Villach King e George Washington: duas gerações unidas pela eternidade, por Matheus Peres » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Villach King e George Washington: duas gerações unidas pela eternidade, por Matheus Peres

Ganhar o Grande Prêmio Brasil já basta para transformar um cavalo em lenda. Mas existem aqueles que conseguem algo ainda mais raro: voltar e vencer novamente.

Entre dezenas de craques que marcaram época na Gávea, apenas poucos animais alcançaram o status de bicampeões da principal prova do turfe brasileiro. E entre eles, dois nomes ajudam a ligar gerações completamente diferentes: Villach King e George Washington.

Nos anos 1990, Villach King tornou-se referência de categoria e resistência ao conquistar o GP Brasil em 1991 e repetir o feito em 1993. Em uma época marcada por grandes fundistas e corridas extremamente disputadas, o defensor do Haras Santa Maria de Araras consolidou seu nome entre os gigantes da história do turfe brasileiro.

Ildefonso Coelho Souza assumiu o treinamento de Villach King após o falecimento de Wilson Pereira Lavor, pouco tempo antes do GP Brasil. Apesar de conhecer o animal, era uma responsabilidade e tanto. Villach King surpreendeu a todos sob o comando de Carlos Lavor, derrotando os nomes badalados de Falcon Jet, Indian Chris, Flying Finn entre outros.

Após passar por 1992 todo sem vencer, apesar de conseguir colocações importantes, a estrela de Villach King brilhou em 1993. Depois do terceiro lugar no GP São Paulo, o cavalo retornou no último furo para o Rio de Janeiro. Venceu a preparatória e na sequência bateu Much Better e Sandpit no GP Brasil, em uma das chegadas mais emocionantes.

Quase 30 anos depois o Grande Prêmio Brasil voltou a ter um bicampeão: George Washington. Criado pelo Stud TNT, o cavalo iniciou sua campanha defendendo as cores de seu criador. Após algumas colocações, George Washington foi adquirido pelo Stud Happy Again por alta soma, apostando forte no potro, que até então era badalado pelos trabalhos matinais que produzia.

No entanto, George Washington demorou a corresponder as expectativas. Depois de deixar o perdedor na pista de areia, o cavalo correu abaixo das expectativas em diversas oportunidades, passando pelas mãos de diferentes treinadores renomados. Até chegar aos cuidados de Luiz Esteves.

Apresentado pelo treinador pela primeira vez, George Washington desempenhou de maneira magnífica para vencer o Grande Prêmio Brasil em 2019. Contando com a direção espetacular de Marcelo Gonçalves.

A partir daquele momento, George Washington mudou de status e passou a ser um dos grandes competidores do turfe nacional. Em 2020, George Washington ainda consagrou-se campeão do GP São Paulo. 

Em agosto de 2021, aos 6 anos, George Washington repetiu o feito. Derrotou ótimos nomes. 

Enquanto muitos animais já demonstravam desgaste pela distância e pelo estado pesado da pista, George Washington parecia crescer. Quando assumiu a ponta, venceu com autoridade, abrindo vantagem sobre Jackson Pollock e confirmando um triunfo que imediatamente entrou para a história do turfe nacional. Desta feita conduzido por Henderson Fernandes.

O tempo mudou, os adversários mudaram, as gerações passaram. Mas Villach King e George Washington permaneceram. Dois nomes separados por décadas, unidos pela mesma façanha e pela mesma capacidade de desafiar o desgaste, a pressão e a própria história.

Na memória do turfe, ambos deixaram de ser apenas campeões. Tornaram-se eternos.

por Matheus Peres – fotos:

Foto 1 – Arquivo JCB

Foto 2 – Sylvio Rondinelli

Foto de Capa – João Cotta

N.R.: Matheus Peres é jornalista e narrador oficial das corridas do Hipódromo da Gávea. Filho do treinador gaúcho, radicado no turfe carioca, Daniel Peres, Matheus tem toda uma vida ligada ao turfe e terá uma coluna semanal no site do Jockey Club Brasileiro.

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