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Joiosa, uma craque inesquecível

joiosaTreinada por Jorge Morgado, sob a supervisão do mestre João Vieira, Joiosa (acima, em quadro de propriedade do JCB) correu numa época em que não havia a Tríplice Coroa das éguas na Gávea. Era preciso enfrentar os cavalos e ela o fez com bravura, classe e bons resultados.

Entre as fêmeas, a filha de Romney e Princess, por Socorro!,  criada pelo Haras Santa Annita e de propriedade do Stud Rocha Faria, venceu no ano de 1954, os GGPPs Henrique Possolo, Diana e Marciano de Aguiar Moreira (que era o Brasil das éguas e a última prova da chamada temporada internacional do JCB na época).

Joiosa venceu o GP Derby Paulista de 53 (mas, disputado em 6 de janeiro de 1954 em função das festividades do IV Centenário da Cidade de São Paulo e na pista de areia pesada.). Derrotou o excelente Cyro, levantando as tribunas do Hipódromo Paulistano. Na Gávea, por muito pouco não conquistou a coroa. Só sendo superada na primeira prova, o GP Outono, por Retiro, num dia em que seu jóquei, Cândido Moreno, não esteve inspirado. Depois levantou o GP Cruzeiro do Sul, o Derby (única égua, em feito notável e histórico, a ter o doublé de derby carioca e paulista), e o GP Distrito Federal, o St. Leger, montada pelo chileno Emigdio Castilho.

Na década de 50, o domínio do turfe argentino acentuou-se de maneira insofismável. A escalada de 10 triunfos consecutivos no Grande Prêmio Brasil teve início com Carrasco, em 1949, e que só terminaria em 1959, quando Narvik derrotou Atlas, o maior orgulho do turfe portenho daquele momento. Ao estabelecer o recorde mundial da distância dos 3.000 metros, o craque nacional finalmente colocou fim a uma escrita que já incomodava demais os turfistas brasileiros. Um ano depois, Farwell venceria outra vez a maior prova do turfe nacional e com isso resgatou em definitivo a autoestima do nosso turfe.

No meio deste período de seca, houve um capítulo especial em 1954. Naquela tarde de um ensolarado primeiro domingo de agosto, Joiosa, envergando as famosas cores encarnado e preto em listras horizontais de seus proprietários (que eram, por sinal, botafoguenses), quando isso quase foi superado. Mas ela teve pela frente o craque argentino El Aragonés montado pelo fenomenal freio brasileiro, Luis Rigoni. Além da genialidade do piloto, que correu o seu cavalo na última posição, Joiosa a craque brasileira teve o infortúnio de dois competidores sofrerem inesperada queda na sua frente. Quando o ginete chileno Emigdio Castilho conseguiu desviar-se deles com perícia, El Aragonés (já campeão do GGPP Carlos Pellegrini, de 1953, e IV Centenário da Cidade de São Paulo, em 25 de janeiro de 1954), passou engrenado por fora. A extraordinária corredora não teve tempo suficiente para reagir e superá-lo. Aliás, foi um Brasil de alto nível técnico inclusive com a presença do segundo colocado, no final de junho em Longchamp, do famoso Grand Prix de Paris, Yorick, um defensor das sedas azul marinho e boné ouro do Barão de Guy de Rotshchild, quinto voando junto à cerca interna, perto, e para muitos o mais prejudicado de todos os concorrentes.

Neste final de semana, o Jockey Club Brasileiro homenageia, mais uma vez a craque Joiosa, com a realização de uma Prova Especial. Este ano, o páreo reúne sete potrancas de três anos, em 2.000 metros, pista de grama e a carreira serve como preparatória para o GP Rocha Faria (G2):

Nobble Effort (Jorge Olympio Teixeira dos Santos); Menina Veneno (Haras Figueira do Lago); Hanna Gold (Haras Anderson); La Sonata (Stud São Francisco da Serra); Kate Flying (Haras Springfield); High Passion (Haras Santa Maria de Araras); e Mais que Bonita (Stud Eternamente Rio).

Da Redação, com Assessoria da Gerência de Turfe

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