Ghadeer foi o melhor avô materno da história do turfe brasileiro. Quando potro, foi comprado pela família Al Maktoum, indicado pela sua equipe de experts, em função do pedigree, de seu tipo físico, e de suas perspectivas. Foi à época o preço recorde. Mas com tudo isso a favor, Ghadeer não correspondeu ao muito que dele era esperado. Mostrou boa qualidade nas pistas, mas não o suficiente para integrar a excelência desejada. Para melhorar o seu resultado nas pistas, foi mandado para correr na Itália e Alemanha, onde o padrão da criação e das corridas europeias não é do mais alto nível. E foi assim que Ghadeer veio a ser um vencedor de grupo, o que em muito melhorou a sua apresentação. À época, os Haras Santa Ana do Rio Grande, Mondesir e Santa Maria de Araras alvitravam a vinda de um garanhão especial, e que estivesse dentro do padrão financeiro da criação brasileira. O melhor agente internacional de que o Brasil dispõe há muitos anos, Samir Abujamra, conseguiu comprar Ghadeer para o grupo interessado. O resultado é por demais conhecido, Ghadeer foi um excelente pai e um extraordinário avô materno. A sua influência no turfe brasileiro é incomensurável pois, além de suas próprias qualidades, contava com o apoio feminino de três dos maiores haras brasileiros de todos os tempos. Ghadeer morreu velho no haras onde sempre permaneceu no Brasil, no Mondesir, e durante muitos anos, mesmo após a sua morte, manteve-se líder nacional da estatística dos avôs maternos. Foi impressionante a sua liderança por tantos anos mesmo já morto. Naturalmente, com o passar do tempo as suas filhas também envelheceram e foram diminuindo de número, mas Ghadeer incrivelmente mantinha-se no primeiro posto da estatística dos avôs maternos. Até que, nos últimos anos, firmou-se na segunda posição Roi Normand. Esse cavalo também tem uma história ligada a Samir Abujamra. O Haras Santa Ana do Rio Grande entendeu, em certa época, de importar um garanhão que estivesse dentro de parâmetros entendidos como fundamentais. Naturalmente coube a Samir tentar encontrar o cavalo pretendido. Durante dois anos, um ou outro cavalo era oferecido, mas após aquele tempo surgiu à oportunidade da compra de um cavalo entendido como dentro de todos os parâmetros fixados por José Carlos Fragoso Pires Junior a Samir Abujamra. Era Roi Normand.
Roi Normand teve muitas e boas oportunidades, pois viveu no Brasil no centro da criação brasileira, o município de Bagé (RS). Foi um ótimo pai de ganhadores de provas comuns e de grupo,e deixando filhas que o levaram à vice-liderança da estatística de avôs maternos. Como o fim da era Ghadeer, que está enterrado no haras em que sempre viveu no Brasil, o Mondesir, assumiu a liderança nacional o extraordinário Roi Normand. Como dizem os franceses, “O Rei morreu, viva o Rei”. Roi Normand morreu no 1º semestre de 2005 e está enterrado no Haras Santa Ana do Rio Grande. Desde que veio para o Brasil até a sua morte, Ghadeer era de propriedade o Haras Mondesir (60%), Santa Ana do Rio Grande (20%) e Santa Maria de Araras (20%). Roi Normand veio para o Haras Santa Ana do Rio Grande, e no correr dos anos foram se agregando sócios, e quando ele morreu as participações eram de 55% do Santa Ana, 10% do Mondesir, 10% do TNT, 5% Fronteira, 5% Doce Vale, 5% Old Friends, 5% São José do Bom Retiro e 5% do das Estrelas. Como pai, Roi Normand produziu 21 ganhadores de grupo I, 11 de grupo II, e 16 de provas de grupo III, e com ganhadores de GI ainda vencendo provas do GII e GIII, e ganhadores de GII também vencendo provas de GIII. Entre os seus melhores filhos devem ser destacados, Riboletta, grande ganhadora clássica no Brasil, exportada para os Estados Unidos, onde em 2000 recebeu o Eclipse Awards como a melhor égua de 4 e mais anos. No total (Brasil + USA) venceu 6 provas de grupo I. Outro ótimo filho foi Super Power, que inclusive venceu a triplice-coroa brasileira. Here to Win foi comprada ainda potranca, em leilão do Santa Ana por um proprietário da Noruega, que mandou fazer campanha nas pistas da África do Sul. Lá foi considerada a melhor potranca de 3 anos, recebendo o Equus Award. Exportada para os Estados Unidos, lá seguiu ganhando, inclusive um GIII. Redattore foi o melhor milheiro de sua época no Brasil, e também nos Estados Unidos, e como reprodutor, agora sediado no Haras Old Friends, que é o seu principal quotista, recebe anualmente o Troféu Mossoró como o melhor ganharão nacional em atividade no Brasil. Como avô materno Roi Normand já deu quatro ganhadores do Derby Brasileiro (Super Power, Gigli, Pototó e Gibson). Ay Caramba, já pai clássico, e Flymetothemoon, ganhador do G.P. São Paulo, são mais alguns dos seus bons filhos.
Roi Normand morreu no 1º semestre de 2005. No 2º semestre, nasceram os seus últimos filhos. Nessa última geração deu Uno Solo (foto), criação do Haras Fronteira, que mostrou muita qualidade, tendo vencido o G.P. Dezesseis de Julho, a preparatória para a o Brasil, o G.P.Salgado Filho, foi 2º no G.P Brasil a cabeça, e 3º no G.P. João Borges Filho. Fisicamente parecido com o pai, Uno Solo tinha uma fortíssima aceleração na reta final, e no próprio G.P.Brasil não venceu por peripécias. Uno solo está na reprodução desde o 2º semestre de 2013, por conta de seu proprietário. Cobriu 3 ou 4 éguas, do próprio proprietário, e quem entendeu da enorme presença de Roi Normand. Através de um ótimo veículo, basta comunicar-se com o proprietário do Stud G.M.E.S. no JCB, ou no Haras São Luiz, no Paraná, onde está alojado Uno Solo. O reinado de Roi Normand e de seus filhos deve perdurar por um bom tempo, pois as filhas de Ghadeer, praticamente já acabaram, e Roi Normand tem ainda descendentes diretos nascidos em 2005.
