Um astro e uma estrela (Milton Lodi) » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Um astro e uma estrela (Milton Lodi)

  O ano de 2016 foi muito bom para o turfe carioca, mesmo em se considerando o desaparecimento de Alcides Morales no fim do ano, uma perda irreparável no que diz respeito à honestidade e competência na complexa arte da preparação de cavalos para corridas. Na virada do ano, pode-se destacar a alta competência da Escola de Jóqueis do JCB, mais conhecida como Escola dos Aprendizes. O corpo diretivo é pequeno, mas muito bem supervisionado pela Comissão de Corridas. Na parte técnica, dois ex-jóqueis, notáveis pelas suas competência e honestidade, Marcelo Cardoso, que além de ótimo professor é o Coordenador Técnico, e um dos ex-jóqueis veteranos, José Machado Filho, de físico pequeno e de um enorme talento na arte de montar, e que procura dentro do possível transmitir os seus conhecimentos. Por isso, não é surpresa que a Escola de Jóqueis do JCB venha produzindo sem interrupções aprendizes de ótimas qualidades. O setor administrativo da Escola está em mãos de Juliana Dias, ex-treinadora, filha do treinador Emérito Odir Jorge de Menezes Dias, o veterano Cai Cai amigo de todos, e mãe da aprendiz estrela Vitoria Mota.

ws200Aliás, o ano de 2016 apresentou no âmbito dos novos jóqueis um astro e uma estrela, ambos de especialíssimas qualidades morais e técnicas. O astro tem atualmente 20 anos de idade, é pequeno, forte, corajoso, calmo, e que conseguiu em 2016 um resultado pouco comum para um iniciante na profissão, qual seja, venceu o Grande Prêmio Brasil, e de modo especial, pois o seu conduzido vinha se perdendo em piso de grama escorregadio, muito molhado, e entrou na última reta em último. Isso para ele não é problema, pois ele entende que, lá de trás, ele pode bem visualizar os melhores espaços, e tendo um bom cavalo, pode com habilidade e esforço conseguir melhorar o seu posicionamento e até mesmo ganhar, que foi o que aconteceu em junho. A vitória foi inesperada e sensacional. Wesley Mateus da Silva Cardoso, o W.S Cardoso dos nossos programas, o Mateus para os mais chegados, é muito calmo, esperto, de físico forte modelado por 4 dias de montarias nos programas e seis manhãs de trabalhos preparatórios na Gávea e em dois Centros de Treinamento, além de fazer exercícios em academias de ginástica duas ou três vezes por semana. Isso, com um bom intuito, muita vontade de ganhar e o pouco uso do chicote, apenas o mínimo necessário, e apoiado por uma boa família, o que lhe dá uma boa tranquilidade, W.S Cardoso, o Mateus, teve um especialíssimo brilho em 2016. Com mais de presumíveis 30 anos pela frente de profissão, o bom caráter e valente Mateus, que já foi um astro destacado ainda oficialmente de menor idade, merece um elogio muito especial, ainda mais que o seu trabalho e em meio ao mais seletivo dos quadros de jóqueis, o da Gávea, que conta não só com os melhores da Gávea como também de Cidade Jardim, que para cá vieram em busca de melhores condições e de dotações mais favoráveis. Assim, Wesley Mateus da Silva Cardoso, merece ser considerado o Astro de 2016. Por outro lado, no setor feminino, surgiu uma figurante estrela de 17 anos de idade, que se iniciou nas pistas da Gávea na segunda semana de agosto, e que quando completou 18 anos de idade, cerca de 4 meses depois, já tinha obtido mais de 50 vitórias. Esse excepcional feito seria quase impossível, mas acontece que, além do suporte da Comissão de Corridas, da Escola de Jóqueis do JCB, e dos competentes professores, ela contou desde a 1ª semana como joqueta – aprendiz com o apoio da mãe, do avô, da comunidade turfística, e ainda do pai, um extraordinário jóquei de sensibilidades muito especiais, o Alex Mota, que, sem se meter com os ensinamentos de Marcelo Cardoso e José Machado Filho, contando ainda com o eventual aconselhamento do pai Alex Mota, que, peço licença para emitir a minha opinião, tem um grande talento jogado no lixo. vick8Vitoria “Borboletinha” Mota é pequena, monta leve, é corajosa, escuta as instruções que recebe não só de seu pai, e de seus instrutores e também dos treinadores que lhe confiam as suas montarias, corre bem na frente, no meio e atrás dos pelotões, e embora não seja ainda uma atleta, a sua dedicação e empenho, além de ótima cabeça, resultam em um enorme sucesso. Em junho de 2016, tive o privilégio de escrever que brilhava no céu da Gávea uma nova estrela, e o nome dela é Vitoria “Borboletinha” Mota. 

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Para encerrar o texto de hoje, não posso deixar de apontar dois importantes detalhes no que eu respeito ao turfe carioca. O primeiro é que, enquanto o movimento Geral de Apostas em 2015 foi de 190 milhões de reais, em 2016, com todo o turbilhão de problemas econômicos, financeiros e políticos de nosso país, com tudo isso mas já livre da mancha vermelha que sufocava o nosso país, o M.G.A. fechou em cerca de 194 milhões. Por outro lado, as 14 novas agências da PMU previstas para 2016 terminaram sendo 28. Está mais do que na hora dos pessimistas ficarem quietos. 

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