É boa a iluminação das pistas no Hipódromo da Gávea. O único senão é a não iluminação do prolongamento dos mil metros, são cerca de 400 metros iniciais que impedem a realização à noite dos páreos de 1.000 metros na grama. O que não parece ter importância, na verdade, colabora fortemente para dificultar a formação dos programas. É notória a grande preferência dos inscritores pela pista de grama, e quando são formados programas com um excesso de páreos em 1.000 metros, eles são obrigatoriamente programados para os sábados e os domingos.
Há semanas em que, com a obrigação de desdobramentos, é normal a divisão de um páreo em 3 ou até 4. Isso congestiona ainda os programas dos sábados e domingos, obrigando até a não programação de páreos na areia, que em principio seriam programados para as noturnas das sextas e das segundas feiras, resultando em páreos da grama ter de ser programados também nas noturnas. Essa preferência escandalosa para inscrições preferenciais para a pista de grama pode vir a provocar um problema para o piso da pista gramada, pois mesmo ela sendo de ótimo padrão técnico, tem naturalmente um limite. Veja-se apenas como exemplo a raia de grama do Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires, tida durante muitos anos como uma raia ótima e que já de algum tempo está fora de condições ideais, há muito merecendo um longo descanso para recuperações. Nos páreos europeus, para onde não há pistas de areias mas só de gramas, os hipódromos não dão corridas em todas as semanas do ano, promovem corridas por temporadas, alternando-se com outros hipódromos. É uma solução para não virem a inviabilizar as suas pistas de grama. Há casos em que, dado o problema de chuvas muito intensas encharcando demasiadamente a pista, os programas são suspensos, não se realiza o programa. Para amenizar o problema, os ingleses, franceses, australianos e neozelandeses, entre outros países, passaram a utilizar-se de uma cerca móvel, de procedência australiana, que é deslocada periodicamente para impedir que os corredores se utilizem sempre da mesma faixa do terreno, preferencialmente perto da cerca interna.
Na Gávea, a cerca móvel chega a ser colocada até 12 metros de distancia da cerca da faixa interna. Isso possibilita uma programação com maioria dos páreos na grama. Mas há que cuidar para que não sejam ultrapassados limites. Em função disso, a Comissão de Corridas do JCB entendeu de estudar o problema com profundidade, e também levando em consideração o alojamento no Hipódromo da Gávea de aproximadamente 900 animais (cabem cerca de 1950), e mais os que ficam nos centros de treinamento, que variam entre 1.200 e 1.500, com um total de aproximadamente 2.400 animais. A análise do problema, com uma pista de grama e outra de areia para corridas, e mais uma terceira de areia com cerca de 1.600 metros de volta fechada só para trabalhos e pouco utilizada, a Comissão de Corridas entendeu que o mais lógico e adequado seria transformar a pista de areia menor, a só para trabalhos, em um uma segunda pista de grama para corridas. Os estudos concluíram que os menos de mil animais alojados na Gávea, mesmo que em alguma época cheguem ao máximo possível de aproximadamente 1950, serão ou seriam muito bem suportados com uma só pista, como ocorre no Hipódromo de Belmont Park, em Nova York.
Transformar a terceira pista da Gávea, a interna de areia, em uma de grama, não é uma questão de opinião, de palpite, é uma forma inteligente de resolver o problema do absoluto desequilíbrio das inscrições para os dois tipos de pistas. A única pista de areia pode perfeitamente suportar trabalhos e corridas desde que receba os necessários cuidados. A terceira pista, além de resolver o exagerado das inscrições preferenciais possibilitaria, como um atrativo extra páreos na grama nas distancias de 1.100, 1.200, 1.700 e 1.800 metros. Há detalhes a serem respeitados, pois com uma pista de volta fechada aproximada de 1.600 metros, com curvas e retas menos extensas, e largura menos que a pista grande, devem naturalmente ter um limite menor de participantes por páreo. Mas isso é problema de detalhe a ser contornado pela Comissão de Corridas, limitando, por exemplo, em lugar do limite máximo de 16 ou 18 participantes na pista grande um número menor por volta de 12 corredores por páreo. Esse assunto foi convenientemente estudado pela Comissão de Corridas presidida por Carlos Beloch e uma proposta nesse sentido já foi ou logo será submetida à Presidência do JCB.
