O jóquei Marcelo Almeida, detentor de inúmeros títulos dentro do turfe, é uma pessoa que pode-se considerar predestinada. Perdeu o pai ainda criança e, para ajudar a mãe, teve de parar de estudar para ajudar com o sustento dentro de casa. O ainda garoto desembarcou na cidade de Friburgo, Região Serrana do Rio, na casa de um tio. E, como uma coisa do destino, na casa deste tio funcionava um haras, onde o treinador Oraci Cardoso era o responsável. Alternando o trabalho com os cavalos do haras e alguns bicos de guardador de carros, o biotipo que favorecia e o talento demonstrado sobre o dorso de um PSI foram encaminhando o garoto Marcelo Almeida para a difícil profissão de jóquei.
Mas, como Marcello Cardoso e Cesar Gustavo Netto estavam sendo preparados para ingressar na Escola de Profissionais de Turfe naquele momento, M. Almeida teve de procurar outros ares, mais precisamente no Haras Santa Maria de Araras, onde um outro tio era redeador e trabalhava diretamente com o saudoso Wilson Lavor, pai do grande jóquei Carlos Lavor.
– Este saudoso treinador (Wilson Lavor) acabou sendo responsável por me levar para a EPT. Aprendi a montar mesmo lá no Araras e acabei me beneficiando muito disso quando vim para a escolinha – afirmou.
Este jóquei, querido por todos no Hipódromo da Gávea, é mais um a contar mais sobre a sua vida na coluna Papo do Prado. Confira a entrevista completa:
Como era a sua vida antes de vir para o Jockey?
Não tenho muita história pra contar, fiz algumas coisas, guardei carros…Tudo para ajudar a minha mãe dentro de casa.
Quando você não está nas carreiras, o que você gosta de fazer?
Gosto demais de cinema, gosto muito de correr também. Jogava muita bola na praia, mas agora tá mais difícil, pois tive uma lesão na virilha e complicou um pouco.
Tem algum prato preferido?
Tenho alguns, como frango com quiabo, strogonoff de frango, arroz e feijão. Não tenho problemas para comer.
Quando viaja, prefere praia ou serra?
Prefiro praia, pois gosto muito de tudo que se faz por lá. Corro bastante na praia. Vou na serra diariamente para trabalhar os cavalos, já que os CTs ficam quase todos na Região Serrana.
Gosta de livros? Costuma ler algo?
Olha, isso é até ruim de falar, não gosto de ler nada, no máximo a revista do Jockey e o programa com as montarias.
Qual o time que você torce?
Gosto de futebol, mas não sou fanático. Sou Flamengo.
Do que você mais gosta no turfe?
O que eu mais gosto no turfe, com toda certeza, é lidar com os cavalos. Todos que estão neste esporte estão pelo amor pelos cavalos de corrida e eu não sou diferente.
E do que menos gosta?
A pouca divulgação que temos. Acho que do cavalariço ao proprietário, todos precisam aparecer mais, precisam ter mais divulgação. Outra coisa que me incomoda bastante é a falta de união entre os profissionais. Acredito que precisamos ter mais união.
Qual o cavalo que mais gostou de montar?
Já montei muitos cavalos bons, claro que você sempre pensa, quando chega aqui, em ganhar GP Brasil, mas todos os cavalos que montei e ganhei merecem uma homenagem. Não tenho como escolher um só. Tenho quase 2.000 vitórias e cada uma delas foi especial e diferente.
Qual o cavalo que gostaria de ter montado?
Com toda certeza o Itajara. Montei muitos craques, mas o Itajara é histórico.
Você tem alguém aqui que serve de referência para você?
Dois jóqueis, por suas diferenças, são referência para mim. O Juvenal Machado e o Ricardinho. O Juvenal não ligava para nada, entrava e ganhava as corridas, parecia brincadeira. Já o Ricardo, é um cara centrado, está sempre concentrado para vencer.
Por Emerson Silva, Leandro Mancuso e Sylvio Rondinelli. Fotos: Gerson Martins e Sylvio Rondinelli
