Um dos detalhes técnicos que a Comissão de Corridas tem a resolver é o preparo de um novo regulamento da Escola de Jóqueis, mais conhecida como Escola dos Aprendizes. Um dos maiores equívocos é manter desnecessariamente os aprendizes na Escola por anos, em escala incorreta do tempo das categorias. Explicando melhor, é o número de vitórias que deve classificar as qualidades dos meninos, em um determinado tempo. Os casos de Vagner Borges anteriormente e Leandro Henrique recém atualmente, que chegaram a vencer as estatísticas anuais de jóqueis como aprendizes comprovam o contrassenso.
Um caso que deve ser lembrado como até ridículo teve como personagem uma joqueta de limitados recursos técnicos, Marcele Martins, que durante tempo muito excessivo levava 6Kg de descarga. 2 por ser mulher e mais 4 por ser de quarta categoria. O aprendizado, digno de todo o respeito pois tem dado muito bom resultado, tem que ser tratado com mais, digamos, respeito técnico. Naquela época da tal joqueta, de padrão apenas regular, que vencia a grande maioria dos páreos tomando logo a ponta e pouco se mexia para não atrapalhar. E as vitórias se sucediam pela enorme vantagem da descarga. Voltando aos 6Kg de descarga vale lembrar que há um estudo sobre a equivalência entre o peso e a vantagem em corpos, feito por ingleses e de muita praticidade, que, em resumo, levando-se em conta a distancia do páreo e piso, de um modo geral, deve-se considerar que, em 1.600 metros e em pista de grama não molhada, cada 1Kg de diferença corresponderia a 1 corpo. Agora imagina-se o que aconteceu durante muito tempo, aquela joqueta fisicamente bem leve, e levando 6Kg de vantagem correspondendo a cerca de 6 corpos. Houve uma época não curta em que ela era grande ganhadora de páreos comuns, vitórias essas de responsabilidade da absurda descarga de vantagem e não pela sua técnica em montar. Com o correr do tempo, os 6 Kg passaram a 5, depois a 4, e assim aos poucos as vitórias foram diminuindo. Até que minguaram. A referida joqueta parou de montar por um tempo, e quando voltou, ou quis voltar, não havia mais a descomunal vantagem. E abandonou o turfe carioca, parece que foi para os Estados Unidos.
Essa vantagem inicial para os mais novos na profissão tem que ser por prazo adequado, curto, limitado, pois a inicial vantagem para as mulheres de 2Kg já passou para 1Kg, e tende a desaparecer (como exemplo, Josiane Gulart, Vitória Mota(foto) precisam desse 1Kg para brilhar ? , e os 4Kg de descarga para a quarta categoria só pode existir para os iniciantes, aqueles que recém saem da Escola. Por isso, pela simples observação da prática apresentada pelos aprendizes, penso que as 4 categorias assim deveriam ficar distribuídas. 4kg para a quarta, até que seja completada a vitória de número 5 – descarga de 3Kg para a terceira categoria, da vitória número 6 até a 15 – descarga de 2 Kg para as vitórias de número 16 até 30 – descarga de 1 Kg da vitória número 31 até a 50. Atingida a vitória de número 50, é dada por terminada a fase de descargas de peso afinal, ganhar 50 corridas levando vantagem de peso é suficiente. Para normatizar, a contar da primeira semana em que ocorrer a estreia do aprendiz iniciante, termina a frequência do aluno na Escola de Jóqueis. Quando completar 80 semanas isto é, pouco mais de 1 ano e meio. Se a vitória de número 50 ocorrer antes da semana de número 80, o aluno poderia continuar frequentando a Escola até a semana 80, mas já na qualidade de jóquei, matriculado como tal no JCB. Aqueles aprendizes que, até a semana 80, não tiverem obtido as 50 vitórias, seriam encaminhados ao Jockey Club do Rio Grande do Sul e/ou o Jockey Club do Paraná, onde poderão tentar o número de vitórias que faltam para 50, consideradas cada 4 vitórias igual a 1 vitória no JCB, naqueles Hipódromos. Note-se que o número de vitórias com descarga vai aumentando em sistema de pirâmide inversa, 4Kg por 5 vitórias, 3Kg para 10 vitórias, 2Kg para 15 vitórias e 1Kg para 20 vitórias.
À medida que o aprendiz vai mostrando melhoras, tem descarga menor em prazo maior. O peso é coisa séria, em muitos Hipódromos do mundo ele é a razão de ser da formação dos programas, no sistema de handicaps, que são páreos em que há uma distribuição individual de pesos visando um pretenso equilíbrio de forças. O JCB não é obrigado a dar matrícula de jóquei a todos que passam pela Escola de Jóqueis, mas naturalmente cuida caprichosamente para formar profissionais de boa categoria. Há ainda a considerar os alunos que já chegam à Escola com vitórias, alguns com muitas. Eles se iniciam muito cedo (o clássico internacional Antonio Bolino, com 12 anos de idade, já montava nas pencas paranaenses). Com 15 anos de idade, os meninos chegam na Escola do JCB muitas vezes como grandes ganhadores em Hipódromos menores. Como classificá-los em categorias, se as condições de procedências são quase impossíveis de serem aquilatadas? Alguns mostram-se bons participantes, outros se destacam. Entre os que ultimamente tem se destacado, pode-se citar Francisco Leandro, que veio do Ceará e é líder das estatísticas em Buenos Aires, e Leandro Henrique, que vindo do Jockey Club de Pernambuco, que como simples aprendiz ganhou a estatística de jóqueis na Gávea no ano Hípico 2015/2016. Não há critério justo para classificatórias em suas entradas como alunos na Escola do JCB. A maneira mais sensata é, em se tratando de vitórias fora dos quatro principais Hipódromos Brasileiros, classificá-los inicialmente na quarta categoria. Os realmente bons logo se destacarão.
Veja-se como exemplo recente o caso de Vitória Mota, que nunca montou fora do Rio, que só nas primeiras semanas 13 ou 14 semanas, atingiu 48 vitórias, e que está convidada para participar de um campeonato de joquetas em Macau, no mês de fevereiro próximo.
