As pistas de grama do Jockey Club de São Paulo e do Jockey Club Brasileiro são diferentes. A de Cidade Jardim é simétrica, isto é, as duas retas, a oposta e a de chegadas, são paralelas, as duas curvas são iguais, e há dois prolongamentos em linhas retas, um da reta dos 1.600 metros inicio da reta oposta permitindo largadas de 1.800 e 2.000 metros, no último caso permitindo 1.000 metros em linha reta antes do final da reta oposta, e outro na entrada da final, permitindo páreos de 1.000 metros em linha reta, sendo que os dois prolongamentos, o dos 2.000 metros e o dos 1.000 metros, são iluminados conforme toda a pista.
No Rio, tudo ou quase tudo é diferente. Quando o Hipódromo da Gávea foi construído, como diziam os jornais na época em área arenosa e longínqua, pouco habitada, ainda semi-abandonada, havia espaço de sobra para uma utilização livre sem quaisquer restrições. O Hotel Copacabana Palace, um marco na história na área hoteleira do Rio de Janeiro, também foi implantado em área deserta, longe dos bairros mais chiques do Rio como o do Flamengo e de Botafogo, e aproveitando-se do bom espaço à sua disposição, foi construído um grande e super hotel, em preciosa arquitetura, em moldes internacionais, com todos os requintes de um hotel de primeira grandeza. Foi muito bem aproveitado o ótimo espaço disponível. Isso em Copacabana, imagine-se a área disponível mais além, passando por Ipanema e Leblon, antes da área disponível na Gávea. A arquitetura francesa foi e ainda é um sucesso, mas no que diz respeito ao principal, isto é, a área para os cavalos, a competência não foi a mesma. No inicio da reta de chegadas há um prolongamento de cerca de 550 metros, até hoje não iluminado, e que não é uma linha reta da seta dos 1000 metros até a entrada da reta final, da seta de partida até a entrada da reta o prolongamento vai reto até o seu final, e para entrar na reta tem uma curva, que se por um lado não é fechada, pelo menos não é reta. É incompreensível como, tendo-se tanta área disponível, o prolongamento da reta de chegadas larga de um ponto que exige uma curva para que os animais entrem na reta final. Outro problema é a não existência de prolongamento no inicio da reta oposta, criando problemas como a impossibilidade de páreos em 1.800 metros, a entrada da reta oposta tem uma curva de linha convexa, “empurrando” os animais para o lado externo da pista, uma curva da direita que na verdade é uma semi-reta entre duas “esquinas”, e no meio dela, entre as duas “esquinas”, a largada dos 2.000 metros. Com a convexidade da curva da entrada dos 1.600 metros, ela é maior que as outras e se forma a reta oposta, que não é paralela à da final. A raia de grama não tem sempre a mesma largura. Por exemplo, com o “afunilamento” da reta oposta, há trechos em que cabem 20 animais ou mais no partidor, e em outros um máximo de 18. Eu não sei por que isso foi assim feito. Eu tive em mãos uma planta não só original como tecnicamente perfeita apresentada como uma boa solução para o aproveitamento da pista. Em lugar da tal curva convexa, que é na verdade um bico protuberante exigindo uma curva bem mais aberta, em lugar dela uma curva suave que orientava a pista em direção ao atual Clubinho da Lagoa, e mais adiante outra curva suave endereçava a pista para outra cura suave, que fazia da atual grande curva quase que uma semi-reta, tudo muito suave para poupar os cavalos e permitir competições, digamos assim, mais confortáveis. Desconheço eventuais propostas para um prolongamento no inicio da reta oposta, outro que permitisse uma largada em linha reta partindo de onde e desde então parte da área do estacionamento dos automóveis para colaborar para a melhoria das condições da largada dos 2.000 metros, enfim, soluções racionais para o melhor aproveitamento da então enorme área disponível. 
E é nessas pistas de Cidade Jardim, ótima no planejamento e apenas boa no piso, com sua tradicional vantagem para os animais que correm perto da cerca de fora na reta de chegadas, e já há algum tempo uma boa drenagem desde que o assunto foi entregue a Paulo Nania, técnico que já há muito tempo cuida da pista gramada da Gávea com espetaculares resultados. Na Gávea, o traçado da pista é ruim, mas o piso muito bom. Antigamente, era muito comum os proprietários mais entusiasmados inscreverem os seus cavalos em Clássicos e em Grandes Prêmios, mesmo sem chances de vitórias mas para mostrar as suas fardas. Isso resultou em que, em muitas provas importantes, o número de inscritos criava problemas, pelo excesso. Não sei precisar a época, mas se não me engano há uns 30 anos, o JCSP disciplinou o problema, com um belo trabalho técnico.
Para não haver subjetividades apreciações pessoais, palpites, opiniões, e partindo do principio de que, qualquer que seja o critério adotado, ele não é perfeito, não dá para enquadrar em qualquer que seja o regulamento uma apreciação do julgamento totalmente isento de imperfeições, o JCSP criou um regulamento especifico, objetivo, em função de resultados, sem margens a opiniões e palpites. Como meros exemplos. Se um potro do Araras, ou de outra excelente procedência, estrear vencendo facilmente por vários corpos e em tempo record, e tiver que ser comparado para efeito de aproveitamento ou não, em caso de excesso de inscrições, com outro potro que havia corrido 10 vezes, obtido uma vitória e assim mesmo por desclassificação por motivo de medicação irregular daquele que chegou naquele páreo à sua frente, depois ou antes tivesse 5º lugar em páreo com apenas 5 inscrições, e mais 8 apresentações chegando em 8 últimos, nesse confronto regulamentar, 1 vitória e um 5º é mais do que 1 vitória, e aquele que em foco de qualidade seria o escolhido, em termos de resultados 1 vitória e 1 quinto é mais do que uma vitória. Outro exemplo seria a comparação de um cavalo que correu 10 vezes, obtendo 1 vitória e 9 últimos, contra outro que também correu 10 vezes, não ganhou mas obteve 10 segundos lugares. No critério qualitativo haveria margem para opiniões, mas no de resultados, um dos dois tem 1 vitória e o outro não, assim o com 10 segundos lugares é excluído. Certo ou errado, justo ou injusto, esse enfoque de resultados é o único em que não há margem para palpites, é objetivo. O trabalho do JCSP foi entendido pelo JCB como bom, e desde então ele é o regulamento que orienta o aproveitamento ou não de inscrições no caso de excessos. São Paulo e Rio diferem em alguns detalhes, mas sempre respeitando o regulamento. São Paulo embora coloque as Provas Especiais no Calendário Clássico junto com os Clássicos e os Grandes Prêmios, encara as Provas Especiais possíveis de não serem programadas por insuficiência de inscrições, e em caso de excesso, o páreo pode ser dividido, mas nos Clássicos e Grandes Prêmios os páreos são obrigatoriamente programados mesmo que só com uma inscrição, e o número excessivo de inscrições é submetido a regulamento.
No Rio, no caso dos Clássicos e dos Grandes Prêmios, tem o mesmo comportamento que São Paulo. Mas quanto às Provas Especiais, são de programação obrigatória, em caso de número excessivo poderão ser divididos, mas com inscrições consideradas insuficientes, o páreo pode ser transferido para a semana seguinte, conforme permite o Código Nacional de Corridas, e com reabertura das inscrições. Na Gávea, como o traçado da reta é irregular, há setas de partidas que comportam 20 concorrentes, mas em outras apenas 18. Para simplificar, e partindo do principio de que 18 competidores já é número mais do que suficiente para abrigar animais com reais chances, todos os páreos são limitados a 18 competidores. A tabela para exclusão dos excedentes de 18 inscrições é a seguinte, ficando em ordem de eventuais aproveitamentos, apresentada pela ordem de resultados. Na hipótese de ser superior ao permitido o número de animais inscritos para as provas da Programação Clássica destinadas à mesma idade, terão preferência, pela ordem.
- a) ganhadores de Grupo I
- b) ganhadores de Grupo II
- c) ganhadores de Grupo III
- d) colocados em segundo lugar em Grupo I
- e) ganhadores de Provas Listed
- f) colocados em terceiro lugar em Grupo I
- g) colocados em segundo lugar em Grupo II
- h) colocados em segundo lugar em Grupo III
- i) colocados em terceiro lugar em Grupo II
- j) colocados em terceiro lugar em Grupo III
- k) colocados em quarto lugar em Grupo I
- l) colocados em quinto lugar em Grupo I
- m) colocados em quarto lugar no Grupo II
- n) colocados em quarto lugar em Grupo III
- o) colocados em quinto lugar em Grupo II
- p) colocados em quinto lugar em Grupo III
- q) colocados em Provas Listed, prevalecendo sempre a melhor colocação.
nota da redação: clique aqui para ver o regulamento atualizado de suplentes da Gávea e/ou regulamento de uso da pista de grama
