Rankings e calendário clássico, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Rankings e calendário clássico, por Milton Lodi

1.      No dia 13 de novembro de 2013 houve uma importante reunião da OSAF, na Argentina, com a participação de cinco países: Argentina, Brasil, Chile, Peru e Uruguai, representados por seus Handicapers e com a também presença de autoridades e representante da FIAH – Federação Internacional das Autoridades Hípicas. A OSAF foi representada pelo seu presidente, e o Brasil por Ricardo Ravagnani, o principal funcionário da Associação Brasileira, conhecedor do assunto. 

O próximo encontro dar-se-á quando do Pellegrini. No final do ano todos os Handicapers do mundo deverão reunir-se em Hong Kong (China), quando serão definidos os rankings da temperada de 2013. Pela primeira vez na história, o representante do Brasil terá voz e voto na reunião de Hong Kong. A importância desse detalhe está no fato de que, até então, o ranking brasileiro era apresentado pelo Comitê Executivo da OSAF. Assim o Brasil cresce em importância no cenário turfístico internacional, em função dos bons resultados dos cavalos brasileiros dentro e fora do país, e um bom trabalho técnico e promocional da Associação Brasileira. O turfe brasileiro está seguindo em frente.

2.      Nem todos os turfistas estão familiarizados com o que se chama ranking. Em palavras bem simples, é um handicap teórico anual em função das performances em cada ano. No Brasil, Samir Abujamra por São Paulo e Vicente Britto pelo Rio preparam a relação brasileira, e cabe a Ricardo Ravagnani, em nome da Associação Brasileira, apresentar e defender o trabalho em reuniões da OSAF, núcleo América do Sul, e das reuniões em Paris e em Hong Kong. 

A importância do ranking é que a distribuição dos teóricos pesos não se limita às qualidades das provas vencidas, mas às qualidades demonstradas pelo corredor (como mero exemplo, um ganhador de Grupo I pode ser entendido como pior do que outro que ganhou prova ou provas menores graduadas ou até sem graduação, o que importa é a qualidade demonstrada nas pistas).  

É fundamental para os criadores o padrão do ranking dos garanhões e das éguas eventualmente ranqueados, pois é um índice de qualidade a ser respeitado. A relação final do termino de cada ano-calendário é publicada a relação mundial em termos de qualidades, em libras, na relação uma libra igual a 0,45kg. 

Inicialmente, os ingleses estabeleciam os rankings e, naturalmente, como sempre fizeram em defesa de seu mercado, estabeleceram pesos não entendidos diferentes das realidades. Por exemplo, o cavalo italiano Ribot, invicto em quinze corridas na Europa, entre suas vitórias, por duas vezes vencedor do Prix de l’Arc de Triomphe, tem a sua frente três ou quatro corredores ingleses, um absurdo aos olhos dos turfistas não ingleses. 

Mas hoje são trinta e dois países, os turfisticamente melhores do mundo, que participam desse sistema de ranking. Entre os trinta e dois devem ser citados Inglaterra, Irlanda, França, Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Itália, Japão, Nova Zelândia, Malásia, Emirados Árabes Unidos, Cingapura, Hong Kong e Escandinávia, todos os ligados à OSAF, África do Sul, Canadá e Turquia. 

A partir do I Encontro de Handicapers em 2010, todos os países ligados à OSAF aderiram. Já se realizaram dez encontros desde então, o Brasil esteve presente em todos, e a partir de 2012, como votante. Na próxima reunião em Hong Kong, todos os países ligados à OSAF terão direito a voto, menos o Uruguai, pois tendo o turfe de lá ficado sem corridas por cerca de sete anos, todas as provas de grupo foram reduzidas internacionalmente, a simples clássicos. Com a intensificação de suas atividades, e contando com o apoio governamental, o Uruguai continua correndo os seus internacionalmente clássicos como regionalmente Grandes Prêmios, e luta para que um dia volte o turfe uruguaio a merecer melhor classificação internacional. 

Para manter uma prova de Grupo ou para tentar que ela melhore de graduação, basicamente é levada em consideração a média dos rankings dos quatro primeiros colocados na prova nos últimos três anos de realização. Esse critério já é utilizado nos países do bloco europeu e também com o asiático e, ainda a Austrália, a Nova Zelândia e a África do Sul. 

Como o Brasil nunca cuidou desses critérios, o risco de um substancial rebaixamento de provas ficou iminente. Há rebaixamentos indiscutíveis, como por exemplo, o do Grande Prêmio Paraná, há muitos anos com paupérrima qualidade dos inscritos, e com um turfe já difícil de piorar tal o péssimo padrão técnico de suas corridas. Penso que, no máximo, o G.P. Paraná chegaria a Clássico (Prova Listada), quem sabe até como Prova Especial. No Paraná há um desastre técnico. Esse negócio de rebaixamentos é corriqueiro no turfe civilizado, provas de Grupo são alçadas ou rebaixadas de acordo com o programa técnico que apresentam a cada conjunto de três anos. 

O presente item 2 desse artigo, que é evidentemente tirado de uma entrevista de Ricardo Ravagnani, que como representante da Associação Brasileira, na questão dos rankings e nos contatos internacionais tem se mostrado muito bem, com dedicação e competência. Mas a entrevista alongou-se, deixou o assunto ranking e passou a considerações sobre Calendários Clássicos, isto é, sobre o Calendário Clássico do Jockey Club Brasileiro. Tendo os dos anos de 2014 e 2015 para as devidas alterações em função de um Calendário Clássico em princípio definitivo e técnico, enquadrado nos ditames internacionais.

Ai a palavra do ilustre representante da Associação Brasileira ainda é importante, deve ser levada em conta. Mas é outro assunto, onde brilham mais os hipólogos Samir Abujamra e Marcos Araujo Ribas de Faria. Marcos Ribas, no setor mundial e carioca, é o maior expert no assunto, e dele devem fluir a orientações técnicas. Em que pese terem todas as observações que são ouvidas e levadas em consideração nesse novo assunto, à palavra final tem que ser daquele que mais entende, Marcos Ribas.

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