Uma das joias da criação Seabra (Haras Guanabara, SP – Roberto e Nelson Grimaldi Seabra) chama-se Emerald Hill. O Guanabara ficara dezenas de anos produzindo machos e fêmeas do mais alto gabarito internacional, com desassombrados investimentos internacionais, e o resultados, anos a fio, projetou a criação brasileira de um modo geral e de forma particular a criação do Guanabara. Seria até um desperdício de tempo citar os grandes corredores e seus grandes feitos. Mas depois dos muitos anos de sucessos, e com a morte de garanhões de produções régias, começaram a envelhecer o Guanabara e Roberto Seabra, já que o irmão Nelson já havia morrido, e com o padrão internacional de seus cavalos, e o grande tino comercial de Roberto, o grande e prestigiado haras começou a preparar o fechamento de suas porteiras. Foi nessa fase que Roberto tentou vender uma talvez verdadeira jóia. Tratava-se de uma potranca muito charmosa, bem feminina, de nome Emerald Hill.
Era filha do francês Locris, que era chamado de “Locrís” por ser francês, mas que na realidade chamava-se “Lócris” referente a uma região na Grécia. “Locrís” ou “Lócris”, como queriam chamá-lo, foi um garanhão mais do que aprovado, um reprodutor de elite. A mãe de Emerald Hill era Embuia, da criação do próprio Haras Guanabara, que tinha pedigristicamente um poderio incrível, em qualquer haras do mundo. Roberto procurou vender Emerald Hill para Matias Machline, o dono do Haras Rosa do Sul, à época um dos grandes destaques na criação e nas corridas brasileiras. Mas Matias não quis, não só ele já tinha seu próprio Haras com grande produção anual como também o preço pedido era muito alto. Mas Roberto era também um grande comerciante, e diariamente telefonava para Matias, que após muito relutar acabou cedendo. Emerald Hill fez sua campanha nas pistas de Cidade Jardim, correu 7 vezes, saiu invicta das pistas brasileiras inclusive com o título de tríplice coroada. Entusiasmado, Matias mandou a potranca para um dos melhores treinadores dos Estados Unidos, sediado na California. O tempo ia passando e nada da égua aparecer inscrita.
Quase um ano se passou, e então Matias telefonou para um brasileiro que trabalhava no Consulado Brasileiro em Nova York, de nome Nelson Pereira, um ótimo amigo de todos, e pediu que ele fosse ver a égua. Quando voltou, Nelson informou ao Matias que, desde que havia chegado aos Estados Unidos, Emerald Hill não estava trabalhando para correr, estava bem alimentada e em aparente bom estado, mas só era tirada do seu box para passear puxada, só para se movimentar um pouco. Matias pediu ao Nelson que providenciasse a ida da égua da Califórnia para Nova York, que lá fosse entregue a um dos melhores treinadores de lá. Passados uns poucos meses, Emerald Hill estreou em Belmont Park, vencendo muito bem e com grande autoridade. Após lá correr por mais duas ou três vezes, Matias trouxe a sua campeã para a reprodução em seu haras. Eu a vi lá, em um piquete que era visto da varanda da sede. Emerald Hill foi, e se não me engano, a última pérola da criação Seabra.

