Bal A Bali vai para reprodução* (Milton Lodi) » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Bal A Bali vai para reprodução* (Milton Lodi)

Bal A Bali vai para reprodução*  (Milton Lodi)  

A notícia de que Bal A Bali vai servir, a partir do primeiro semestre de 2017, mesmo a um custo promocional de coberturas de 10 mil dólares, é um fato muito promissor para o turfe brasileiro, ainda mais que vai trabalhar na famosa Calumet Farm.

Bal A Bali 260x190Bal A Bali quando no Brasil, foi um líder inconteste e um destruidor de recordes, sempre correndo acomodado entre os primeiros, e vencendo com autoridade com forte aceleração a partir aproximadamente dos últimos 400 metros. Suas performances eram matemáticas, e isso atraiu o interesse do turfe norte americano, que o levou por boa soma. Aconteceu então o inesperado, Bal A Bali, em início de preparos para correr, foi vítima de forte aguamento. Por falta de detalhadas informações, e ante a surpresa geral, iniciou-se uma série de conjecturas para o fato, inclusive admitindo-se um novo sistema de treinamento. Isso se justificaria pela habitual diferenças entre os sistemas habituais de treinamento no Brasil e nos Estados Unidos. No Brasil, como em todos ou quase todos os hipódromos do mundo, há uma variedade de sistema de trabalhos, mas basicamente, no Brasil há, como nos Estados Unidos, o culto ao cronometro, os treinadores aferem o estado atlético dos cavalos pelos tempos colhidos nos trabalhos preparatórios. A diferença está em que, no Brasil, os trabalhos para aferição do momento dos cavalos é muitas vezes forte, mas trabalhos esses intercalados com movimentações menos violentas, e sempre em função da distância marcada para o próximo compromisso, enquanto que nos Estados Unidos, não só os galopes diários são mais rápidos como, talvez na maioria dos casos, uma vez por semana os corredores são submetidos a uma partida muito forte em 700 metros, independentemente da distância do próximo páreo a ser inscrito. Se a distância do próximo páreo é superior a 1.600 metros, a partida semanal sobe para 1.000 metros. Mas por que, como princípio 700 metros? Porque, em condições de um cavalo médio, normal, 700 metros é o limite que a Natureza dá a um cavalo para correr a toda velocidade sem respirar, em um fôlego só. Um pouco mais, um pouco menos, 700 metros é o número. É por esse motivo que as principais pencas brasileiras são disputadas em 700 metros, em uma estirada só desde a largada, sem respirar, em um só fôlego. O número 700 é sensível claramente quando, nos hipódromos e em páreos com cavalos de padrão técnico equivalente, nos páreos de distâncias curtas os ponteiros costumam se entregar quando faltam 300 ou 200 metros para a linha de chegadas.Bal A Balipost

Explica-se assim porque Mensageiro Alado, sempre dirigido pelo Mestre Juvenal Machado da Silva, embora montando o cavalo à época mais veloz do Brasil, corria bem colocado mas não na ponta, e adequava para uma violenta partida final, de maneira geral vitoriosa. Juvenal deixava Mensageiro Alado respirar, e com uma partida curta, pegava os ponteiros nos últimos 200 ou 300 metros. Nos Estados Unidos, as violentas partidas semanais estimulam uma forte aceleração sem respirar, e na corrida, os jóqueis procuram um tiro o que entendam adequado à distância do páreo. Esse estilo de trabalhos preparatórios é o responsável pelo menos em parte dos tempos parciais vertiginosos da maioria páreos, e a consequente finalização melancólica que lá é habitual, como meros exemplos, os primeiros 400 metros em menos de 23 segundos, e os últimos 400 metros em mais de 26. Como já disse, a falta de informações detalhadas impede um entendimento real, mas uma provável hipótese do tal aguamento pode ser a exagerada e sistemática violência nos trabalhos sempre curtos de lá. Um cavalo em fase inicial de preparo para correr, pode perfeitamente ser vítima de aguamento, se não estiver, como normalmente não está em princípios de treinamento para correr. Mas o que importa no momento é que, após ganhar e se colocar em várias provas de grupo I, II e III não sei se com um sistema adequado de trabalho e um especial modo de ser corrido, colocado para uma partida de meio de reta (lá reta inteira pois a extensão das pistas é menor), Bal A Bali vai para reprodução*  (Milton Lodi) parece que vai ter uma grande oportunidade de mostrar o seu grande valor técnico. 

*NOTA DA REDAÇÃO: Recentemente BAL A BALI voltou a treinar e aparentemente deverá reaparecer em uma prova de G2 na California, para posteriomente ser encaminhado a reprodução.

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