Ganhador dos Derbies Britânico e Irlandês, Harzand poderá render o “penta” a Aga Khan
O Prix l’Arc de Triomphe do próximo domingo, como não poderia deixar de ser, atrai as atenções de turfistas de todo o mundo. Desta feita, porém, há algo que vai além da própria essência do páreo, que é tido por muitos como a mais cobiçada corrida de cavalos do globo. Em seus (iminentes) 96 anos de história, o Arco será interpretado, pela primeira vez, num outro palco, que não Longchamp. Enquanto o maior hipódromo de Paris encontra-se em vias de ser revitalizado, caberá às charmosas instalações de Chantilly sediar a disputa da prova mor do turfe francês.
E se o fato, por si só, acresce um “que” de interrogação sobre o Arco deste ano, essa interrogação se múltipla num piscar de olhos diante da seguinte pergunta: quem vencerá? Obviamente nunca fora tarefa das mais fáceis dar o prognóstico de uma corrida da magnitude de um Prix l’Arc de Triomphe. Acontece que desta vez, ao invés da preferência dos catedráticos de plantão se dissipar entre 3, ou 4, animais, o lote composto por 16 postulantes à vitória é capaz de render palpites em número ainda maior.
No universo futebolístico, não raramente torcedores, e até mesmo comentaristas, se rendem à máxima de que, em momentos de equilíbrio, ou definição, a camisa pesa. Trazendo o jargão à realidade turfística, também é bastante comum se deparar com aficionados que acreditam piamente que com as fardas a coisa funciona de forma parecida. E talvez esse seja, justamente, o caso de Aga Khan. A vitoriosa farda verde, todavia, se vier a “pesar” no domingo, não será à toa. Ganhador dos Derbies Britânico e Irlandês, Harzand firmou-se como o melhor corredor da geração 2013 na Europa, em corridas disputas na distância da milha e meia. E não por menos, o castanho (cujo pai, Sea The Stars, vencera este mesmo páreo em 2009) é a indicação de muitos carreiristas para o Arco que se avizinha.
Mais do que ratificar a condição de Aga Khan enquanto uma das maiores operações turfísticas da Europa, a eventual vitória de Harzand renderia ao seu proprietário um feito histórico: as 5 vitórias de Marcel Boussac, até então o líder isolado em troféus do Arco, seriam finalmente igualadas por alguém. E esse alguém seria Aga Khan, que por sua vez já coleciona os sucessos de Akiyda (1982), Sinndar (2000), Dalakhani (2003) e Zarkava (2008). A fim de evitar qualquer mal entendido, merecem friso, também, as informações de que Aga Khan III, o pai de Aga Khan IV, sagrou-se vitorioso em duas edições da prova: em 1948 com Migoli e em 1952 com Tantieme; e de que Vedevani (Dubawi), muito embora com chances muito menores do que as de Harzand, também defenderá Aga Khan IV no embate de logo mais.
Coincidência, ou não, há outro “gigante” do turfe mundial presente ao páreo que também poderá tornar-se pentacampeão da competição. Khalid Abdullah, titular da Juddmonte Farms, estará representado por New Bay (Dubawi), que depois de vencer o Derby Francês em 2015 veio a finalizar em terceiro no Arco do mesmo ano vencido pelo já citado Golden Horn. À eventual conquista de New Bay (que vem de terminar em quarto no Irish Champion Stakes (gr.I), vencido pelo ausente no Arco, Almanzor) se somariam, ainda, as vitórias de Rainbow Quest (1985), Dancing Brave (1986), Rail Link (2006) e Workforce (2010), que conquistaram o páreo para Khalid Abdullah no passado.
Para se fazer frente ao peso incorporado pelas fardas de Aga Khan e Khalid Abdullah, são poucas as jaquetas disponíveis no turfe internacional. Não há dúvidas, porém, que uma delas consiste na farda das conexões da Coolmore. Para o compromisso deste domingo, o staff composto por Derrick Smith, Michael Tabor e Mrs. John Magnier não terá apenas 1, mas sim 3 defensores (todos eles filhos de Galileo) na raia de Chantilly: égua das mais atrevidas, Found foi justamente a algoz do último ganhador do Arco, Golden Horn, na Breeders’ Cup Turf (gr.I) do ano passado; Highland Reel soma o recente êxito no King George VI & Queen Elizabeth Stakes (gr.I) na Inglaterra; e Order of St. George, depois de 6 vitórias consecutivas, somente voltou a conhecer derrota no último Irish St. Leger (gr.I), em que perdeu uma corrida sem nome. Quanto a Order of St. George há, ainda, uma consideração especial: muito de sua já citada derrota pôde ser atribuído à categoria de Frankie Dettori no dorso de Wicklow Brave na ocasião. Agora, todavia, o talento de Dettori será posto a favor de Order of St. George, uma vez que caberá ao célebre jóquei italiano (já vencedor de 4 “Arcos”) a sua condução.
Ainda sem conhecer derrota em 2016, Postponed (Dubawi) talvez seja o melhor cavalo adulto da Europa, na atualidade. Vindo de conseguir uma série de fáceis vitórias, em importantíssimas disputas do calendário internacional, o bonito castanho poderá conseguir no Arco a consagração definitiva para uma campanha à altura dos melhores animais de sua época. Ganhador do Derby Japonês, e tendo repetido a dose na França, na preparatória do Prix Niel (gr.II), Makahiki (Deep Impact) está pronto para vingar as recentes derrotas de Orfevre, e entrar para a história do turfe nipônico – cujo “namoro” cada vez mais sério com uma vitória no Arco somente comprova que o “caldo nutritivo” cultivado pelos japoneses à base de profissionalismo, altos investimentos e muita paixão pelas corridas de cavalo não “cheira” à toa.
A brilhante ganhadora do Prix Vermeille (gr.I), Left Hand (Dubawi) – que poderá se tornar a quinta égua, nos últimos 10 anos, a vencer o Prix l’Arc de Triomphe; os também ganhadores de corridas preparatórias, Silverwave (Silver Frost) e Savoir Vivre (Alderflug); o múltiplo ganhador de G1, The Grey Gatsby (Mastercraftsman); Talismanic (Medaglia D’Oro), pertencente à Godolphin, e que por isso mesmo recebe menção especial no melhor estilo “para não dizer que não falei das flores”; Siljan’s Saga, One Foot In Heaven e Migwar são os demais inscritos no páreo cujos rateios finais poderão deixar apostadores, e bookmakers, de cabelos em pé.
Fonte: Site da A.B.C.P.C.C./ Imagem: Reuters
