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Curiosidades 2 (Milton Lodi)

                Curiosidades 2 (Milton Lodi)

 

1 – Na época em que o Haras Rosa do Sul dominava em Cidade Jardim, correu uma história, que eu não sei se era verdadeira, que teria acontecido com o titular Matias Machline, e um ótimo turfista argentino de nome Alessandro Lingfield. Esse argentino era um grande conhecedor das coisas do turfe, e o Matias lhe dava o crédito que ele merecia. Mas a historia que circulou, que eu não sei se era verdadeira, foi no sentido de que o argentino tinha ido à França para examinar duas potrancas irmãs por pai, muito parecidas e semelhantes em seus aspectos técnicos, que estariam à venda por altíssimos preços, condizentes com as suas perspectivas. Alessandro teria informado ao Matias que as duas eram ótimas. O Matias disse então que ele escolhesse uma, e que seria por ele comprada e deixada na França para fazer campanha nas pistas antes de vir para o haras. Alessandro informou que a escolha era muito difícil, as duas potrancas eram muito parelhas, mas cumprindo as instruções, comprou a que mais lhe agradou. No final da historia, a escolhida foi um rotundo fracasso, e a outra uma ótima ganhadora clássica. O Matias entendeu a dificuldade da escolha, Alessandro manteve o seu merecido prestígio, o Matias vendeu a égua na França mesmo e concluiu que, em casos semelhantes, o mais inteligente seria comprar as duas. Não sei se isso é verdade.


2 – Em outra época, o Haras Rosa do Sul entendeu de substituir o seu treinador em Cidade Jardim, e foi escolhido o melhor treinador do hipódromo do Tarumã, o veterano Elídio Pierre Gusso, o destacado melhor durante muitos anos no Paraná. O “Seu” Elídio, que era o treinador dentre outros dos corredores do Haras Ipiranga, na época uns cinco animais rigorosamente despretensiosos, deixou os animais então aos seus cuidados com um treinador da confiança dele, dizendo que era honesto e competente. Pouco depois, fui ao hipódromo do Tarumã para conhecer o novo treinador. Era bom de conversa, me disse que quatro animais eram completamente dispensáveis, dois deles talvez merecessem ficar, e quanto ao quinto, tinha os dois boletos muito comprometidos e na opinião dele não voltaria a correr. Dei de imediato ao treinador 3 documentos de transferências de propriedade, as dos dois piores para venda pelas primeiras ofertas, e o inutilizado para que ele desse para alguém. Um mês depois, com os dois piores já vendidos quase que de graça, o tal inutilizado apareceu inscrito para o então treinador-proprietário. Em três semanas seguidas, ganhou as três corridas. Só me restou tirar de lá os outros dois.


3 – Farouk era um corredor de bom pedrigree, de padrão regular para bom, e que eu mandei ficar no Tarumã para participar do GP Paraná. Ele era muito manso, mas em sua estréia em Cidade Jardim, já acomodado em seu box no partidor, sofrera uma violenta pancada na nuca pelo competidor que ocupava um dos boxes laterais, que terminou e caiu atravessado na separação dos boxes, e uma de suas patas bateu violentamente na cabeça do Farouk. A partir daí, Farouk tinha medo de entrar no partidor, caminhava até perto dele e parava, e para que entrasse em seu box tinha que ser empurrado para dentro. Não esboçava nenhuma reação, não mordia, não dava coices, nada, só ficava estaqueado até ser empurrado. Naquele ano, foi de São Paulo um ótimo cavalo de primeira turma, Kigrandi, corredor de padrão internacional, impossível de perder, mas Farouk era candidato a um 2º. Um juiz de partida mostrou-se péssimo, a partida já havia demorado 20 minutos quando ele entendeu de resolver o problema de qualquer maneira. Avisou aos jóqueis que aqueles que não entrassem nos seus boxes seriam sumariamente suspensos, e aí foi resolvido o problema. Só que o Farouk continuava estaqueado. O juiz de partida determinou que fosse colocado um capuz, e que Farouk fosse castigado com um pinguelim. O Farouk, com seus olhos vendados, deu um forte arranco para frente, deu com um joelho violentamente em um ferro no partidor. Quebrou o joelho, o jóquei caiu, e o cavalo, vendado e capenga, saiu andando da pista por um espaço lateral. No dia seguinte, após o Farouk inutilizado em sua carreira, procurei o então Presidente do Clube, e perguntei quem era o tal starter. A resposta foi surpreendente. Tratava-se de um ex-funcionário do Stud Book Paranaense, que fora demitido por roubo, e que como ficara sem emprego, o JCPR o havia aproveitado como juiz de partidas. Fui então falar com o incompetente, e ele simplesmente disse que não dava para demorar mais, e providenciara a partida o mais rápido possível, do jeito que fosse. Esse foi um dos muitos detalhes negativos das administrações anteriores do JCPR. A incompetência e a falta de interesse pelas verdadeiras coisas do turfe, deixara o clube a mercê de uma minoria de deslumbrados com o poder e uns poucos que lutavam pelas coisas certas. É por isso que, dentre outros motivos, deve-se louvar o trabalho honesto e competente da atual Diretoria, certamente honesta e competente.

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