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Drosselmeyer (Milton Lodi)

 Drosselmeyer-frontUma ótima notícia para o turfe brasileiro é referente ao garanhão norte-americano Drosselmeyer. Durante algum tempo eu freqüentei Bagé, RS. Lá eu passava uma semana por ano, e aproveitava para visitar os muitos bons reprodutores da região, cheguei a ir, em uma só semana, ver mais de 35 garanhões, aqueles que produziam os ganhadores clássicos das principais provas nobres no Brasil. Além de quase todos daquelas provas do Hipódromo da Gávea, muitas das principais provas de Cidade Jardim eram vencidas por filhos daqueles especiais reprodutores, em suas habituais incursões ao Hipódromo de Cidade Jardim. O padrão era ótimo e lembro-me que, entre tantos os muitos tipos físicos que mais impressionavam, estavam o norte-americano Wild Event, do Haras Santa Maria de Araras, e o nacional Redattore, alojado no Haras Old Friends. Eles eram na verdade de extrema beleza, bem equilibrados, na verdade dois garanhões de extraordinária aparência. Esses dois destaques tinham ainda maior importância porque faziam parte do maior e melhor agrupamento de boa qualidade do turfe nacional. Eu ficava hospedado no Haras Santa Ana do Rio Grande, principescamente acolhido com o melhor conforto, fidalguia e simpatia. E acompanhando o veterinário responsável Walter Flores, tive abertas as portas de todos os Haras. Cada Haras apresentava características próprias, os mais antigos os mais arborizados, já com as árvores e vegetações em plena maturidade, cada um a seu jeito uma arquitetura rural diferente e especial.

Como mero exemplos, os coqueiros plantados junto à casa dos reprodutores no Haras Old Friends, o bosque encantado pela permanente manifestação das caturritas junto ao pavilhão dos garanhões do Santa Ana, o lindo e simples mausoléu onde está sepultado Ghadeer no Mondesir, o conjunto do Haras Doce Vale com a encantadora maturidade de um haras pronto para seguir produzindo ganhadores de provas nobres, a simplicidade técnica dos lindos piquetes dos Haras Anderson e Santa Maria de Araras, enfim, os muitos lindos e qualificados Haras que compõem, com os seus criatórios, com todas as qualidades de seus importantes garanhões. Os péssimos anos de administração geral vermelha refletiram-se fortemente nos Haras. As épocas de habituais necessárias importações estão hoje paralisadas, e animais que viriam para melhorar o padrão de nossos plantéis deixaram de existir, não se compra mais no exterior, usa-se o sistema de “shuttle’, que é a importação por prazo determinado, de um modo geral por um semestre, e lá se vai embora de volta um melhorador. As autoridades financeiras de nosso país também colaboram para as não importações definitivas, pois elas são taxadas pelos verdadeiros valores de compra, em 30%. Isso quer dizer que, ao contrário do que seria desejável e de se esperar, em lugar do Governo colaborar com as necessárias importações facilitando e procurando dentro do possível desonerar os investimentos, pratica o contrário, taxando em 30% cada investimento. Essa atitude é responsável pelo grande encarecimento no que diz respeito às importações, mas infelizmente é assim que é tratada a criação brasileira, e o setor das corridas também, basta lembrar-se que há um novo Código Nacional de Corridas que foi estudado e preparado à luz das modernidades, atualizando as regras de funcionamento das corridas, que está engavetado no nosso Ministério da Agricultura há cerca de um ano, aguardando um “de acordo” do Ministério, esperando que as autoridades daquele Ministério simplesmente acordem.

Mas ante a desolação de Haras que se fecham, cavalos e éguas que são leiloados por quaisquer preços, quando não dados, e a economia no que diz respeito ao turfe vai encolhendo, agora surge uma notícia a ser aplaudida. Em uma das minhas visitas a Bagé, há uns poucos anos, fui visitar no Stud TNT um cavalo que havia vencido, entre outras provas, a Breeder´s Cup Classic e a 3ª prova da Tríplice Coroa o Belmont Stakes. Era um cavalo de formidável físico, muito forte, mas que apresentava cansaço. Ele havia encerrado a sua campanha nas pistas no mês de novembro, e logo em fevereiro iniciou as suas funções de garanhão trabalhando mais de 100 éguas. O Stud TNT comprou os seus direitos de reprodutor para os segundos semestres, e no imediato mês de agosto o cavalo, já em Bagé, recebeu mais um grande número de éguas. Em dezembro, voltou para os Estados Unidos, e em fevereiro tomou conta de mais um enorme número de éguas. Em junho, voou de volta ao Brasil, para mais um forte compromisso. Foi quando eu conheci Drosselmeyer um formidável cavalo de corridas que demonstrava estar cansado. Drosselmeyer praticamente descansava nos aviões que o levavam para os Estados Unidos e o traziam de volta. No inicio das campanhas nas pistas os filhos de Drosselmeyer corriam páreos muito curtos e muito cedo para suas reais aptidões. Nos Estados Unidos, garanhões que na 1ª e/ou na 2ª geração não dão produtos de alta qualidade, são colocados à venda, dando lugar àqueles que dão maiores precocidade e velocidade em especial. Com a desvalorização de Drosselmeyer, o Stud TNT, já proprietário com alguns condôminos do cavalo para os segundos semestres, comprou o cavalo, vai ter que pagar os absurdos 30% de imposto brasileiro. O cavalo não cobriu no 2º semestre de 2016, não vai cobrir no 1º semestre de 2017, e a partir do 2º semestre de 2017 vai melhorar ainda mais as performances de seus filhos brasileiros, que embora ainda estejam iniciando as suas campanhas, já mostraram boas qualidades. O turfe brasileiro está de parabéns pela vinda definitiva de Drosselmeyer, que ficará alojado em caráter definitivo no Haras Old Friends, em Bagé.

Logo após a realização dessa brilhante compra de Drosselmeyer, um filho dele nascido nos Estados Unidos venceu o Derby do Peru (Huracan Americo) em sua 2a atuação.

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