Além do futebol, o turfe também predominou na América do Sul, por Matheus Peres » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Além do futebol, o turfe também predominou na América do Sul, por Matheus Peres

Ao longo da história esportiva da América do Sul, poucos países exerceram influência tão marcante quanto o Brasil. Esse protagonismo se manifesta de forma clara em duas paixões aparentemente distintas, mas surpreendentemente semelhantes: o futebol e o turfe. Em ambos os universos, o talento brasileiro ultrapassou fronteiras, moldou estilos e estabeleceu padrões de excelência que se tornaram referência continental.

No futebol, o Brasil construiu sua hegemonia a partir da combinação singular de habilidade técnica, criatividade e apurada leitura de jogo. Desde cedo, os jogadores brasileiros desenvolveram uma relação quase intuitiva com a bola, marcada pela improvisação, ousadia e sensibilidade. Esse estilo inconfundível não apenas rendeu títulos e reconhecimento internacional, como também influenciou profundamente a maneira de jogar em diversos países sul-americanos, que passaram a incorporar elementos da chamada “arte” do futebol brasileiro.

No turfe, o predomínio segue lógica semelhante. Criadores, jóqueis, treinadores e cavalos brasileiros ganharam destaque internacional graças a um trabalho consistente de seleção genética, preparo técnico e sensibilidade na condução dos animais. Assim como no futebol, o sucesso não depende apenas de força ou velocidade, mas de timing, estratégia e da capacidade de interpretar cada corrida em seus mínimos detalhes.

Se no futebol o Brasil dominou a América do Sul em 2025, com o Flamengo conquistando a Libertadores ao derrotar o Palmeiras na decisão, no turfe o cenário não foi diferente. O país voltou a demonstrar sua força com Obataye, campeão do tradicional GP Carlos Pellegrini (G1), disputado na Argentina. Vale destacar também a excelente atuação de Havana Cigar, que obteve a terceira colocação na mesma prova.

Antes disso, Obataye já havia vencido de forma espetacular o GP Latinoamericano (G1), realizado no Brasil, superando adversários argentinos, chilenos, peruanos e nacionais, consolidando sua supremacia no continente.

O Brasil pode ser conhecido mundialmente como o país do futebol, mas também pode ser o país do turfe. O melhor cavalo da América do Sul é brasileiro. João Moreira é um dos melhores jóqueis do mundo. A criação nacional rompe fronteiras e paradigmas de maneira constante. O turfe brasileiro precisa ser mais valorizado, reconhecido e respeitado.

Inegável o fato que o Brasil é um verdadeiro celeiro de craques: seus animais e profissionais brilham nos principais palcos internacionais. Agora, as atenções se voltam para o GP José Pedro Ramírez (G1), marcado para o dia 6 de janeiro, no Hipódromo Nacional de Maroñas, no Uruguai. A torcida brasileira deposita grandes expectativas em Obstacle (FOTO AO LADO), cavalo nacional invicto em território uruguaio e que pode manter o Brasil no topo do turfe sul-americano.

Assim, o predomínio brasileiro no futebol e no turfe não é fruto do acaso. Ele nasce da combinação entre talento natural, tradição, conhecimento acumulado e paixão pelo esporte, elementos que, juntos, consolidam o Brasil como uma potência sul-americana dentro e fora dos campos, pistas e hipódromos.

por Matheus Peres

N.R.: Matheus Peres é jornalista, tem toda uma vida ligada ao turfe – filho do treinador gaúcho, radicado no turfe carioca, Daniel Peres – e terá uma coluna semanal no site do Jockey Club Brasileiro.

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