Marcos Araújo Ribas de Faria é um homem dedicado à televisão, ao teatro e a música erudita. Como apaixonado pelo mundo do turfe, acompanhando e analisando as corridas nacionais e estrangeiras, acompanhando a evolução do turfe internacional, Marcos Ribas é contratado pelo Jockey Club Brasileiro como responsável pelo calendário clássico do Jockey Club Brasileiro e consultor da Comissão de Corridas. Na verdade, ele é acionado como consultor menos vezes do que é necessário, e à sua falta ocorrem eventualmente equívocos que não deveriam existir.
No momento, com as profundas modificações pelas quais passa o turfe carioca, em função, principalmente, da transferência do G.P. Brasil do primeiro semestre hípico para o início do segundo, com isso alterando a chamada do páreo de “4 e mais anos” para “3 de mais anos” e, ainda, a antecipação do segundo semestre hípico para o primeiro das tríplices–coroas cariocas. E, ainda mais, com a eventual fusão das Tríplices Coroas do Jockey Club Brasileiro com a do Jockey Club de São Paulo, é Marcos Ribas de uma importância fundamental. No Rio há, naturalmente, mais uns poucos que realmente pode-se dizer que também entendem desse aspecto técnico, mas Marcos Ribas é destaque, inclusive no plano nacional, embora em São Paulo haja outros nomes muito importantes no setor.
Em função desse momento especial do turfe brasileiro, que passa a ter influências internacionais, com a novidade para o Brasil da consideração dos “rankings”, do real desejo de um profundo respeito às tradições regionais, mas se permitir que elas atravanquem a evolução do turfe brasileiro, com a atualização das tabelas I e II dos pesos, isto é, em função da necessidade da aceitação da modernidade, cabe a Marcos Ribas uma responsabilidade gigantesca, que vai dos conhecimentos teóricos à prática.
Em sua entrevista, Marcos Ribas frizou da importância internacional do G.P. Brasil passar a abrigar os “3 e mais anos”, de acordo com o que acontece nos principais páreos do mundo. Como meros exemplos, entre muitos outros, o Arco do Triunfo e a Hong Kong Cup, e a supressão de tríplices coroas regionais para uma tríplice coroa nacional, única e realmente representativa no âmbito internacional.
Esses foram os pontos mais importantes da entrevista dada pelo hipólogo Marcos Ribas. No meu entender, já com os calendários clássicos de 2014 de domínio público, resta analisar-se o que deverá ou deveria ser fixado para 2015. Importantíssimo por se tratar, em princípio, do definitivo. No meu entender pessoal, há algumas oportunidades internacionais que devem ser levadas em conta, por exemplo, o Pellegrini em dezembro e o 25 de Mayo, ambos na Argentina, e o Ramirez em janeiro, no Uruguai. Para correr o Ramirez os problemas são de ordem burocrática, pois o turfe uruguaio se protege da ida de animais de outros países de forma absolutamente inconsequente. Fechou-se em lugar de dar entrada a turfes que só podem a médio e a longo prazo, melhorarem as corridas e a criação uruguaia, que hoje, infelizmente, está em último na escala de valores sul-americanos, atrás do Brasil, do Chile, da Argentina e do Peru, e fechar-se é uma forma de manter-se em desagradável último lugar.
Não custa lembrar que, quando do Ramires de 2013, os cavalos argentinos ficaram presos nos caminhões por 14 horas, vítimas de uma burocracia protecionista. Ir ao Pellegrini já é rotina para os cavalos brasileiros. Por isso, para dar oportunidade aos melhores 3 anos, a futura tríplice coroa nacional tem que terminar em novembro (as atuais datas de São Paulo são as melhores e mais adequadas, não cedo demais, julho e/ou agosto, e permitindo que os melhores 3 anos possam ir ao Pellegrini em dezembro.
Quanto ao G.P. São Paulo e o G.P. Brasil quer me parecer que, deveria ser respeitado o Argentino 25 de Mayo, boa época para a ida de animais brasileiros, como foi em 1960. Como o Rio de Janeiro tem clima mais quente que São Paulo, parece-me lógico que o G.P. São Paulo deveria ser antecipado em definitivo para fins de abril, no máximo no primeiro domingo de maio, e o G.P. Brasil ser fixado no último domingo de junho. É uma questão de bom senso, o que tem prevalecido nos acertos entre os atuais Presidentes dos Jockeys Clubs do Rio Grande do Sul, de São Paulo e do Brasileiro, respectivamente, Vecchio, Eduardo e Palermo, que estão dignificando os seus mandatos, com compreensão, competência e trabalho.
