RELATÓRIO
Assembleia Geral e 53ª Conferência da
Federação Internacional das Autoridades Hípicas (FIAH)
Ilmo. Sr.
Dr. Luiz Alfredo A. d’Escragnole Taunay
DD Presidente do
Jockey Club Brasileiro
Senhor Presidente,
Encaminho para conhecimento e apreciação de V.Sa. o relatório da Assembleia Geral e 53ª Conferência da FIAH realizada em Paris, França, nas dependências da France Galop, segunda-feira, 7 de outubro, um dia após o meeting do Prix de l’Arc du Triomphe.
Nesta oportunidade, agradeço a honra da indicação para representar o Jockey Club Brasileiro no citado evento, e me coloco, desde já, à disposição de V.Sa. para eventualmente esclarecer algum detalhe dos tópicos adiante resumidos.
A FIAH
A Federação Internacional das Autoridades Hípicas (FIAH) tem sede em Paris, França, desde o início do século XX, e hoje reúne 56 países membros, entre os quais o Brasil, ora representado pelo Jockey Club Brasileiro.
Aos países membros em questão, juntam-se, por ocasião do conclave, três entidades promotoras de corridas na qualidade de observadores (a Federação Russa, Madagascar, e as chamadas Ilhas do Canal, com sede em Jersey).
Além disso, estão presentes na Conferência outras 28 instituições, convidadas por sua importância na condução dos vários aspectos técnicos da indústria internacional do cavalo de corridas, elevando para 88 o total de entidades participantes.
Como soe acontecer na ocasião, somam-se a esse contingente os profissionais da mídia especializada da França, Inglaterra, Irlanda, Japão, Argentina e EUA, representando veículos internacionais de difusão do turfe, a saber: Equidia TV (PMU), Paris Turf, Jour de Galop, Racing Post, The Irish Field, YUSHUN – Japan Racing Public Relations, jornal La Nación (Argentina), o Throughbred Daily News e o The US Jockey Club.
A Conferência se realiza em tempo integral, começando às 09:30 hs e terminando às 16:30hs, com 60 minutos de intervalo para almoço, que é realizado nas próprias dependências da France Galop.
Pauta dos assuntos de 2019
Neste ano, foram debatidos oito assuntos relativos ao turfe internacional como um todo, a saber:
(i) Relatório das conclusões sobre o novo projeto de governança da FIAH, a partir de 2020; (ii) Relatório das decisões tomadas pelo 23º Congresso Internacional de Analistas de Corridas (Handicappers) e Médicos Veterinários, em Hong-Kong; (iii) Análise do atual estágio de desenvolvimento do turfe internacional; (iv) Apresentação preliminar da 38ª Conferência da Ásia, a ser realizada em Cape Town, África do Sul; (v) Idem, da nova Saudi Cup, a ser realizada proximamente na Arábia Saudita; (vi) Painel sobre “A Saúde Animal e a Nova Percepção do Público sobre as Corridas de Cavalo no Mundo”; (vii) Definição da expressão equine welfare, face à evolução da sociedade internacional nos últimos 20 anos; (viii) Como a indústria internacional do cavalo de corrida está se adequando à percepção do público em geral, e quais as medidas que a FIAH provavelmente terá que tomar para conformar-se aos novos padrões de conduta de uma sociedade em permanente evolução.
II
Antes de abordar os temas acima, o que faremos mais adiante, parece razoável mencionar outros aspectos igualmente importantes ocorridos ao longo do fim de semana do meeting do Prix de l’Arc de 2019. Como se segue.
O MGA do domingo, dia 6 de outubro
Nas 8 provas disputadas no domingo, dia 6 de outubro, no novo hipódromo ParisLongchamp, foram jogados um total geral de Euros 75 milhões (cerca de R$ 315 milhões), distribuídos da seguinte forma:
(a) Euros 30 milhões (ou R$ 126 milhões) entraram na pedra francesa de Longchamp (média de R$ 15,75 milhões por páreo). Deste total, 9 milhões de Euros vieram diretamente de Hong-Kong em sistema de “commingly”, ou pedra única.
(b) Os outros Euros 45 milhões (ou R$ 189 milhões, ou R$ 23,62 milhões por páreo) têm como origem o Japão sob a forma de “separated pool”, ou pedra em separado, sobre os quais o PMU tem direito a uma porcentagem sobre o valor apostado pelos japoneses nas imagens francesas das 8 corridas de domingo.
(c) Deve ser mencionado que este ano havia três cavalos japoneses disputando o Prix de l’Arc, além do fato de Enable estar tentando um inédito tricampeonato da prova. Ainda assim, os números do MGA de domingo, dia 6, se revelaram acima das expectativas em termos internacionais.
As provas do domingo
No domingo do Prix de l’Arc foram corridos seis Grupos I da programação clássica francesa destinados aos PSI’s e um Grupo I PA de cavalos árabes. Dois deles, foram patrocinados pela Longines: o Prix de L’Opera, 2.000 metros, para potrancas de 3 anos e mais idade, (considerado o “Arco do Triunfo das fêmeas”) e o Prix de L’Abbaye de Longchamp (1.000 metros, em linha reta, destinado aos melhores velocistas do continente europeu).
Dois dos demais Grupos I também tiveram patrocínio: o próprio Prix de l’Arc du Triomphe (2.400 metros, grande piste, para produtos inteiros de 3 anos e mais idade, com bolsa de Euros 5 milhões); e o Qatar Arabian Gold Cup (2.000 metros, destinada aos cavalos árabes, com 1 milhão de Euros de bolsa).
Finalmente, a última prova do programa deste ano foi dedicada também aos sprinters (animais de velocidade pura, de 1.000 a 1.400 metros), reunidos em um Handicap, cuja chamada incluía produtos inteiros e castrados de 3 anos e mais idade, com pesos variando entre 51 e 61,5 quilos, patrocinado pela RMC – Info Talk Sport.
A origem dos cavalos do Prix de l’Arc du Triomphe
Dos 12 concorrentes ao Prix de l’Arc, sete deles portavam o sangue de Galileo em seu pedigree. E foram eles que estiveram nos cinco primeiros lugares da prova. Aliás, os quatro últimos “Arcos” foram ganhos por animais Galileo, dois por filhos dele (Waldgeist e Found), e dois por um de seus filhos (Nathaniel, no caso de Enable).
Por extensão, deve ser notado que 8 dos 10 últimos vencedores da prova portam o sangue Sadler’s Wells, pai de Galileo, considerado o maior vetor de tenue clássica do turfe europeu. Hoje em dia, talvez do turfe mundial.
Ao contrário, é a primeira vez que o alemão Monsum aparece como avô-materno de um ganhador do “Arco.” Waldgeist é um membro da família 5 – a mesma do alemão Star Appeal, vencedor em 1975. E os dois carregam em sua linha materna um aporte significativo de sangue da criação alemã, através de Ticino e Alchmist.
O mesmo, aliás, para Galileo, cuja linha materna é essencialmente germânica, via Allegretta (Lombard e Anatevka), considerada uma das maiores reprodutoras da recente história do Stud Book Internacional.
Para um país como a Alemanha, que cria cerca de 800 produtos por ano, a qualidade de suas mães é uma evidência nada menos que notável.
Em resumo, o turfe europeu de elite desse primeiro quarto do século XXI, aquele disputado no percurso clássico da milha e meia, pista de grama, continua ancorado na primazia da repetição de cruzamentos sobre a linhagem Northern Dancer. Até que se demonstre o contrário – ou a natureza resolva colocar um basta nesta predominância genética – estar do outro lado da colina é remar contra a maré dos fatos.
Nada de novo. Na tricentenária história das linhas paternas do thoroughbred, no princípio foi Eclipse (responsável por mais de 80% dos ganhadores clássicos de seu tempo). A ele, no último quarto do século XIX, sucedeu-se St. Simon. Até que, em meados do século XX, um genial criador italiano resolveu tentar reconstruir St. Simon e chegou ao equilibradíssimo e invicto Nearco (responsável por mais de 55% dos ganhadores clássicos de nossos dias). E de Nearco, se chega a Northern Dancer, o arquétipo moderno das três excelsas virtudes do cavalo de corrida: músculo, mental, e will to win (vontade de vencer).
As duas primeiras são essencialmente genéticas. A terceira pertence ao campo das chamadas “virtudes morais” do cavalo de corrida.
Números da criação mundial
O relatório do International Book Committee (uma divisão do International Stud Book, gerenciado pelo Weatherby’s inglês) apresentou os últimos números da criação mundial.
Deles, se extrai que, em 2018, havia 6.634 reprodutores da raça puro sangue inglês de corrida nos 71 países onde existe um turfe organizado e regulamentado. E 139.111 éguas-mães foram cobertas em 2018.
Pela ordem de nascimentos, os cinco maiores criadores de cavalos de corrida do mundo em 2018 foram: os EUA (18.033 produtos), a Austrália (12.963 produtos), a Irlanda (9.569), a Argentina (7.136) e o Japão (7.036). No total, nasceram 88.441 produtos em 2018, contra 93.962 em 2017. Apenas como curiosidade, na lista dos 10 principais criadores estão a França (5.521 produtos), a Inglaterra (4.826) e a Nova Zelândia (3.161).
O Brasil aparece nas estatísticas de 2018 com 1.735 nascimentos (praticamente o mesmo número de 2016, que foi de 1.734 produtos). Estas cifras, porém, são inferiores às da Turquia (1.924 produtos, onde, ao contrário do que se possa imaginar, existe um turfe desenvolvido), e às do Chile (1.769 produtos). O Uruguai registrou 1.566 nascimentos em 2018 (queda acentuada, diante dos 1.745 nascimentos de 2017).
III
Voltamos aos principais temas da Conferência da FIAH. Na sessão da manhã do dia 7, um dos mais interessantes foi o extenso debate analisando o projeto de nova formatação da FIAH. Por outras palavras, até aqui, e desde a sua criação, a Federação Internacional teve poderes e funções de coordenação e aconselhamento.
A partir de 2.020, porém, a proposta – que teve 93,6% de aprovação da Assembleia da Federação Internacional – sugere que, em alguns aspectos técnicos da atividade, tais poderes passem a ser normativos.
E eles, em essência, se referem, pela ordem: à graduação da programação clássica internacional (Grupos I, II, III e “Listed Races”); à classificação internacional dos laboratórios que se dedicam ao controle de dopagem; como consequência disso, às práticas que preveem a realização obrigatória de exames antidoping periódicos, mesmo no caso do animal não estar inscrito para correr (em especial, no caso dos anabolizantes).
Em resumo, com a crescente internacionalização da indústria do cavalo de corridas e sua expressão econômica em vários países do hemisfério norte, inclusive como gerador de milhares de empregos (casos dos EUA, Ásia e Oceania e, ainda, dos principais PIB’s europeus), aos poucos, a FIAH tende progressivamente a assumir outros papéis em termos da governança corporativa do turfe mundial.
Diante desse panorama, parece lícito admitir que o turfe brasileiro não deva se manter alheio à maré dos novos tempos, sob pena de um dia ver-se à margem das práticas vigentes na indústria.
“Desenvolvimento do turfe internacional”
O painel em exame teve a presença de conhecidos profissionais da atividade, a saber:
John GOSDEN, treinador inglês do Clarehaven Stud, Newmarket, por acaso, o mesmo de Enable; Criquette HEAD, do tradicional Haras de Quesnay, treinadora, entre outros, de Trêve, bicampeão do “Arco”; Yoshitake HASHIDA, principal assistente de Mitsuru Hashida, do Japão; e Ezequiel VALLE, do igualmente tradicional Haras Firmamento, Argentina.
Em conclusão, diante da aceleração das mudanças do comportamento social em vários segmentos da sociedade moderna, o esporte das corridas de cavalo passa necessariamente pela adoção de novos conceitos, tais como:
(i) Uma maior abertura da visitação do público às vilas hípicas dos hipódromos e aos centros de treinamento privados, principalmente na semana dos grandes eventos do turfe.
(ii) Por outras palavras, parece fundamental proporcionar ao público amante dos cavalos e das corridas de cavalo um contato mais direto com a atividade. A conclusão é de que não mais se justifica, nem tampouco faz sentido, manter este público – principalmente o mais jovem – afastado dos bastidores do turfe. Sob este aspecto, deve ser dito, que a prática de programar visitas públicas às cocheiras já se tornou comum em praticamente todas as grandes coudelarias e treinadores do turfe europeu.
(iii) Ter presente o conceito de que as corridas de cavalo de há muito deixaram de ser um espetáculo “solteiro”, ou seja, o único a ter lugar em determinado dia.
(iv) Isso implica que na data do evento, o hipódromo esteja aberto e receptivo a outras formas de lazer e divertimento próprios da sociedade moderna, principalmente no que respeita a três tipos de público: o jovem, o público infantil e o feminino.
(v) Tal atitude parte do pressuposto de que o turfe – e isso desde tempos imemoriais – constitui uma parte indissolúvel da chamada indústria de entretenimento do mundo, e é exatamente desta forma que ele tem que ser modernamente entendido.
(vi) Assim, a concomitância no mesmo espaço dos hipódromos, não só de um público amante dos cavalos, mas também o de outros eventos sociais, torna-se mandatória, caso o turfe pretenda e aspire atrair a juventude para o seu ambiente.
(vii) No mesmo sentido, a “sindicalização da propriedade” do cavalo de corrida – como já ocorre em alguns países do hemisfério norte, onde os animais são detidos por grupos de 30 ou mais pessoas, que podem livremente negociar suas cotas – deve ser uma das metas de qualquer sociedade promotora de corridas.
(viii) O pressuposto aqui é o da redução dos custos mensais de manutenção do animal, sem perda do prazer de se deter algo exclusivo e único como um cavalo de corrida.
(ix) Finalmente, é razoável ter em mente que o espetáculo das corridas de cavalo – como qualquer outro do mundo moderno – tem um preço a ser pago por quem pretenda assisti-lo ao vivo.
(x) Por menor ou praticamente simbólico que seja este preço, sua existência colabora para afastar, de saída, a possibilidade da vulgarização do evento, tão bem expressa na frase inglesa: “Se você quer matar um espetáculo, diga que o acesso a ele é grátis para todo e qualquer tipo de público…” Por outras palavras, na versão original, “sell it for free.”
Em termos gerais, foram essas as conclusões do painel em questão.
“O que se entende por “bem-estar animal” e de como este conceito vem evoluindo nos últimos 20 anos”
Dos mais importantes, porque hoje envolve temas hipersensíveis à sociedade moderna – como o tratamento civilizado que deve ser dado aos animais – o tema abordou, pela ordem: o uso de medicação proibida no esporte; idem, do chicote, como forma de punir, ao invés de simplesmente dirigir e incentivar, e vários outros tipos de processos relativos a cuidados com a vacinação periódica dos animais, sua alimentação, as condições de hospedagem e de transporte dos cavalos de corrida.
Certamente, trata-se de um conjunto de preocupações que, à primeira vista, pode parecer excessivo diante dos males humanos, mas que hoje em dia deixou de ser.
E deixou, pelo simples fato de que nas sociedades modernas o ativismo a respeito tende a impregnar a consciência do público em relação a esportes que usem animais, caso específico do turfe. A tal ponto e com tal intensidade, que isso tende a convencer a juventude a não mais frequentar esses ambientes.
Com o intuito de não nos alongarmos desnecessariamente, tentaremos resumir a essência das conclusões do painel em questão que contou com a presença dos seguintes debatedores:
Dr. Rick ARTHUR, PhD, diretor do Centro Médico Equino, do Conselho de Administração da California Racing Board, USA; Dr. Brian STEWART, idem, chefe do Departamento de Veterinária e Política de Biosegurança, do Jockey Club de Hong-Kong, China; Dr. Paul-Marie GADOT, idem, chefe do Departamento de Controle da France Galop e Consultor Técnico da FIAH.
Medicação proibida
Comecemos com o uso de medicação proibida. Este é, reconhecidamente, um dos temas mais sensíveis à consciência do público, principalmente sob os aspectos das substâncias que tendem a aliviar ou impedir a dor durante a disputa das pistas, algo que na maioria das sociedades promotoras de corridas do hemisfério norte está descartada de plano. E daí, passamos ao uso do chicote, que merece outro subtítulo especial.
O uso do chicote
Na equitação em alta velocidade – leia-se, as corridas de cavalo – o chicote tem duas funções específicas: ajudar na condução dos animais e incentiva-los a reagir quando sobre pressão. Além disso, todo o resto passa a ser abusivo.
Inclusive, por ocasião do painel foram exibidas fotos – algumas impressionantes – dos efeitos deletérios provocados pelo instrumento no corpo dos indivíduos, rasgando o couro e, em alguns casos, chegando a atingir músculos e provocar pequenas hemorragias na trama dos vasos capilares.
Sendo assim, o uso do instrumento, ademais de sua forma, passou por modificações drásticas impostas pela FIAH e OSAF, de 2011 em diante. Mas não parece ter sido o bastante. Para lidar com esta situação, alguns turfes passaram a limitar o número máximo de vezes em que ele pode ser usado durante a disputa. Outros, proíbem que o jóquei forme uma alavanca mais potente ao levantar a mão do chicote acima dos ombros na hora de bater.
Mais recentemente, porém, começa a surgir a hipótese real de vincular seu uso ao tipo de reação do animal. Ou seja, examinar se ele está sendo efetivo, ou não, para provocar uma reação positiva, isto é, se o animal, ao sofrer o castigo, consegue aumentar sua velocidade. Se não consegue, é inútil continuar batendo. E a insistência nos golpes resulta em pesadas multas e eventualmente suspensão dos jóqueis.
Na Califórnia, já se estuda a adoção de um parâmetro para julgamento dos casos de uso abusivo do instrumento: se o cavalo, após ser castigado, não reagir aumentando sua velocidade nas próximas quatro passadas (galões, no jargão do turfe), o que equivale a cerca de 18/20 metros, a insistência em continuar batendo passa a ser uma transgressão ao código de corridas – e como tal, punida.
Em resumo, antes que a pressão pública cresça de intensidade e passe a vulnerar importantes aspetos éticos da atividade, a recomendação às comissões de corridas é a de submeter todos os animais visivelmente vítimas de desnecessários espancamentos a exame pelo veterinário do hipódromo. E no caso da verificação de vergões ou ferimentos em qualquer parte de seu corpo, aplicar imediatamente a sanção prevista nas normas.
“Como as sociedades promotoras de corridas devem enfrentar as situações ligadas ao bem-estar dos animais e o papel da FIAH neste processo”
O último painel da Conferência teve a presença dos seguintes debatedores:
Greg NICHOLS, presidente do Australia Racing Club; Craig FARREL, presidente e CEO da Breeders’ Cup Ltd; Andrew HARDING, diretor-executivo da FIAH e diretor-executivo de corridas do Hong-Kong Jockey Club, China.
Foi o mais extenso deles. O resumo é simples: tendo em vista a importância de se manter o prestígio das corridas de cavalo face às exigências da sociedade do século XXI, além de colaborar para sua expansão – principalmente nos continentes onde elas representam um importante segmento da atividade econômica – parece necessário:
(1) Prosseguir na tarefa de profissionalizar cem por cento sua gestão, formando novos quadros nas universidades e instituições que hoje já oferecem cursos de formação superior à juventude interessada em participar da indústria. Caso dos EUA, Japão, Austrália e Nova Zelândia, entre outros.
(2) Caminhar na direção da “universalização” do calendário clássico internacional, fato que aos poucos vai sendo conseguido com a programação, em sequência, de eventos de elite da raça puro sangue de corrida em vários países e continentes ao longo do ano calendário. Caso da sequência de grandes provas destinadas aos 3 anos e mais idade, seja nos EUA, seja na Europa, seja na Ásia (Japão e Hong Kong, principalmente), seja no Oriente Médio (Dubai e, agora, Arábia Saudita), seja na América do Sul e África do Sul. Bem assim, naqueles países onde culturalmente exista um turfe organizado.
(3) No que respeita à FIAH, sua participação deve se dar no sentido de tentar formatar um calendário de eventos hípicos internacionais que inclua, em princípio, os vários continentes onde o turfe é praticado, propiciando condições para a realização dos exames antidopagem apenas nos laboratórios credenciados para tal; agindo para viabilizar o encurtamento dos períodos de quarentena; e atuando na divulgação desses eventos, em coordenação com as sociedades locais promotoras de corridas.
Foram essas, resumidamente, as principais matérias discutidas na 53ª Conferência Internacional da Federação Internacional.
Com os nossos protestos de superior estima e distinta consideração, somos
Atenciosamente,
Sergio Barcellos
(*) A conversão de E$ em R$ foi feita ao câmbio de E$ 1.00 / R$ 4,20 vigente no dia 4 de outubro de 2019, sexta-feira, antevéspera do meeting do Prix de l’Arc du Triomphe.
Rio de Janeiro, 22 de outubro de 2019



