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A Associação Brasileira através dos tempos (Milton Lodi)

A Associação Brasileira através dos tempos (Milton Lodi)


O Stud Book Brasileiro órgão do Ministério da Agricultura é o cartório dos registros das informações e ocorrências, de tudo a que se refere ao cavalo de corrida. Desde o princípio, como o Ministério não tinha condições de praticar esse controle, entregou-o aos cuidados do JCB. Funcionava em dependência em um dos prédios do clube, e na prática não funcionava muito bem, pois não havia fiscalização nos inúmeros centros de criação, e com isso as verdades eram representadas pelas simples palavras e declarações dos responsáveis, na base da palavra. No dia 03 de agosto de 1950, foi fundada a Associação Brasileira dos Criadores a (ABC), promovida por um seleto grupo de turfistas cariocas e apoiada unanimemente por toda a comunidade turfística brasileira. No escritório do grande criador Antônio Joaquim Peixoto de Castro Júnior na Rua Senador Dantas nº 70, foi promovida a reunião de fundação com presença maciça de importantes nomes da época como Euvaldo Lodi e José Bastos Padilha.

Tudo começou certo, mais não a escolha do primeiro presidente que recaiu em um homem de bom relacionamento social, mas inadequado para a função. Seu nome, Ricardo Xavier da Silveira. Durante 10 anos a então ABC viveu praticamente inerte até que um grupo paulista liderado por João Adhemar de Almeida Prado e Hernani Azevedo Silva conseguiram levar a Associação Brasileira para São Paulo inclusive assumindo as rédeas do Stud Book Brasileiro. Houve uma reformulação geral inclusive na fiscalização em todo os pontos criacionais do país, colocando as coisas, dentro do possível, em ordem. Àquela altura a primitiva ABC teve o seu nome alterado para ABCC (Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo) e mais adiante ABCCC (Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo de Corrida).

Em certa época o Brasil passava por uma crescente onda vermelha esquerdista que, ante as grandes proporções, foi enfrentada pelos militares, que assumiram a administração do país. No embate para a liderança política houve naturalmente aspectos não pacíficos, e com a nova administração, com intervenções em vários setores, houve momentos intranquilos. Naquele momento de incerteza política entendeu o então líder paulista dos criadores João Adhemar de Almeida Prado, em parceria com Hernani Azevedo Silva fundar uma Associação Paulista de Criadores e Proprietários, no pressuposto de que, se viesse uma intervenção no setor ela poderia atingir a Associação Nacional, e não uma Regional. Foi assim criada a Sociedade dos Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida de São Paulo. Se por um lado não houve nenhuma intervenção por outro a nova Sociedade brilhou intensamente, promovendo melhorias fundamentais em todos os setores da criação, como até instituindo e mantendo depósitos de alimentos adquiridos nas fontes e nas adequadas safras com isso barateando o custo do trato, e no setor das corridas explodindo com uma espetacular promoção visando a volta dos leilões de potros. Com um ótimo e adequado regulamento especificamente orientado para bom aspecto comercial para os leilões, houve um grande surto de modernidade e sucesso com a implantação da TAÇA DE PRATA. Àquela altura, o brilhante Hernani Azevedo Silva já havia sido substituído, na Presidência da Sociedade pelo não menos brilhante Antônio Luiz Ferraz, foi um sucesso tão fantástico que esse tipo de prova, só com uma filosofia promocional foi, posterior e inadequadamente agraciada com um Gr. 1.

Mais tarde, com Associações de Criadores em todos os Estados e apenas São Paulo com um setor específico somente para os proprietários foi fundada em SP a ANPC (Associação Nacional dos Proprietários de Cavalo). O cunho dela era representar os interesses de proprietários de todo o país, já que nem sempre os interesses dos criadores e os dos proprietários são iguais. A chamada Copa ANPC, promoção custeada pelos proprietários era um conjunto de 4 provas do estilo tradicional, sendo uma prova para éguas de 3 anos e mais idade em 2.000 metros e outras três para produtos de 3 anos ou mais, em 1.000, 1.600 e 2.400 metros. Foi um enorme sucesso. Acontece que, com o correr do tempo, extinguiram-se tanto a Sociedade Paulista como a Associação Paulista dos Proprietários ambas tiveram que ser absorvidas pela Associação Brasileira que teve seu nome mudado para ABCPCC (Associação Brasileira dos Criadores e Proprietários dos Cavalos de Corrida). Como acontece muitas vezes em nosso país, a cada eleição em quase todos os setores, novos diretores entram e saem, muitas vezes com boas e também com más ideias e depois vão embora deixando o mal feito em prática.

De uns tempos pra cá a Associação Brasileira promove uma corruptela do que havia antes, uma Copa dos Criadores com 4 provas, realizadas alternadamente entre Rio e São Paulo. Os últimos três presidentes da Associação foram Afonso Burlamaqui e Sérgio Luis Coutinho Nogueira, que foram ótimos presidentes, e atualmente Antônio Landim Meirelles Quintella que tiveram e tem a grande responsabilidade de cuidar da Associação Brasileira, que tem sido conduzida com sucesso.

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