Os Melhores (Milton Lodi)
É uma mania muito normal dos turfistas fazer comparações entre as qualidades dos melhores corredores de antigamente com os atuais. Na verdade essas comparações são sempre imperfeitas, pois o turfe é uma atividade dinâmica, os detalhes se alteram com o correr do tempo. A necessária cuida dos pisos das pistas, os aparelhos de largadas, a forma das cronometragens, a técnica dos treinadores e jóqueis, o tipo das alimentações, a maior e a menor qualidade e quantidade dos investimentos dos criadores, as formas cada vez mais diferentes de criar, de amansamento, de iniciação das potros, as programações diferentes que a cada ano vão sendo modernizadas, as rações balanceadas com sempre novas combinações visando melhorias nas performances, etc. Além disso, os grandes criadores de antigamente eram na verdade proprietários que criavam se sobrepondo aos criadores que corriam, incentivados pela competitividade, quase sempre assistindo as corridas semanais com entusiasmo e alegria. No Rio, Linneo de Paula Machado quando não estava viajando ia sempre as corridas, Antônio Joaquim Peixoto de Castro Júnior era figura obrigatória nas corridas, só para citar os mais importantes da época antiga, e em São Paulo Henrique de Toledo Lara, os irmãos Almeida Prado, os vários da família Assumpção, só para citar uns poucos.
Hoje em dia com o grande número de agencias de vendas de apostas a afluência de público nas arquibancadas diminuiu consideravelmente. Além disso, um progresso surgiu e se identificou com o término do contrato do JCB com uma entidade internacional e um novo contratante, a PMU, que tem se mostrado competente e interessada. Não dá para se reclamar do andamento das coisas no JCB, a não ser do desagrado geral com a publicação das dotações que vigoram no segundo semestre de 2017. O JCSP administrativamente já tendo reduzido a sua folha funcional em cerca de 50%, como resultado de uma primeira demissão de mais de 100 funcionários excedentes e que ganhavam salários bem acima dos valores normais, e ainda seguindo com um política administrativa saudável para permitir uma sobra de dinheiro para enfrentar importantes compromissos com o quadro dos criadores, proprietários e profissionais do turfe. A nova Diretoria do JCSP vai indo muito bem. Além da danosa catastrófica péssima economia político-financeira que ainda hoje o nosso país sofre da onda vermelha que intensamente prejudicou o necessário progresso de nosso país, o descaso do Ministério da Agricultura com as coisas do turfe a desesperança e os problemas financeiros que resultaram nos últimos anos em sucessivas quedas em nossas produções, enfim, uma lástima de grandes proporções mas que não é maior do que o entusiasmo das corridas de cavalos e dos cavalos de corrida, que contra todas as adversidades vem o turfe brasileiro a cada ano melhorando o padrão técnico de nossos animais. Isso tudo nos leva a relembrar os grandes cavalos e éguas que fizeram e fazem a grandeza do nosso turfe. Como apreciador e participante do turfe brasileiro há cerca de 75 anos, muitas vezes relembro os nomes daqueles corredores que se imortalizaram como verdadeiros heróis em nossas saudades. Como disse anteriormente, não há como comparar com precisão os melhores de antes e de hoje.
Mas os saudosos turfistas não se esquecem dos grandes corredores nacionais. Por isso, cada turfista, sem ideias de comparações, tem e exerce o direito de lembrar e eleger os seus favoritos. Sem quaisquer compromissos a não ser nominar aqueles animais nacionais que muito me impressionaram, opinião pessoal e sem intenção de influenciar outros turfistas, procurei citar os melhores que eu vi correr nas clássicas distancias de 1.000 metros, de 1.600, de 2.000, de 2.400 e de 3.000 metros.
Nos 1.000, muitos velocistas foram muito bons, alguns muito rápidos como mero exemplo Desejado Thunder mas sem a necessária consistência para todo o quilometro. Nos 1.000 metros, o meu preferido foi Mensageiro Alado-FOTO, um filho de Ghadeer criado pelo Haras Santa Ana do Rio Grande, e que contava com o genial Juvenal Machado da Silva, que facilitado pela grande mansidão do Mensageiro Alado, apesar de ter cavalo para tomar desde logo à dianteira, pacientemente corria por volta da quarta colocação, e com uma violenta atropelada final da ordem de 300 metros, colocou o nome Mensageiro Alado como o melhor em 1.000 metros.
Nos 1.600 metros, um cavalo pouco conhecido dos cariocas era extraordinário. De físico soberbo, de estampa impressionante, fazendo alarde de grande pujança e classe, Gaudeamus-FOTO ABAIXO era impressionante. Nasceu na mesma geração de cavalos de padrão internacional, e como ele corria todas as provas mais importantes de sua época, não importando as distancias, como basicamente um milheiro brigava com os melhores até em 3.000 metros, enfrentando ganhadores do Derby (2.400), do Diana (2.000) de grandes recordistas e de Lohengrin (2.400). Mas, no meu entender, na milha ele foi o melhor que eu vi. Gaudeamus, filho de Violoncelle, do Haras São Bernardo, era impressionante.
Nos 2.000 metros, no meu entender, Manguari foi o melhor. Ganhou a 1ª prova da tríplice coroa (1.600), ganhou a 2ª (o Derby em 2.400, era na época, a 2ª prova), fracassou mais uma vez em 3.000 mil metros mas em 2.000, sempre na primeira turma, em um ano bateu o recorde e no ano seguinte igualou. Manguari, criação do Haras Mondesir, filho de King Salmon, tinha costelas largas, o que dava uma grande capacidade pulmonar, enquanto os outros mostravam cansaço ele seguia brigando e ganhando. Quanto mais briga, melhor para ele.
Nos 2.400 metros, eu estou com a maioria dos turfistas brasileiros, Farwell-FOTO ABAIXO era o campeão. De criação dos Haras Jahú e Rio das Pedras, filho do inglês Burpham, Farwell era um preto grande, que eu me lembre sem marcas, e que corria como uma locomotiva em disparada, tomava a ponta na largada, e ia embora, sempre massacrando os seus adversários. Era impressionante.
Nos 3.000 metros, distancia cada vez mais desprestigiada no Brasil e fora dele, nos Estados Unidos praticamente inexistente e na Europa também desprestigiada (com exceção talvez só da Alemanha), o meu nome é Adil, do Haras Jahú e Rio das Pedras. Era um escuro de pequeno porte, que corria muito e não dava chances para os seus adversários nas chamadas distancias mortas.
Esses são os meus melhores. É uma opinião pessoal. Cada turfista que tenha a sua.
