Delírios de grandeza, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Delírios de grandeza, por Milton Lodi

Na Revista Turf Brasil da semana de 5,6,7 e 8 de setembro de 2014, assim como no programa oficial do sábado, dia 6 de setembro do Jockey Club de São Paulo, não constou o abominável “added” referente ao Grande Prêmio Barão de Piracicaba . Embora não tivesse havido aquela referência, houve e foi praticado o “abominável”. Tanto a revista como o programa oficial copiam e divulgam exatamente o que recebem, apenas tem a obrigação de repetir, de copiar. O pequeno lapso, ou engano, diz respeito talvez, há uma pequena falha na necessária revisão do material entregue à divulgação. São comuns falhas nos detalhes como o citado, enquanto no turfe brasileiro muitos grandes e importantes pontos negativos não são lembrados. Um dos muitos exemplos é até hilariante. A Associação Brasileira, no intuito de colaborar para o engrandecimento técnico de um clube promotor de corridas, então  de porte médio, entregou a ele um “meeting” do qual uma determinada prova fazia parte e que na prática só recebeu três inscrições. Dado a absurda determinação do clube promotor de um “added” de 5 mil reais fruto da mente delirante de diretores completamente distantes da realidade. Dada à dificuldade da distribuição dos 15 mil reais do “abominável” pelos apenas 3 concorrentes, em lugar de simplesmente cancelar o absurdo pagamento e correr o páreo, tiveram que inventar uma distribuição aparentemente até justa, mas que na prática mostrou-se desastrosa, qual seja, o primeiro colocado receberia como premio o pagamento feito pelo terceiro colocado, e o segundo receberia de volta a quantia que havia pago para competir.

Na teoria aparentemente foi tudo bem mas na prática não foi bem assim. Com os delirantes e absurdos 5 mil reais de cada concorrente, caberia  ao primeiro um premio total de 10 mil reais (os seus 5 mil e mais os do terceiro colocado), e o segundo receberia de volta o que havia pago. E o resultado foi o seguinte. O primeiro colocado pagou 5 mil, recebeu 10 mil em um total de 10 mil, mas descontado 15% de imposto de renda na fonte, isto é, 8.500 (os seus 5 mil mais 3.500). O segundo recebeu de volta os seus 5 mil, mas descontado o imposto, total de 4.250, isto é, perdeu 750,00. E o terceiro perdeu os 5.000 dele. Em resumo, o primeiro pagou 5 mil e recebeu 8.500, lucro de 3.500. O segundo recebeu os seus 5 mil, descontados, tendo perdido 750. O terceiro perdeu 5 mil. E a Receita Federal, que nada tem na verdade a ver com o “abominável”, que é uma simples aposta entre os proprietários sem participação do clube, recebeu 1.500 mais 750 igual a 2.250 reais. Esse caso ridículo para o turfe saiu de delirantes diretores que muitas vezes ocupam cargos nas entidades turfísticas sem competências para as funções técnicas. E o pior, fazem umas burrices, depois vão embora, e deixam o malfeito nas costas de quem os substituem. Os clubes promotores de corrida tem obrigação de dar as maiores dotações possíveis, e não enfiar a mão nos bolsos dos proprietários em atitude inadequada. Compete aos clubes pagar os prêmios, e aos proprietários arcar com as despesas de seus cavalos, nessa atividade não lucrativa. Mas delírios de grandeza se repetem. Certa vez perguntei ao presidente de uma comissão de corridas por que um Grande Premio, que tradicionalmente era em 3 mil metros e que tivera a distancia diminuída para 2.400, passara a apenas 2 mil metros. A resposta veio imediata, ganhando em 2 mil metros o vencedor já estaria preparado para correr os 2 mil metros da principal prova milionária de Dubai. Esse era o entendimento do delirante diretor de um clube da segunda faixa. Não seria mais fácil e adequado o tal dirigente colocar os pés no chão e procurar mais inscrições de animais melhores, não só aumentando o volume dos inscritos e melhorando o padrão técnico da prova? Não seria mais razoável oferecer uma quantia que possa ser paga, em lugar de oferecer números maiores que ficam sem ser pagos por mais de 1 ano?

Obrigar compulsoriamente os proprietários a pagar em valor adicional (“added”) para correrem os seus cavalos, pior, fazer uma distribuição do “abominável” de maneira genérica , procurando até mesmo iludir com um volume maior de oferta, na pratica representa erro de orientação e prejuízo dos proprietários. Ante a disseminação do “abominável” por todos ou quase todos os clubes promotores de corridas sul-americanos, se fosse impossível de golpe erradicá-lo, uma fórmula inteligente e talvez satisfatória seria dar ao “added” um cunho optativo. Essa aposta, chamada “added”, seria à parte para uma premiação daqueles que disso, quisessem participar indo todo o dinheiro do “added”, aposta entre os proprietários, totalmente para o bolso do proprietário do animal com melhor colocação entre aqueles que pagaram o “added”. Há que se pensar nisso sem perda de tempo, pois os prejuízos causados pelo “added” são grandes e inconvenientes.

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