Na tarde/noite de sábado dia 03 de maio de 2014, o canal da NET número 572 apresentou o programa do Kentucky Derby 2014, a primeira prova da Tríplice-Coroa norte-americana, em 2.000 metros na areia. Duas semanas depois está prevista a segunda prova, o Preakness Stakes, em 1.900 metros no Hipódromo de Pimlico, em Maryland, e três semanas depois a terceira prova, em 2.400 metros, o Belmont Stakes. Sob o ponto de vista técnico, o Belmont é a prova mais importante, pois a volta fechada da pista é similar às melhores pistas, enquanto nas duas primeiras etapas da tríplice as voltas fechadas são da ordem de 1.600 metros, resultando em uma correria para correr perto, pois quem corre longe, como também os que correm por fora, levam grandes desvantagens.
No Kentucky Derby de 2014, naquela pista curta, largaram vinte potros, e naturalmente os que correram do meio para fora levaram desvantagens. As duas curvas e as retas curtas não permitem um desenvolvimento adequado, e obrigando para melhores resultados uma aceleração inadequada na primeira parte do percurso. Dos vinte concorrentes, apenas três haviam participado da Breeder’s Cup Juvenile, isto querendo dizer que eles eram os sobreviventes de uma habitual violenta campanha para os 2 anos de idade. A transmissão foi um espetáculo à parte, com imagens e comentários pertinentes a uma grandiosa promoção. O prado, todo florido, recebeu quase 165 mil expectadores, eu disse 165 mil, no prado, que estava lindo. A maioria dos vinte competidores ia montada por jóqueis não norte-americanos, pois nessas ocasiões nobres são chamados os profissionais melhores, os mais hábeis, experientes, inteligentes. O cavalo favorito era um nascido fora de Kentucky, que representa nos Estados Unidos, os mesmo que Bagé/Aceguá no Brasil. Nascido na California, de nome California Chrome (Cromo da Califórnia), que seria montado pelo mexicano Victor Espinosa, um jóquei experiente e tarimbado, e que já havia vencido o Kentucky Derby de 2002. O favorito correu na terceira colocação, sempre se aproveitando das curvas e das retas curtas, e nos últimos 400 metros tomou a ponta para ganhar com estilo e absoluta autoridade. Apesar do grande número de concorrentes em função de uma pista pequena, os jóqueis respeitaram as regras e mantiveram os seus cavalos sem causar prejuízos. O único potro que não teve um percurso normal, de nome Danza, teve que ser levantado duas vezes, na tentativa de conseguir um espaço livre e conveniente para atropelar. Esse potro ficou entendido como o eventual competidor de California Chrome no Preakness. Mas, aparentemente, será muito difícil a derrota do ganhador do Kentucky Derby, pois o alazão de quatro patas brancas e de fronte aberta ganhou com absoluta autoridade. Parece que, em termos de estrutura e complexidade física, California Chrome é uma exceção à regra, pois era o potro mais corrido dos vinte inscritos, com sete corridas aos 2 anos e completando mais quatro aos 3, estando, antes do Preakness, com sete vitórias e um segundo. Enquanto por um lado as lindas imagens do Hipódromo de Louisville, capital do Estado de Kentucky, e a ótima tradição do páreo mostravam um maravilhoso espetáculo turfístico, por outro lado não havia a necessidade da demonstração da fixação em dinheiro, como é hábito no turfe norte-americano.
Por várias vezes, antes e depois do páreo, nas entrevistas com os responsáveis pelo excelente potro vencedor, e também nos próprios discursos nas entregas dos troféus, foram repetidamente enfatizados aspectos financeiros referentes ao ganhador. O preço de cobertura do pai dele é de apenas 2.500 dólares contra produto vivo, pois o pai do campeão não tem prestígio (e a mãe do potro pedigristicamente não tem maior valor e até então não havia produzido nada de especial, em outras palavras pedigree fraco). O potro já havia corrido antes do Kentucky Derby dez vezes, com sete vitórias e um segundo, e surgiu então uma proposta de 6 milhões de dólares por 51% da propriedade de California Chrome. O proprietário naturalmente recusou, muito dinheiro muita gente tem, mas só ele tinha o California Chrome. O potro ganhou o Kentucky Derby, perfazendo até agora 2,5 milhões de dólares em prêmios, e hoje ele vale bem mais do que os 6 milhões por 51%. Esses números foram repetidos e repisados e mostram a fixação em lucro, em dinheiro, e que tratam do turfe como um balcão de negócios. É claro que em princípio todos os cavalos de corridas têm um preço, e nos seus devidos momentos são ou não transacionados, mas a fixação em dinheiro no turfe norte-americano empolga até as autoridades quando da entrega de troféus esportivos.
Eu não estou nem quero comparar, mas eu lembro que a grandeza do turfe brasileiro se fez à custa de criadores como, por exemplo, Linneo de Paula Machado (Haras São José e Expedictus), Antonio Joaquim Peixoto de Castro Junior (Haras Mondesir), Roberto e Nelson Grimaldi Seabra (Haras Guanabara), Frederico João Lundgren (Haras Marangape), José Carlos Fragoso Pires (Haras Santa Ana do Rio Grande), Euvaldo Lodi (Haras Ipiranga), Henrique de Toledo Lara (Haras Faxina), e mais alguns, que preservavam os seus produtos mais importantes visando um futuro melhor de suas criações.
Os tempos na verdade mudaram, as dotações nos hipódromos brasileiros são ridículas, para equilibrar o contexto teriam que ser pelo menos dobradas, pois o custo-benefício é perverso, isso resultando na necessidade, muitas vezes, de deixar sair elementos que deveriam ser guardados.
Na Argentina, onde se pratica um turfe eminentemente comercial, os grandes haras, aqueles que fizeram a grandeza do turfe de lá, está de há muito definhando, e se eles ainda subsistem com importância é pelo amparo financeiro das “maquininhas”.
Voltando ao turfe norte-americano, quem quiser assistir um espetáculo turfístico de grandes proporções, não naturalmente como o do Kentucky Derby, mas também imponente e importante, deve procurar assistir o Preakness Stakes, no sábado, dia 17 de maio, pelo canal número 572 da NET.
Espetáculo imperdível!
