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Em Paris, a 48a Conferência Anual da FINAH, com o discurso de Ogden Phipps

 

g_d6b0564522a64743fbca44bc45b4785dFoi realizada nesta segunda-feira (6), em Paris, a 48ª Conferência Anual da International Federation of Horseracing Authorities, que contou com a participação das principais autoridades do turfe internacional, bem como de representantes de entidades turfísticas das mais diversas partes do globo.

E o centro das atenções foi o Presidente do Jockey Club, Ogden Phipps (FOTO), que falou aos seus pares de IFHA tratando, quase que exclusivamente, do tema medicação no turfe norte-americano. E Phipps não se mostrou nada conservador: o discurso do dirigente pautou-se sobre a necessidade, segundo o próprio, dos Estados Unidos colocarem um fim na utilização de drogas e medicações, nas corridas.

“Eu asseguro a vocês de que nada é mais importante (do que o enfrentamento à questão da medicação) para o Jockey Club neste momento. Se nós não tivermos integridade, não teremos espectadores. Se não tivermos espectadores, não teremos uma indústria. Um ambiente livre de medicações seria bom para todos nós, ao passo que o ‘consumidor’ da atividade, ou é o investidor na criação, ou o apostador”, exclamou Phipps.

Acompanhado pelo Chefe de Operações da entidade, James Gagliano, e do Governador do Kentucky, Steve Beshear, Phipps destacou, ainda, que a falta de uma regulamentação coesa sobre medicação, nas corridas promovidas nos Estados Unidos, faz com que o esporte venha perdendo, em público e interesse, a cada ano que se passa. “Pesquisas dão conta de que a nossa política sobre medicações faz com que percamos atuais turfistas, turfistas futuros e parceiros em potencial – isso sem falar nos ativistas pró-direitos dos animais, mídia e membros do Congresso”, concluiu Phipps.

Ainda segundo Phipps, houve avanços, nos últimos meses, em relação ao estabelecimento de metas e regras que deverão integrar o Programa Nacional Uniforme de Medicação. O documento que deverá reger as corridas norte-americanas quanto às permissões, e proibições, à utilização de medicamentos, ainda não tem previsão para conclusão, e consequentemente não há previsão de publicação.

Também no mote medicamentos, o Dr. Yves Bonnaire, responsável pelo controle atidoping das corridas francesas, destacou a importância da realização de testes, não apenas no “pós-corrida”. Segundo Bonnaire, há substâncias que não são identificáveis no exame feito após a corrida, ou então são ministradas em tratamentos prolongados, porém encerrados com antecedência em relação à data do páreo. Tais substâncias, porém, são igualmente prejudiciais à saúde do animal, nas palavras de Bonnaire, e por isso mesmo o controle das entidades internacionais deveria ser feito de maneira regular, nas cocheiras e vilas hípicas.

Bonnaire também tratou das propostas para a utilização de chips nos animais (a fim de possibilitar um controle por GPS das autoridades hípicas), bem como das possíveis vantagens na realização de exames com amostras de crinas. Em setembro, nas Ilhas Maurício, Bonnaire palestrou para mais de 240 representantes de 31 países diferentes na Conferência Internacional dos Médicos Veterinários, e propôs a harmonização dos regulamentos no combate à medicação, bem como a listagem das substâncias consideradas mais nocivas, aos animais e à atividades. Ainda que essa lista, bem como um documento mais apurado neste sentido, somente deverão ser publicados em 2015, houve a concordância, no respectivo evento, a respeito de substâncias que prontamente seriam proibidas: anabolizantes, agonistas do receptor beta-2 (exceto quando prescritos como broncodilatadores pelos veterinários, em determinados níveis de dosagem), hormônios peptídeos, moduladores metabólicos e hormônios para crescimento.

Outro concorrido painel do evento teve como tema as texturas das pistas, com especial à utilização das raias sintéticas. Além do especialista em pistas, Dr. Mick Peterson, da Universidade de Maine, também participou da exposição o treinador Graham Motion. E tanto Peterson, quanto Motion, defenderam, em termos gerais, a utilização das pistas sintéticas. Graham (que há 3 anos venceu o Kentucky Derby (gr.I) com Animal Kingdom lhe preparando, justamente, numa raia artificial) faz uso da textura sintética no Fair Hill Training Center, e Peterson, por sua vez, destacou que esse tipo de pista oferece aos animais, via de regra, uma maior segurança, do que a areia, e o gramado.

O ponto fraco das pistas sintéticas, também abordado pela dupla, e que foi o principal motivo de sua “re-subistituição” pelas pistas de areia em Santa Anita e Keeneland, por exemplo, repousa na rápida deterioração dessas raias. As pistas sintéticas, para que mantenham suas propriedades e qualidades originais, demandam de cuidado constante, não bastando a sua mera implementação – da mesma maneira como ocorre com as pistas de grama, e de areia. E para ambos os profissionais, os resultados pouco expressivos dessas raias, na prevenção e evitação de acidentes, nos hipódromos norte-americanos estão relacionados, principalmente, à falta do acompanhamento, e manutenção, mais intensos.

Tema não menos importante para o turfe contemporâneo, as mídias sociais também ganharam espaço na Conferência. Além do CEO do Hong Kong Jockey Club, e Vice-Presidente da IFHA, Winfried Engelbrecht-Bresges, também palestraram David Sternberg e Wolfgang Breyer, “homens fortes” das áreas de comunicação e mídia do Manchester United e da BMW, respectivamente.

No encerramento da Conferência, o Presidente da IFHA, Louis Romanet destacou que o bem estar dos cavalos segue sendo a prioriedade da instituição. E, nessa linha, ratificou a importância de seus países membros desenvolverem balizas capazes de normatizar o turfe, de maneira padronizada, em cada um destes países, a fim de que com tais regras o bem estar animal, há pouco citado, sejá alcançado. Ao final do evento, ainda, houve a entrega do troféu de Honra ao Mérito da IFHA e da Longines, ao “turfman” Alec Head. Treinador tetracampeão do Prix l’Arc de Triomphe (gr.I), e ainda jóquei, “manager” e treinador, Head foi classificado por Juan Carlos Capelli (Vice-Presidente da IFHA) como “uma das mais proeminentes personalidades das corridas de cavalo”.  (publicado no SITE DA ABCPCC)

Da Gerência de Turfe

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