08.06.2014 – G.P. Brasil 2014, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

08.06.2014 – G.P. Brasil 2014, por Milton Lodi

O dia amanheceu bonito, ensolarado, mas à tarde veio um forte calor. O público era maior que o habitual, a tribuna principal bem cheia. Crianças brincavam nos brinquedos instalados na pelouse até depois das 19 horas. Foi um bom dia de corridas. O Jockey Club Brasileiro realizou na semana um total de 48 páreos, alguns clássicos e grandes prêmios, e foi prestigiado pelas Diretorias e Presidências dos outros três principais Clubes promotores de corridas de nosso país, quais sejam, os Jockeys Club de São Paulo, do Rio Grande do Sul e de Pelotas.

A principal atração naturalmente era o Grande Prêmio Brasil, em 2.400 metros em pista de grama úmida/ macia, no qual as principais atenções estava voltadas para o tríplice-coroado Bal a Bali, que em onze apresentações obtivera dez vitórias, sendo a sua única derrota justificada por ter sofrido dores de canelas. Os principais nomes do páreo eram o favorito Bal a Bali, montado pelo líder das estatísticas da Gávea, V. Borges, um excelente jóquei que prima por fazer corridas simples, sem complicações, entrando sempre na reta final procurando desde logo o centro da pista, onde sempre há espaço; Mojito, companheiro de Bal a Bali, também já vencedor de alta prova de Grupo I, que iria com um extraordinário jóquei, Altair Domingos, que vinha de vencer os recentes Brasil, 25 de Mayo e Grande Prêmio São Paulo; Hendrix, que uma vez apresentara ótima performance e que voltava às mãos do nosso campeão mundial Jorge Ricardo, e a potranca Beach Ball, do Araras, portadora de ótimos trabalhos e que iria com V. Gil, um bom jóquei que costuma acompanhar bem colocado o ritmo das corridas para brilhantes arremates finais. A deplorar apenas as ausências de C. Lavor, o mais experientes dos jóqueis habitualmente atuantes na Gávea, pois seu cavalo fez fortait, e de F. Leandro, ao qual não ofereceram montaria e ele permaneceu em Buenos Aires.

Os analistas do páreo, aqueles que frequentam normalmente as corridas e já conhecem as características e qualidades dos cavalos e de seus respectivos jóqueis, entendiam de um percurso sem maiores novidades, e uma reta final com resultado previsível. Bal a Bali era o pião do páreo, a força principal, e deveria correr na expectativa e no meio do pelotão, com o segundo faixa Americando indo para frente para imprimir um ritmo forte, e o faixa Mojito entre os últimos, aguardando a reta final para ultrapassar os afoitos e tentar uma honrosa colocação. Hendrix era perigoso, pois antes de mais nada contava com o campeão Jorge Ricardo e dependia do seu aspecto físico, pois na sua ida a São Paulo apresentou-se bem menos bonito que das vezes anteriores. E a égua do Araras possivelmente acompanharia de perto o campeão para tentar passar por ele na reta final. Em uma análise simples, sem querer adivinhar, eram essas as previsões para o desenrolar da grande prova.

No galope de apresentação, Hendrix mostrou-se muito bonito, embora abaixo do peso de sua notável atuação contra Bal a Bali, dava a impressão de boa recuperação. Todos os outros bonitos e bem apresentados. A maioria dos analistas entendeu de melhorar no aspecto do favorito campeão, em relação à sua vitória anterior, quando se apresentara com 10kg a mais e com um treinamento prejudicado por uma frustrada venda, e ainda por uma infeliz atuação de um faixa, que correu como um inimigo. Salvo grandes surpresas, esse era o panorama do páreo.

Dada a partida, dos 2.400 aos 1.600 metros os competidores foram se acomodando. Na reta oposta, o faixa do Araras, Catch a Flight, e o segundo faixa do Alvarenga, Americando, emparelhados imprimiram um ritmo bem forte e livraram boa vantagem sobre os outros. Em magistral atuação, Jorge Ricardo colocou o seu Hendrix em terceiro, visivelmente pretendendo, na reta final, arrancar antes e na frente de Bal a Bali, para tentar não ser alcançado pelo campeão. Bal a Bali seguia em 5º, no meio do pelotão, com V. Borges sereno ele na expectativa, atento, mas aparentemente dono da situação. Em 7º vinha a boa potranca do Araras, Beach Ball, com V. Gil aguardando a reta. No fundo do lote, A. Domingos mantinha-se quieto com Mojito.

Até a entrada da reta final, o panorama era a realização das previsões, todos os jóqueis correndo de acordo com o figurino, dando um máximo de chances para os seus animais, sem erros, sem precipitações. Tecnicamente um páreo lindo, tático. Na reta, como era de se esperar, os dois ponteiros, ficaram para trás, com os seus papéis cumpridos, e Hendrix teve a sua grande oportunidade de tentar vencer. Mas Hendrix mostrou-se cansado, a sua ida a São Paulo não lhe fez bem. Mas é um potro de 3 anos com uma só vitória, tem pela frente, após descansar, muitos páreos para vencer. O hábil V. Borges como sempre levou o seu pilotado para o centro da pista, por fora, onde sempre há espaço para os que vêm de trás, não arrisca a entrar no tráfego perto da cerca interna e tem quase sempre que rezar para que surja uma passagem. Bal a Bali apresentou-se muito bem, partiu em direção à linha de chegadas sob uma delirante ovação do grande público, que em sua esmagadora maioria torcia para que o brilhante tríplice-coroado viesse a ser o primeiro tríplice a vencer com 3 anos, o Grande Prêmio Brasil. A boa Beach Ball fez uma linda reta, tentou brilhantemente encostar em Bal a Bali, e quando tudo parecia indicar que ela chegaria em honroso 2º, eis que surgiu Mojito em fortíssima atropelada, para fazer a dobradinha do Alvarenga.

A vitória de Bal a Bali, com onze triunfos em doze apresentações, abre uma nova perspectiva para o turfe brasileiro no plano internacional, já que os ganhadores do 25 de Mayo e agora o Grande Prêmio Brasil estejam automaticamente convidados para correr os 2.400 metros na grama da Breeder’s Cup Turf, a ser corrido, se não me engano, no mês de novembro. Como nos Estados Unidos a tônica das corridas é de páreos na areia e até 1.800 metros, e olha lá, a Breeder’s Cup Turf costuma acolher ótimos corredores europeus, com os seus jóqueis, que na verdade tem padrão técnico médio, páreo em 2.400 na grama é sempre forte. O Stud Alvarenga declarou logo após o páreo que vai aceitar o desafio, Bal a Bali vai correr a Breeder’s. Se fosse uma milha na grama, com todos os problemas de transportes, de mudança de hemisfério, de comida, água e ambiente, eu me atreveria a dizer que dificilmente ele perderia, pois Bal a Bali é um excepcional milheiro. Mas mesmo em 2.400 metros, contra ótimos corredores adequados a milha e meia, penso que vale o atrevimento de uma empreitada que pode vir a ser histórica.

O Stud Alvarenga e o criador Haras Santa Maria de Araras, assim como o treinador D. Guignoni e o jóquei V. Borges, merecem todos os elogios, pelas performances desse notável Bal a Bali.

Para terminar, eu não poderia deixar de assinalar a participação do nosso campeão mundial Jorge Ricardo na tarde de 08 de junho de 2014, no Hipódromo da Gávea. Nas últimas vezes em que o Ricardinho veio montar no Brasil, não conseguiu ganhar, naturalmente em função de montarias inadequadas, pois os jóqueis que moram e atuam no Rio e em São Paulo detém as melhores oportunidades. Mas dessa vez, Jorge Ricardo ganhou um Grande Prêmio de Grupo III e mais dois páreos comuns.

É de se notar que o Haras Santa Maria de Araras, criador de Bal a Bali e criador e proprietário de Beach Ball, já havia vencido o Grande Prêmio Brasil do ano anterior, 2013, como criador e proprietário de Aerosol.

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