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Novos rumos do turfe uruguaio (Milton Lodi)

    No mês de novembro de 2016, realizou-se no Uruguai um importante congresso veterinário que entre outros detalhes tratou de eventuais medicações em animais inscritos para correr. Como é público notório, dos cinco países sul-americanos que promovem corridas de cavalos de importância maiores, Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Peru, apenas o Brasil seguia a linha europeia o tocante a medicação de animais inscritos, isto é, proibição total, enquanto que no caso dos outros quatro países citados, seguem a linha norte-americana, de grande permissibilidade no assunto. Não vai muito longe, no Latino promovido pelo Jockey Club Brasileiro em março de 2016, o ganhador argentino e o quinto colocado chileno, foram desclassificados para último lugar sem direito a quaisquer prêmios, e em ambos os corredores, a substância encontrada era a mesma. Os estrangeiros, embora tivessem recebido por escrito o que seria e o que não seria permitido quando aos animais que iriam competir no Latino, mesmo assim medicaram irregularmente, e após as desclassificações, procuraram justificar a equivocada atitude alegando que todos os animais que correm em seus países o fazem medicados, sob a complacência das autoridades.

Cerca de dois meses depois, fim de maio, o cavalo punido com a desclassificação no Latino, correu e venceu o Gran Prêmio 25 de Mayo, em San Isidro. Isso mostra que, em principio, a Argentina, Chile, Peru, permanecem ligados aos costumes norte-americanos. Quanto ao Uruguai, não se fez representar no Latino de 2016, mas até então seguia a linha norte-americana. Conforme já dito, houve um importante congresso veterinário no Uruguai em novembro, e as autoridades hípicas uruguaias deram conhecimento público a um novo enfoque oficial em relação ao problema, deixando a linha de permissibilidade excessiva norte-americana e adotando a linha europeia, a mesma já adotada pelo Brasil já há alguns anos. Desse modo, o Uruguai veio se juntar ao Brasil na lisura das corridas no tocante a promover verdadeiras corridas de cavalos em lugar de participações em guerras químicas. A nova orientação uruguaia passou a valer desde 1º de janeiro de 2017, inclusive alvitrando um segundo exame do mesmo material para um eventualmente comprobatório do primeiro resultado em um dos laboratórios de segurança da FIAH. O laboratório credenciado para esse segundo exame, no caso do Brasil, é na França. Assim, Brasil e Uruguai promovem corridas dentro da ótica europeia, que é a de corrida de cavalos sem a ministração de remédios que possam influir no natural rendimento dos competidores.

A nova regra uruguaia até 31 de dezembro de 2017 só se aplica a grandes prêmios (provas de grupo), clássicos e provas especiais e a partir do dia 1º de janeiro de 2018 vai se estender incluindo os páreos para os potros e potrancas da nova geração, e assim, ano a ano durante cerca de 5 anos a seguir, a cada ano a então nova geração vai se enquadrando nas novas regras. Voltando ao Latino de 2016, correram representantes do Brasil (que pelas desclassificações obteve as cinco colocações premiadas), da Argentina e do Chile (ambos desclassificados por usos indevidos de medicamentos), e do Peru, que não foi atingido pelo regulamento por não ter classificado nenhum dos seus representantes. Aliás, o turfe peruano, embora o país esteja situado no hemisfério sul, perto da linha do Equador, as suas normas seguem as do turfe norte-americano, o ano hípico peruano é o mesmo dos Estados Unidos, isto é, os animais completam mais de um ano em 1º de janeiro e não em 1º de julho, como todos os outros países sul-americanos, e a sua criação é de menor expressão do continente sul-americano, e das suas corridas participam habitualmente corredores norte-americanos. Um detalhe a ser observado é que nunca um corredor egresso do Peru conseguiu vencer um Latino fora do seu próprio país. Talvez a grande frequência de participações vitoriosas de animais brasileiros nas corridas de Maronãs tenha influenciado o novo enfoque do turfe uruguaio, que no ano de 2016 teve participação efetiva os leilões brasileiros, chegando, na final do ano, a comprar 25% dos animais oferecidos em liquidação total do plantel do ótimo Stud TNT, uma das forças da criação brasileira. Para o turfe brasileiro, o acordar do turfe uruguaio para a realidade é motivo de muita satisfação. Agora só está faltando os turfes argentino, chileno e peruano. Vamos aguardar.

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