A jornada de nove páreos de domingo, 07 de junho tem tudo para ser inesquecível. Além da 137ª edição do Grande Prêmio Cruzeiro do Sul – Derby Brasileiro (G1) a de nº 88 no prado carioca, Terceira Etapa da Tríplice Coroa de Produtos, o Grande Prêmio Zélia Gonzaga Peixoto de Castro (G1), em 2.400 metros, grama, pode marcar para sempre a potranca Mais Que Bonita (Stud Eternamente Rio) como a sexta fêmea Tríplice Coroada no Hipódromo da Gávea.
A homenagem anual do Jockey Club Brasileiro a uma das maiores apaixonadas pelo Esporte dos Reis de todos os tempos, tem a chance de, pela terceira vez, consagrar uma Tríplice Coroada.
Desde 2004 como a fase decisiva da Tríplice Coroa de Potrancas, vencer o “Zélia” já deu a eternidade para Love Tune ( Haras Internacional – 2012) e No Regrets ( Haras Doce Vale – 2017), respectivamente, quarta e quinta coroadas no maior palco de turfe no país.
Em 2020, Mais Que Bonita, de criação e propriedade do Stud Eternamente Rio, uma filha de Agnes Gold e Feia Que Dói, por Scat Daddy venceu o GP Henrique Possolo (G1) em fevereiro, o GP Diana (G1), em março e, conquistando o “Zélia”, coloca seu nome ao lado de Indian Chris (Fazenda Mondesir – 1991); Virginie (1998) e Be Fair (2000), além das supracitadas Love Tune e No Regrets, como a mais nova Tríplice Coroada no Hipódromo Brasileiro.
Preparada no Centro de Treinamento Vale do Marmelo, pelo multiconsagrado Luiz Esteves, atual campeão da estatística de treinadores e tricampeão do GP Brasil, Mais Que Bonita contará com a direção de Henderson Fernandes, que atravessa fase excelente e foi um dos fatores determinantes nas vitórias da potranca nas fases anteriores. Apesar da parada das atividades em virtude do Covid-19, Esteves informa que Mais Que Bonita está tinindo, tem ótimos matinais e os 400 metros a mais no percurso não serão empecilho para a importante conquista.
Um dos maiores obstáculos de Mais Que Bonita é Helquis (V.Gil/ C.Oliveira/ Haras Santa Maria de Araras), que fracassou no “Possolo” e mostrou progressos absurdos no “Diana”, perdendo por mínima diferença para a poderosa rival. Uma das poucas do campo que atuou após o retorno das atividades turfísticas, Helquis obteve ótimo terceiro em pesos especiais misturada com os machos, batida apenas por Hummer e Abu Dhabi, dois nomes de realce no Derby Brasileiro.
Tanganyka (B.Queiroz/C.Morgado Neto/ Carlos dos Santos) finalizou em segundo e terceiro nas primeiras etapas e segue como rival temível. Potranca que sofreu com problema de exaustão na campanha, graças ao trabalho de sua equipe, na última não apresentou ocorrência veterinária, cumprindo belíssima performance.
Garrucha Lerap (L.Henrique/ L.Esteves/ Haras Nijú) aprovou o aumento de distância e arrematou com ação no “Diana”. Quick’N Easy (W.S.Cardoso/I.C.Souza/ Haras Doce Vale) é tida em alta conta por seu staff desde as primeiras saídas, já liderou a geração e vai ao páreo com alta chance e bons trabalhos no Vale do Itajara.
A menos corrida do lote, Olympic Dust (W.Xavier/R.Solanés/ Haras Regina) vem de enfrentar as mais velhas, passar na frente, mas acabar desclassificada em favor de Greece, nos dois quilômetros do GP Riboletta (G3). Competidora de realce. Menina Veneno (W.Blandi/ D.Guignoni/ Haras Figueira do Lago) é corredora e surge como concorrente perigosa, não devendo ficar de fora dos estudos.
Chegando de Cidade Jardim, Nefertite (Jeane Alves/T.Haidar/ Neverending Stud) tem a vantagem de conhecer a milha e meia (a única do campo), vindo de segundo no percurso, encarando competidoras bem mais experimentadas no GP José Paulino Nogueira (G3), em sua primeira incursão na esfera nobre.
As duas sem vitórias do campo são North Bound (C.Lavor/C.Morgado Neto/ Stud Red Rafa) e Tactical Speed (A.Paiva/ I.C.Souza/ Stud Best Friends). North Bound largou com atraso no “Diana”, não chegou tão afastada das primeiras e pode surpreender as mais cotadas. Tactical Speed tem aceitado bem o aumento no percurso e vai ao páreo como rateio elevado.
por Fernando Lopes – fotos: Sylvio Rondinelli


