Belo Acteon: Fé, Coragem e História, por Matheus Peres » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Belo Acteon: Fé, Coragem e História, por Matheus Peres

A cada semana que passa a expectativa aumenta para a realização do GP Brasil 2026, a maior festa do turfe brasileiro. Dando continuidade a nossa saga de relembrar grandes campeões e personagens icônicos, vamos falar essa semana sobre Belo Acteon, campeão em 2011.

Na tarde de 7 de agosto daquele ano, poucos imaginavam que a Gávea testemunharia uma das maiores surpresas da história do GP Brasil. Nas arquibancadas, os olhos estavam voltados para os grandes favoritos: cavalos consagrados, campanhas sólidas, nomes respeitados. Quase ninguém prestava atenção em Belo Acteon. E havia motivos para isso.

Até aquele momento, Belo Acteon era apenas um azarão. Tinha uma campanha discreta, uma vitória em páreo de turma algumas semanas antes e nunca havia enfrentado os exigentes 2.400 metros. Para muitos, sua presença no campo parecia mero complemento.

Mas o treinador Dulcino Guignoni enxergava algo diferente. Nos trabalhos matinais, o cavalo demonstrava coragem, pulmão e uma vontade rara de competir. Guignoni decidiu apostar. Era uma decisão ousada, quase desafiadora. Seu criador e proprietário Aluízio Merlin Ribeiro (hoje Haras Legacy) embarcou no sonho. No comando estava um jovem jóquei de apenas 19 anos: Henderson Fernandes, em sua primeira participação no GP Brasil. Era juventude, ousadia e improvável esperança contra a lógica do favoritismo.

Belo Acteon tomou a dianteira após a largada. Sem cerimônia, sem medo. Galopava leve na grama, enquanto os favoritos aguardavam o momento de atacar. Muitos acreditavam que ele cansaria. Que cedo ou tarde a realidade da prova chegaria.

Cada passada na reta final parecia movida por algo maior do que técnica ou pedigree. Henderson Fernandes conduzia o cavalo com coragem admirável. Os favoritos atropelavam por fora. A vantagem diminuía. Mas Belo Acteon seguia lutando.

Por uma diferença mínima, o azarão vencera o Grande Prêmio Brasil.

A Gávea explodiu em emoção.

Naquele instante, o turfe brasileiro assistia a um dos resultados mais improváveis e apaixonantes de sua história recente. Um cavalo desacreditado. Um jóquei estreante de 19 anos. Um treinador que acreditou quando ninguém mais acreditava.

Henderson Fernandes tornou-se o jóquei mais jovem a vencer o GP Brasil. Dulcino Guignoni conquistava mais um capítulo lendário em sua carreira. E Belo Acteon deixava de ser apenas um nome improvável para entrar definitivamente na memória do turfe brasileiro.

De vez em quando surge um Belo Acteon para lembrar que corridas são feitas de coragem, fé e sonho e que o impossível também sabe cruzar o disco na frente.

por Matheus Peres – foto: Gerson Martins & Livo Gonzalez

N.R.: Matheus Peres é jornalista e narrador oficial das corridas do Hipódromo da Gávea. Filho do treinador gaúcho, radicado no turfe carioca, Daniel Peres, Matheus tem toda uma vida ligada ao turfe e terá uma coluna semanal no site do Jockey Club Brasileiro.

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