Variedades – setembro de 2017 (Milton Lodi)
1 – O Ministério da Agricultura, que havia cassado a carta patente referente ao Jockey Club do Paraná, tendo em vista a então mais que reprovável administração que levou o Clube ao caos, com a última eleição no clube que devolveu o clube a mãos confiáveis, concedeu preliminarmente ao Jockey Club do Paraná, a título inicial para a volta das atividades, uma carta-patente provisória. A reviravolta não custou a se apresentar, com uma Diretoria honesta e competente, o JCPR voltou a dar corridas, aumentou os prêmios, que antes eram menores e nem sempre pagos, e ganhou confiança dos turfistas. O Ministério da Agricultura, então, houve por bem transformar a carta patente temporária em permanente. O JCPR tem no momento em sua vila hípica, 388 animais alojados, sendo que 147 são produtos de 2 anos que só terão páreos para correr a partir de janeiro de 2018. Assim, o contingente para eventuais inscrições semanais é da ordem de 241 corredores. Dessa forma, já se pode admitir que, como raciocínio, com programas de 8 páreos com 6 números cada, cada cavalo correndo um só páreo por mês, já dá para haver um bom programa semanal, e com margem de garantia. Do caos ao sucesso, esse é o panorama atual do turfe paranaense, e ainda com tendência de boas melhoras.
2 – Com a concorrência e apoio do Ministério da Agricultura, a Associação Brasileira vem de autorizar a utilização de “sêmen fresco” quando da fertilização das éguas. Antigamente havia a obrigatoriedade da cobertura física, e como a cada cobertura um garanhão em normais condições de saúde ejacula de 80 a 100 ml de cada salto, havia uma boa quantidade de sêmen que era jogada fora, ou aproveitada em inseminação artificial em éguas de outras raças ou mesmo em éguas de serviço de montaria. Mesmo com a cuida dos garanhões cada vez melhor, tanto no setor da alimentação como no aspecto veterinário, os animais à medida que envelhecem passam a ejacular cada vez menos quantidade e qualidade de semens bons. Imagine-se a perda de sêmen bom teoricamente não utilizado, de garanhões campeões como Ghadeer, Roi Normand e Waldmeister e tantos outros, e mais recentemente de outros mais atuais, já velhos como Wild Event, Put-It-Back, Redattore, entre outros, pela então obrigatoriedade da cobertura direta. A partir do presente semestre, a sobra do sêmen aproveitado, a colhida no ato, assim chamada “fresco”, pode ser bem aproveitada. Com essa providência, os melhores garanhões da atualidade vão ser melhores aproveitados. Apenas como mero exemplo, Roderic O´Connor, em seu único semestre em “shutlle” no Brasil, se não me falha a memória recebeu 105 éguas e teve 93 filhos, e entre muitos filhos de altíssima classe, deixou Voador Magee, ganhador do GP Brasil e foi o Troféu Mossoró de 2017 referente a potros de 3 anos, e Emperor Roderic, ganhador em 2017 do Derby carioca, 3º no GP Brasil, ganhador do GP Mathias Machline, a principal prova da Copa dos Criadores. Imagine-se se em lugar de 93 filhos Roderic O´Connor tivesse deixado 180 filhos. Foi um grande passo para a frente, tudo isso garantido pela fiscalização exercida pela Associação Brasileira e pelos exames de DNA, que não registra naturalmente os produtos de resultados negativos nos exames, isso tudo com a participação da Natureza, que com o correr da idade vai diminuindo a quantidade e a qualidade dos semens.
3 – De vez em quando, sem quaisquer motivos, lembro-me dos casos de jóqueis europeus que vieram para o turfe brasileiro importado por proprietários importantes, na tentativa de eventualmente melhorar e colaborar com a técnica dos nossos jóqueis. Quatro casos foram marcantes. O benemérito Antônio Joaquim Peixoto de Castro Júnior trouxe da França o Marcel L´olierou à mesma época em que trouxe o fantástico Swallow Tail para a reprodução no seu Haras Mondesir. Marcel L´olierou apresentou-se com um grande astro, o seu modo de usar o chicote deu-lhe desde logo o apelido de “ventarola”, e não demorou muito para mostrar que a sua francesa técnica estava muito abaixo da corriqueira no Brasil. Foi mandado de volta. O meu pai, quando importou da Itália um lote de animais, dentre os quais o bom milheiro clássico Four Hills, trouxe um jóquei italiano de nome Carmine Rezza. Ele mostrou-se no máximo um redeador comum, técnica de corridas iguais a zero. Washington Chamma conheceu no Brasil um jóquei árabe, e isso o entusiasmou. Só conversavam em árabe, era uma grande novidade. Trabalhava muito bem, mas como jóquei não me lembro se chegou a estrear. Era na verdade um cavaleiro de salto, como jóquei era muito ruim. O saudoso sueco Stefan Friborg trouxe um jóquei inglês, que fazia temporadas no turfe de Dubai, para montar os seus corredores do Stud Estrela Energia. Não tinha bom calculo de corridas, na reta final dava impressão até que ia cair, dados os pulos que ele dava para tentar incentivar os seus pilotados na reta final. Voltou rápido para a Europa. No Brasil tivemos a sorte de contar com jóqueis chilenos, que em certa época eram oriundos daquela que foi à época a melhor escola de jóqueis do mundo. De lá vieram os melhores, Marchant, Ulloa, Irigoyen, Castillo, Luis Gonzales e muitos outros. E as nossas escolas de jóqueis estão produzindo campeões até nas melhores partes do mundo. Exemplos disso são Juvenal, Ricardinho, Lavor, W.S Cardoso, e muitos outros, como João Moreira, Silvestre de Souza, A. Domingos, F. Leandro e muitos outros, além de ótimas joquetas, que no Brasil brilham intensamente, Vitória Mota na Gávea e Jeane Alves em Cidade Jardim, entre outros.
