O ICRAV (INTERNATIONAL CONFERENCE OF RACING ANALYSTS AND VETERINARIANS) é um conferencia que reúne, a cada dois anos, químicos e veterinários de hipódromos do mundo todo para expor trabalhos realizados e, se necessário, alterar as diretrizes que regem o turfe.
Existe uma grande tônica nas discussões do congresso (ao menos nesta edição): evitar acidentes com os animais e proteger os jóqueis. Sim, existe um grupo de pessoas que se reúne com ESTUDOS feitos sobre tipos de raia, medicamentos, abordagem clínica de diversos casos, etc… e discute, com esses levantamentos em mãos, as melhores maneiras de evitarmos acidentes com o cavalo e o jóquei.
Seis dias intensivos de palestras, apresentações e trocas com veterinários de diversos hipódromos foram muito produtivos. Dividir questões e soluções para os problemas inerentes; a maneira diferente de cada hipódromo lidar com problemas iguais; ver que todos os lugares tem pontos a serem melhorados; uns mais, outros menos, alguns hipódromos com situações peculiares, mas todos buscando soluções para que o turfe seja melhor a cada ano, para o público, para o proprietário, para o treinador e fundamentalmente para o cavalo.
Entre as palestras, a cada edição do congresso alguns trabalhos do mundo são selecionados para serem apresentados por seus autores com todas as despesas custeadas pelo ICRAV. O projeto chamado “young scientist” é uma maneira maravilhosa de entrar nesse núcleo e um orgulhoso reconhecimento de quem já faz parte dele para dar as boas-vindas aos novatos. Foi assim que fui extremamente bem recebida, levando minha tese de mestrado para ser dividida com os outros veterinários do mundo.
Numa breve apresentação expus os resultados que obtive no nosso hipódromo, com cavalos de baixa e alta performance, utilizando eletrocardiografia e a sua variabilidade para provar que o sistema nervoso autônomo do cavalo é capaz de se adaptar a diversos tipos de treinamento e que quem traduz essa informação neural, e nos dá de presente a informação, é o coração.
Em cada trabalho apresentado durante a conferência, com os dados coletados nota-se o quão importante é o trabalho do veterinário junto com o treinador, o quanto um acompanhamento veterinário bem feito na cocheira bem como o critério dos que trabalham na raia pode minimizar consideravelmente diversos problemas e evitar acidentes.
Pra finalizar, é importante salientar que nenhuma das medidas tomadas pelos órgãos internacionais que conduzem nosso esporte é infundada. Existe uma razão pela qual a furosemida e a fenilbutazona são controladas; existe uma razão pela qual é recomendada endoscopia respiratória 40 minutos após o esforço; existe uma razão pela qual algumas drogas são liberadas e outras não e um porque de os prazos destas serem como são. Estudos químicos e metabólicos, alterações hepáticas e renais, efeitos colaterais, quantidades residuais na circulação, limites de tolerância… todos estes pontos são intensivamente discutidos na conferência.
Respeitar as medidas internacionais é respeitar quem estudou, discutiu, provou e comprovou que aquela determinada medida é a melhor para os atletas (cavalo e jóquei). Respeitar as medidas internacionais é fazer o esporte andar bem, é respeitar o público, os profissionais, os proprietários e principalmente os cavalos deixando cada vez mais justa essa relação de dependência. Eles dependem de nós, e nós dependemos deles, vamos respeitá-los.
Agradeço à Mayra Frederico pela minha indicação no ICRAV e pela feliz sugestão de enviar minha tese para concorrer ao Young Scientist 2018.
Carolina Regis Franco de Almeida
Veterinária pela Universidade Estadual do Norte Paranaense
Residente no Jockey Club Brasileiro de 2012 a 2013; autônoma desde então
Mestrado pela UFRRJ na área de ciências clínicas, ênfase em cardiologia equina
