Recordações Inesquecíveis 34, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Recordações Inesquecíveis 34, por Milton Lodi

O Stud Book Brasileiro órgão do Ministério da Agricultura é o cartório dos registros das informações e ocorrências, de tudo a que se refere ao cavalo de corrida. Desde o principio, como o Ministério não tinha condições de praticar esse controle, entregou-o aos cuidados do JCB. Funcionava em dependência em um dos prédios do clube, e na prática não funcionava muito bem, pois não havia fiscalização nos inúmeros centros de criação, e com isso as verdades eram representadas pelas simples palavras e declarações dos responsáveis, na base da palavra. No dia 3 de Agosto de 1954, foi fundada a Associação Brasileira dos Criadores a (ABC), promovida por um seleto grupo de turfistas cariocas e apoiada unanimemente por toda a comunidade turfística brasileira.
No escritório do grande criador Antonio Joaquim Peixoto de Castro Júnior na Rua Senador Dantas 70, foi promovida a reunião de fundação com presença maciça de importantes nomes da época como Euvaldo Lodi e José Bastos Padilha. Tudo começou certo, mais não a escolha do primeiro presidente que recaiu em um homem de bom relacionamento social mas inadequado para a função Ricardo Xavier da Silveira. Durante 10 anos a então ABC viveu praticamente inerte até que um grupo paulista liderado por João Adhemar de Almeida Prado e Hernani Azevedo Silva conseguiu levar a Associação para São Paulo inclusive assumindo as rédeas do Stud Book Brasileiro. Houve uma reformulação geral inclusive na fiscalização em todo os pontos criacionais do país, colocando as coisas, dentro do possível em ordem. Aquela altura a primitiva ABC teve o seu nome adulterado para ABCC (Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo) e mais adiante, ABCCC (Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo de Corrida).
Em certa época o Brasil passava por uma crescente onda vermelha esquerdista que, ante as grandes proporções, foi enfrentada pelos militares, que assumiram a administração do país. No embale para a liderança política houve naturalmente aspectos não pacíficos, e com a nova administração, com intervenções em vários setores, houve momentos não pacíficos. Naquele momento de incerteza política entendeu o então líder paulista dos criadores João Adhemar de Almeida Prado, em parceria com Hernani Azevedo Silva fundar uma Associação Paulista de Criadores e Proprietários, no pressuposto de que, se viesse a vir uma intervenção no setor ela poderia atingir a Associação Nacional, e não uma Regional. Foi assim criada a Sociedade dos Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida de São Paulo. Se por um lado não houve nenhuma intervenção por outro a nova sociedade brilhou intensamente, promovendo melhorias fundamentais em todos os setores da criação, como até instituindo e mantendo depósitos de alimentos adquiridos nas fontes e nas adequadas safras com isso barateando o custo do trato, e no setor das corridas explodindo com uma espetacular promoção visando a volta dos leilões de potros. Com um ótimo e adequado regulamento especificamente orientado para bom aspecto comercial para os leilões, houve um grande surto de modernidade e sucesso com a implantação da TAÇA DE PRATA. Aquela altura, o brilhante Hernani Azevedo Silva já havia sido substituído, na Presidência da Sociedade pelo não menos brilhante Antonio Luiz Ferraz, foi um sucesso tão fantástico que esse tipo de prova, só com uma filosofia promocional foi, posterior e inadequadamente agraciada com um Gr.1. Mais tarde, com Associações de Criadores em todo os Estados e apenas São Paulo com um setor especifico somente para os proprietários foi fundada em SP a ANPC (Associação Nacional dos Proprietários de Cavalo). O cunho dela era representar os interesses de proprietários de todo o país, já que nem sempre os interesses dos criadores e os dos proprietários são iguais. A chamada Copa ANPC, promoção custeada pelos proprietários era um conjunto de 4 provas do estilo tradicional, sendo uma prova para éguas de 3 anos e mais idade em 2.000 metros e outros 3 produtos de 3 anos ou mais, em 1.000, 1.600 e 2.400 metros. Foi um enorme sucesso. Acontece que, com o correr do tempo, extinguiram-se tanto a Sociedade Paulista como a Associação Paulista dos Proprietários ambas tiveram que ser absorvidas pela Associação Brasileira que teve seu nome mudado para ABCPCC (Associação Brasileira de Criadores e Proprietários do Cavalo de Corrida).
Como acontece muitas vezes em nosso país, a cada eleição em quase todos os setores, novos diretores entram e saem, muitas vezes com boas e também com más ideias e depois vão embora deixando o mal feito em prática. De uns tempos pra cá a Associação Brasileira promove uma corruptela do que havia antes, um festival dos criadores com 4 provas, uma em 1.000 metros e outra em 2.000 metros para produtos de mais idade, uma cópia mal feita da final da Copa de Prata para fêmeas em 1.600 metros e outra cópia mal feita para os machos nos mesmos moldes. Esse festival dos criadores é realizado alternadamente no Rio e em São Paulo. Em 2014 foi no Hipódromo da Gávea e apresentou resultados muito satisfatórios mas não surpreendentes. Nos 1.000 metros G.P Mário Belmonte Móglia correram 4 animais, 2 de São Paulo e 2 do Rio de Janeiro, os 2 paulistas disputaram a ponta até o meio da reta,e dai por diante os outros 2 prevaleceram com a vitória de Desejado Put sobre Blind Ambition, o primeiro de propriedade do Stud Alvarenga, a segunda, do Haras Santa Maria de Araras, e ambos de criação do haras Campeão Nacional. Nos 2.000 metros G.P Mathias Machline, prevaleceram três excelentes éguas, Beach Ball, com a companheira Billy Girl, ambas de criação e propriedade do Araras e a ótima Sutil de criação e propriedade do vitorioso Haras São José da Serra que se despedia das pistas para o haras. Na milha das potrancas G.P Margarida Polak Lara, vitória autoritária de ponta a ponta da potranca Calêndula, egressa da primeira geração brasileira do alemão Shirocco de criação e propriedade do Campeão Nacional Araras. Na milha dos potros G.P João Adhemar de Almeida Prado, a vitória foi de Point Naif (Crimson Tide) um potro que já havia mostrado muita qualidade em provas de grupo e que entrou em último lugar na reta apresentando uma violenta atropelada pelo meio da pista. Uma vitória consagradora.
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