Curiosidades 4 (Milton Lodi)
A)José Bastos Padilha-foto é um dos nomes mais importantes do turfe carioca. Homem afeito ao esporte, foi Presidente do Clube de Regatas do Flamengo, foi o autor dos primeiros estatutos da então Associação Brasileira dos Criadores, foi o criador (Fazenda Sta Angela, Castro, PR) foi Diretor do JCB por muitos anos, e até hoje o melhor Diretor do Hipódromo da Gávea desde a sua fundação. Homem muito inteligente, dedicado trabalhador, chegava diariamente ao prado as 6 da manhã, e lá já o esperava um auxiliar. Conversava com todos, e se algum treinador, por exemplo, lhe informava que havia se quebrado uma torneira em seu grupo de cocheiras, imediatamente o setor de reparos era acionado, e quando José Bastos Padilha chegava a sua sala no setor de Administração, já era informado do reparo ou troca da tal torneira. Exigente. Dava o exemplo. Por volta das 10 horas, ia a seu escritório, sempre passando pelo seu grupo de cocheiras, com bons ganhadores inclusive o velocista Mamoré. Esse cavalo, segundo os registros, veio no vente de uma égua inglesa importada pelo pernambucano Haras Maranguape, e naquela época, a rigor, não tinha competidor em tiros curtos. Naquela manhã, dia de inscrições, Padilha foi ver o seu Mamoré, que já havia vencido, se não me falha a memória, por duas vezes o Grande Premio Major Suckow, o melhor páreo de velocidade do ano, e que era, e ainda é disputado no sábado véspera do Grande Premio Brasil. Mamoré estava ótimo, seria provável ganhador, pela terceira vez, daquela importante prova. À noite, quando foi publicada a apuração das inscrições daquela semana, o nome de Mamoré não constava. Imediatamente, Padilha telefonou para o treinador, e ele mostrou-se surpreso, pois na conversa matinal ele tinha entendido que o próprio Dr. Padilha se encarregaria de fazer a inscrição. Resultado, Mamoré não correu porque não foi inscrito, por motivo de um errôneo entendimento entre o treinador e o proprietário. Padilha era um investidor, trabalhava muito, foi o dono da melhor revista de turfe daquela época, A Vida Turfista, e entre outras muitas atividades, foi muito bom Diretor na primeira Diretoria do Jockey Club Guanabara.
B)O grande ganhador clássico Adil-foto, que terminou a sua brilhante campanha nas pistas com 21 vitórias, sempre correndo provas de distancias maiores e contra o que havia de melhor à época, também passou por um caso, senão semelhante, mas de resultado igual. Adil era de criação e propriedade dos irmãos Almeida Prado (Haras Jahú e Rio das Pedras, SP). Cavalo de tamanho apenas médio mas muito forte, Adil era basicamente um galopador, mas com aceleração. Largava, entrava no ritmo da corrida, e seguia sempre, não diminuía. Ganhou por 3 vezes o Grande Premio São Paulo, e era aguardada por todos os turfistas a sua quarta vitória na prova, apesar de já estar com idade maior, mas com a saúde e o físico em ordem. Na verdade, seria muito difícil que ele não vencesse o Grande Premio São Paulo pela quarta vez. Era a época de ouro do turfe paulista, que detinha a hegemonia do turfe nacional. Na euforia do turfe paulista naquela época, o benemérito “Seu Tomazinho” (Thomaz Teixeira de Assumpção Junior), o principal funcionário do setor do turfe do JCSP, teve a brilhante ideia de promover o Derby Sul Americano, prova que seria muito bem dotada, e que certamente atrairia os melhores corredores da Argentina, do Uruguai, do Chile e do Peru, e naturalmente do Brasil. A ideia foi recebida com entusiasmo, de pronto aprovada, e durante 7 ou 8 anos de realização, foi a principal prova da América do Sul. Quando com a publicidade da prova em termos internacionais, e provocando desde logo o entusiasmo geral, Nelson de Almeida Prado, um dos donos do Adil, procurou o irmão João Adhemar de Almeida Prado. No enunciado do GP Derby Sul Americano, havia entre parênteses GP São Paulo. Isto é, o Derby Sul Americano era também o GP São Paulo, mas como o Derby internacionalmente era só para produtos de 3 anos de idade, Adil, já com 6 anos, não poderia participar. Mas não havia mais como segurar o entusiasmo, e ficou assim mesmo, no primeiro domingo de maio era a data do Derby Sul Americano (GP São Paulo), só para 3 anos. E Adil ficou de fora.
