Daião – Uma necessária retificação (Milton Lodi) » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Daião – Uma necessária retificação (Milton Lodi)

Daião – Uma necessária retificação (Milton Lodi)

      Recentemente, quando da série intitulada “Turfe Brasileiro”, especificamente no período de 1960/1990, referi-me em particular ao grande movimento dos turfistas cariocas implantando na serra , especificamente em Teresópolis, Friburgo e Petrópolis, cerca de 45 haras, na empolgação geral que se seguiu a 1960, disseram que, naquele período, três detalhes mereciam destaque, quais sejam, o Haras Vale da Boa Esperança, o Haras Santa Maria de Araras e o cavalo Daião-FOTO. Mas quando da apreciação de Daião, cometi importante erro, ao dizer que ele foi nascido e criado nas terras do Araras. Completo engano. Daião, que nasceu em 1973 e em 1977 venceu no JCB os GP 16 de Julho e Brasil, nasceu e foi criado no Haras Serra dos Órgãos, propriedade de Amilcar Turner de Freitas, um dos maiores experts em corridas de cavalos que conheci.

daiaoO meu engano se deveu ao fato de que, no início do centro de treinamento do Araras em Teresópolis, Amilcar de Freitas ocasionalmente ia ao Centro todos os sábados pela manhã, para orientar os treinamentos da cavalhada do Araras. O inteligente Julio Bozano contava no setor de treinamento com as luzes de Amilcar de Freitas, e no setor da criação com o contratado Bertrand Kauffmann, à época um dos maiores entendidos em criação de cavalos no Brasil.

O Haras Serra dos Órgãos, sempre com diminuta produção, tinha como uma de suas reprodutoras a égua Dársena, uma filha de Polyway e Zamboa, égua da criação Mondesir, filha do fundista europeu Legend of France na uruguaia Palina, uma ótima velocista importada do Uruguai por Antônio Joaquim Peixoto de Castro Júnior, o fundador do Mondesir. Palina produziu Zamboa, que foi vendida pelo Mondesir. Foi boa ganhadora e com Polyway deu Dársena, também ganhadora, que foi mandada para Sabinus.

O Haras Serra dos Órgãos, muito próximo do então Santa Maria de Araras, mandou Dársena para o Araras a pé, puxada, atravessou um pequeno rio, e no Araras com apenas um salto ficou cheia. Da mesma forma que foi, voltou. Dársena foi muito fértil e o seu primeiro filho foi Daião. Aos 2 anos de idade Daião, era um cavalo de tamanho médio para pequeno, muito bem feito. Daião desde potro iniciou-se muito bem, e sempre saudável, iniciou a sua campanha com sucesso, muito bem levado, para uma campanha de alto padrão. No caso de Daião, os registros no Stud Book Brasileiro constam erradamente que Daião era de criação e propriedade da Coudelaria Amber. Os registros não correspondem à realidade. Daião sempre foi do Haras Serra dos Órgãos, e foi com a blusa do haras, laranja, mangas brancas e boné verde, que ele teve toda a sua trajetória no turfe brasileiro. Foi certamente, com o Haras Vale da Boa Esperança e do Haras Santa Maria de Araras, um dos três pontos altos da criação fluminense. Fica assim feita a retificação, de um indesejado erro da minha parte, traído pela memória. Assim, fica claro que Daião nunca foi ao Araras, sempre permaneceu como sua mãe Dársena, no Haras Serra dos Órgãos e de lá foi para o Hipódromo da Gávea, para o treinador Wilson Lavor, que é o pai do excelente jóquei Carlos Lavor. Quanto a Coudelaria Amber nada tem a ver com Daião, é um equívoco nos registros no Stud Book Brasileiro isso há muitos anos.

             Com esses erros corrigidos, além dos sucessos à época dos Haras Vale da Boa Esperança e do Santa Maria de Araras há o de Daião e de seu Haras Serra dos Órgãos.

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