar um setor de grupos de cocheiras em imóveis comerciais, em parceria por muitos anos com interessados, e após o período, o referido setor transformar-se, de alojamento de cavalos e de profissionais por eles responsáveis, em um setor comercial. Essa ideia do inicio de loteamento do hipódromo foi sumariamente rejeitada pelos turfistas, e as urnas da então próxima eleição apresentaram a queda daquela filosofia, voltando para as mãos dos turfistas. A nova e atual diretoria partiu exatamente para um caminho oposto, e estão aos olhos de todos um esmerado trabalho de recuperação do hipódromo. Há uma sentida melhoria. O ponto fraco ainda existente é a estagnação das dotações, hoje entendidas pelo próprios dirigentes dos clubes como ridículas, completamente despropositadas. O JCB tem mantido a sua hegemonia no turfe nacional pelos maiores prêmios que distribui, que, embora pequenos, são maiores que os dos demais clubes promotores de corridas. Mas a anual gradual diminuição do número de éguas na reprodução, com consequentemente diminuição do número de nascimentos, já estão se fazendo sentir. O Rio não está conseguindo com facilidade programar semanalmente 40 páreos com a desejada média de 8 animais por páreo. São Paulo só consegue normalmente três programas semanais com aproximadamente 27 páreos, e com número reduzido de inscrições. No Rio falta dinheiro para o necessário aumento das dotações, embora continuem as obras principalmente no tal Clubinho da Lagoa.

Um economista diria que uma entidade financeiramente equilibrada é aquela que tem todos seus setores organizados financeiramente, colaborando para um equilíbrio geral. Seria mais ou menos isso. Mas quando se trata de uma entidade turfística, primeiro há que haver um equilíbrio financeiro na atividade inicial, isto é, no turfe, e setorialmente a entidade procuraria atender dentro do possível todas as demais demandas. Um clube promotor de corridas de cavalos tem, prioritariamente, cuidar dos programas de corridas, técnica e financeiramente o melhor possível, e depois procurar atender as demais necessidades dos vários setores do clube. Isso seria o equilíbrio financeiro desejado. Como deixar faltar o necessário, o desejável, um máximo no cumprimento da vida da razão de ser da entidade, desviando recursos necessários para um turfe sempre melhor, para outras atividades em áreas de lazer? O JCB é no momento o único clube promotor de corridas no Brasil que tem condições de romper a demorada estagnação pela qual passa o Turfe Brasileiro. Uma atitude até agressiva certamente assustaria em um impacto capaz de até de provocar uma reação positiva nos pessimistas, nos reclamadores de plantão, e no meio dos profissionais do turfe e nos proprietários, aqueles que sustentam os cavalos.

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