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Distâncias Largas (Milton Lodi)

 Distâncias Largas  (Milton Lodi)

Um importante detalhe na programação das corridas é o referente a necessária preservação de provas adequadas aos animais fundistas. As programações modernas contemplam os corredores de 1.000 a 2.000 metros, menos aos de 2.000 a 2.400, e páreos acima de 2.400 metros só normalmente em provas nobres, isto é, provas especias, clássicos e grandes prêmios, e mesmo assim parcimoniosamente. No JCB há um circuito de distâncias maiores, sob o nome de Copa Quati, que patrocina a promoção. Mesmo assim, sendo os páreos dessa Copa de programação obrigatória, os campos das provas são reduzidos. No JCSP, embora haja uma média de distâncias maior que a da Gávea, também os páreos em distâncias maiores carecem de bom número de inscrições. Mas no recente mês de setembro, em uma reunião realizada no Rio entre representantes dos dois clubes, ficou acordada uma programação entre os dois clubes. Quando aos páreos para os fundistas, de modo que possibilite a frequência nas provas paulistas, e vice-versa. Para não prejudicar o GP Paraná e o GP Bento Gonçalves, embora ambos em distâncias menores que 3.000 metros, os dois clubes maiores ficaram de aguardar a fixação das datas do Paraná e do Rio Grande do Sul para montarem as programações entrelaçadas das provas fundistas. Uma boa ideia, que vai proporcionar maiores oportunidades para os animais de distâncias maiores. Embora para muitos as provas de distâncias maiores seriam desprezíveis, na verdade, para a preservação do teor da qualidade de nossos plantéis, há necessidade de animais com características de velocidade, de aceleração, de consistência, de fôlego, e de todo possível para a construção de animais fortes, velozes e consistentes. Há grandes e importantes provas em todas as distâncias, de 1.000 a mais de 3.000 metros, e há de haver material para as devidas construções.

E por falar em páreos de largas distâncias, lembrei-me do Prix du Cadran. Cadran é o grande relógio de 4 faces (que se encontra no Hipódromo de Longchamp), que quer dizer Prêmio do Relógio. Há uma réplica desse relógio de 4 faces no Hipódromo da Gávea. Normalmente disputado em 4.000 metros, em 2017 foi em 4.100 em Chantilly, provavelmente pela configuração da pista. O vencedor foi um filho do alemão Manduro. Segundo o treinador A. Fabre, ganhador de 5 Arcos, Manduro foi o melhor corredor que ele já cuidou. Manduro esteve no Brasil em “shuttle”, e só deixou uma geração. Era um cavalo de porte médio, entendido como um super milheiro alongado. Era um cavalo de temperamento complicado. No Brasil ficou estacionado no Haras Santa Ana do Rio Grande, em Bagé. O costume no Haras era de manter os animais dia e noite nos piquetes, e os garanhões eram recolhidos por uma ou duas horas durante o dia para uma cuida. No caso de garanhões em “shuttle”, a rotina era diferente. Por uma questão de maior segurança, eles ficavam soltos de dia e presos à noite. Certo fim de tarde, Manduro negou-se a sair do piquete, não se deixava pegar. Mesmo com a vinda de outros empregados, Manduro corria de um lado para o outro, em alta velocidade. Por fim, ficou entendido que era melhor não correrem maiores riscos, e Manduro foi deixado em seu piquete para passar a noite. O vigia noturno, que fazia a ronda em todos os piquetes, foi avisado para observação maior em Manduro. Por volta das 4:30 horas da madrugada, quando o vigia se aproximou do piquete do encrencado, ele estava docilmente parado junto à porteira. Deixou-se levar para a sua cocheira, provavelmente sentindo falta da sua ração da noite anterior. Manduro deixou vários bons descendentes, mas na verdade ficou um pouco devendo, mas o seu filho Braço Forte foi o líder de sua forma, e foi correr o Pellegrini. Ia muito bem até a entrada da reta final, quando virou junto à cerca interna, e no piso altamente irregular da pista gramada de San Isidro, fraturou um pé e não foi possível salvá-lo. Assim como o turfe brasileiro perdeu o melhor filho de Manduro, também perdeu, por venda para Hong Kong, o melhor filho de Soldier of Fortune, Jadir, o Troféu Mossoró dos 2 anos de idade. A venda de Jadir para o exterior impossibilitou o turfe brasileiro de eventualmente assistir confrontos certamente de alto padrão técnico desse filho de Soldier of Fortune com Cash do Jaguaretê, hoje o maior nome da turma nacional dos 3 anos de idade. 

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