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Época revolucionária, por Milton Lodi

Nesses últimos poucos anos, uma verdadeira revolução instalou-se no turfe brasileiro. Tradicionalmente tínhamos três faixas de clubes promotores de corridas. Divididas não só pelas suas importâncias e grandezas como também e, principalmente pelos seus movimentos de apostas. Na primeira faixa estavam, e estão, o Jockey Club Brasileiro e o de São Paulo. Na segunda, o Jockey Club do Rio Grande do Sul e o do Paraná (hoje e já de algum tempo, o do Paraná nem sendo implodido por más e inadequadas administrações, caminhando para um futuro cada vez mais próximo do ostracismo ou mesmo para uma eventual paralisação de suas atividades turfísticas). Assim, na realidade, na prática, só o Jockey Club do Rio Grande do Sul ocupa a segunda faixa. Na terceira estão  todos os demais clubes promotores de corridas, que por motivos vários lutam pelas suas vidas, com mais do que insuficiente movimentos de apostas, número reduzido e de padrão abaixo do razoável no que diz respeito à qualidade dos corredores.
               A bem da verdade, na prática, adequadamente o Ministério da Agricultura cassou a Carta-Patente do Jockey Club de Pelotas, por desrespeito a regulamentos e regras, que têm que ser seguidas para justificar a tal Carta-Patente, que é quem dá direito à promoção de corridas. Por cerca de um ano o Jockey Club de Pelotas sofreu profundas modificações em suas práticas. Com todas as exigências cumpridas, o Jockey Club de Pelotas pleiteou e recebeu de volta o seu direito de promover corridas. Agora em ordem, em mãos de turfistas adequados ao espírito de sua existência, em mãos de gente honesta e que luta por melhorias, o Jockey Club de Pelotas é hoje o quarto clube promotor de corridas do Brasil.
            Em muito boa hora, talvez até um pouco tarde, o melhor Ministro da Agricultura de nosso país, o gaúcho Luiz Fernando Cirne Lima, providenciou uma Lei do Turfe, que em todos os sentidos ordenou os problemas do turfe brasileiro, e em consequência, houve melhoria geral e progresso.
            Um dia foi criada a CCCCN, Comissão Coordenadora da Criação do Cavalo Nacional que, bem intencionada, foi útil ao turfe brasileiro, mas à medida em que passaram os tempos de Cirne Lima, ela foi perdendo a força e a necessária utilidade. Para que ela subsistisse, os dois Jockeys Clubs da primeira faixa passaram a ter a obrigação de pagar mensalmente ao Ministério da Agricultura uma taxa ou imposto mensal conforme o volume de sua distribuição de prêmios, decorrentes dos movimentos gerais de apostas. Os pagamentos mensais, cada vez mais pesados ante a decrescente realidade do turfe brasileiro, chegou à situação desagradável. Os dois clubes pagantes passaram a não cumprir religiosamente as suas obrigações mensais, e quando a CCCCN foi extinta, quando se imaginava que a taxação ia desaparecer, o Ministério da Agricultura manteve a exigência de pagamento, a outro título. O Ministério e os dois clubes pagantes amigavelmente se acertaram, para um escalonamento das injustas dívidas. Um peso muito grande para o Jockey Club Brasileiro e o de São Paulo. Mesmo assim, as administrações dos dois clubes encontraram enormes dificuldades para cumprir o prometido, diminuindo o potencial financeiro e continuava insuportável.
            Paralelamente, as diretorias dos Clubes tentavam sensibilizar o Governo da injustiça da cobrança de um tributo a uma entidade já há muito morta pelo próprio Ministério. As ações conjuntas dos três mais importantes Clubes brasileiros promotores de corridas, após um grande e profícuo trabalho, foi finalmente conseguido que o absurdo fosse compreendido. A natural decorrência disso será muito benéfica para a comunidade turfística, venha ela da forma que vier.
            Depois dessa longa batalha contra uma injusta e absurda cobrança contra os Clubes, a comunidade turfística tem que cuidar de outro caso injusto e absurdo, qual seja, a cobrança de 15% (quinze por cento) do Imposto de Renda sob os prêmios, na fonte, isso de uma atividade reconhecidamente deficitária para a grande maioria. Impostos foram feitos para serem pagos, mas dentro de um limite do razoável. Assim, se não for correto a não cobrança desses 15%, que seja mantida a cobrança como instituição, mas no caso com o valor de 1% (um por cento). Continuaria a cobrança sobre uma atividade deficiente, mas cabível e mais adequada.
            A luta continua, mas a não ser para os reclamadores de plantão, os eternamente insatisfeitos e os do contra, do qual grupo também faz parte os pessimistas, repito, a não ser para esses, a comunidade turfística já pode entender de bons novos tempos.
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