O turfe brasileiro segue em frente, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

O turfe brasileiro segue em frente, por Milton Lodi

Nos primeiros dias de outubro de 2013, veio a público o resultado de reunião histórica, realizada no Rio, como consequência de reuniões preliminares. Com a presença da Associação Brasileira, do Jockey Club Brasileiro e do Jockey Club de São Paulo, através dos categorizados representantes, foi dado um gigantesco passo do turfe brasileiro, no sentido de integração no mundo turfístico civilizado.

            A integração dos interesses regionais, unificados pela vontade de resolver em conjunto todos os óbices, foi um fato memorável, pois o plano aprovado por unanimidade é rigorosamente factível, partindo de premissas reais. Antes de qualquer coisa, foram aprovadas tabelas de pesos nacionais, com isso, a partir de 1º de janeiro de 2014, encerrando em definitivo a prática de tabelas regionais de pesos. Assim, a partir da citada sem o turfe brasileiro será tecnicamente um só, e acordado com a comunidade internacional turfística.

            A complexidade de remanejamento de datas, dentro da linha de fazer os três anos correr no segundo semestre (tríplices-coroas), e os confrontos dos três anos com os de quatro e mais no primeiro semestre do ano (G.P. Brasil, por exemplo). A realização no Rio de Janeiro da Copa Mundial de Futebol de 12 de junho a 13 de julho de 2014, a expressa vontade de não delongar mais o problema. A grande revolução técnica no calendário clássico da Gávea (o de São Paulo sempre se programou dentro do esquema internacional civilizado), e ainda estudos visando à possibilidade de uma tríplice-coroa nacional para produtos e, embora não haja internacionalmente uma de fêmeas, uma tríplice-coroa nacional feminina.

            Não havendo mais tempo para esperar, ficou decidido que o G.P. Brasil de 2014 será realizado, em caráter de urgência, em 08 de junho de 2014, inclusive, atendendo ao interesse do turfe carioca e a solicitação da FIFA, organização maior do futebol internacional, ficando em 2014 o caso das tríplices coroas, ainda no primeiro semestre, e dando tempo para que seja o assunto tríplice-cora, para ser decido para efetivação em 2015. Para adiantar o assunto das tríplices-coroas regionais, que devem ou deveriam dar lugar às nacionais, passando de quatro eventos regionais para dois nacionais. Há que se respeitar ao máximo, dentro do possível, as tradições regionais, sem ufanismos.

            Com os dois clubes, Jockey Club Brasileiro e Jockey Club de São Paulo, no mesmo patamar poder-se-iam desde logo alvitrar três hipóteses. A primeira, na sequência de 1.600, 2.000. 2.400 metros, a de produtos poderia ser São Paulo, São Paulo e Rio, e as das fêmeas, Rio, São Paulo e Rio. Nessa hipótese, as duas provas em 2.400 metros seriam no Rio, respeitada a necessidade prática das duas provas de 2.000 metros serem em Cidade Jardim, em lugar da péssima seta de partidas na Gávea. A segunda hipótese seria as duas milhas no Rio, as duas em 2.000, em São Paulo, e a duas de 2.400, uma no Rio e a outra em São Paulo. Na neutra análise do valor técnico e promocional não há a menor dúvida quanto ao fato da importância maior do Derby Paulista, com todos os aspectos muito mais significativo que o Derby Carioca. Assim, parece-me um ano de justiça, admitir-se a melhor solução – produtos, 1.600 no Rio , 2.000 em São Paulo, 2.400 no Rio. Apenas como simples sugestão, os nomes poderiam ser Corcovado, Bandeirantes e Derby Brasil – fêmeas: Pão de Açúcar, Guanabara e Cruzeiro do Sul. Podem e devem até haver nomes mais adequados e/ou preferíveis, mas os sugeridos estão dentro da linha de não dar nomes de pessoas e atribuir nomes tradicionais e/ou neutros.

            Contra a ideia de regionalismos exacerbados, podem ser citados dois exemplos, no Chile, há dois importantes clubes promotores de corridas em Santiago, um (Club Hípico de Santiago) promove a milha e outro (Hipódromo Chile) a terceira. O Derby lá é corrido em um terceiro Hipódromo, menos importante, no Estado de Valparaiso, na cidade de Viña Del Mar, cidade turística de praia distante de Santiago cerca de uma hora de automóvel (representaria Petrópolis para o Rio de Janeiro e Santos para São Paulo). Na Argentina, os Hipódromos de Palermo e de San Isidro têm as suas tríplices-coroas de produtos. A de Palermo tendo o Derby Argentino em 2.500 na areia, e em San Isidro não há Derby, ele é representado, pelo G.P. Carlos Pellegrini. São apenas dois exemplos, que dizem da importância regional dada ao problema.

            Voltando à acomodação de datas em 2014, como G.P. Brasil saindo do primeiro domingo de agosto para 08 de junho, o G.P. São Paulo, habitualmente disputado na terceira semana de maio, será antecipado para 27 de abril. Essa programação artística, de tampão, será em 2015 com o G.P Brasil em 12 de abril e o G.P.São Paulo em 17 de maio, épocas em que deverão se fixar. Em linhas gerais foram essas as importantes e corretas deliberações publicadas, e que farão o turfe brasileiro ficar mais inserido no contexto do turfe civilizado moderno.

            Há detalhes que vão ocorrer em 2014/2015, épocas de remanejamentos e adequações. Por exemplo, no caso das Tríplices-Coroas, São Paulo, que está e sempre esteve na época certa, isto é, no segundo semestre calendário, não sofrerá modificações. Mas o Rio terá em 2014 as suas tríplices-coroas no segundo semestre hípico (janeiro/junho, para a geração 2010). Em 2015 também no segundo semestre hípico para a geração 2011 e a geração 2012 ficando em definitivo, e a partir daí no período julho/dezembro (primeiro semestre hípico). Será uma transição que só se normalizará em 2016.

            Voltando ao assunto inicial do presente texto, o referente aos pesos, há que se destacar o bom senso do equilíbrio na distribuição e na novidade da introdução do meio quilo. É curioso como em todos os clubes promotores do mundo turfístico civilizado é dada uma grande importância até por meio quilo. Enquanto no Brasil acrescenta-se até mais dois quilos em relação aos pesos dos programas com a tranquila aquiescência dos proprietários e dos treinadores. Só para ter uma ideia da diferença de entendimentos, deve ser lembrado o fato ocorrido há pouco tempo na Inglaterra, com relação a um grande corredor clássico. O seu jóquei habitual só fazia 56 quilos, e como o peso a ele atribuído foi de 55 quilos e meio, o treinador solicitou que o peso fosse aumentado em meio quilo, assim permitindo que o jóquei preferencial montasse, pois 55 quilos e meio é diferente de 56, e o peso atribuído era de 55 quilos e meio. A resposta foi negativa, o meio quilo poderia alterar um resultado justo. Imagina-se isso no Brasil, quando mais dois quilos são normalmente tolerados.

            Quando à ordenação das localidades das práticas de duas tríplices-coroas nacionais de produtos e fêmeas, seria uma questão de bom senso, os dois Clubes irmãos, apenas competidores com elegância e respeito mútuo, há uma multiplicidade de formas, até mesmo abrandando a obrigatoriedade das duas provas ou 2.000 metros serem em Cidade Jardim.

            O bom entendimento e a possível cessão devem e têm que se sobrepor a interesses regionais, pois o turfe brasileiro está às portas de ingressar no mundo turfístico civilizado, e necessita da boa vontade e da compreensão de todos.

            O turfe brasileiro tem que seguir em frente. E a comunidade turfística nacional aguarda tríplices-coroas nacionais nos calendários clássicos de 2016.

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