Depois de dar à luz, Josiane Gulart planeja retorno em breve ao turfe carioca: ‘Voltarei a fazer o que eu mais gosto’ » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Depois de dar à luz, Josiane Gulart planeja retorno em breve ao turfe carioca: ‘Voltarei a fazer o que eu mais gosto’

joselealheloisa (2)A joqueta Josiane Gulart sempre foi apaixonada por cavalos de corrida. Por conta disso, desde criança já se arriscava no dorso de alguns deles pela cidade de Carazinho, interior do Rio Grande do Sul. Como este amor e o sonho de se tornar uma grande atleta de turfe se tornou maior do que a sua pequena cidade de pouco mais de 60 mil habitantes, ela e sua família desembarcaram no Rio de Janeiro, mais precisamente no Jockey Club Brasileiro. Josiane ingressou na Escola de Profissionais do Turfe, isso aos 16 anos. E foi um verdadeiro sucesso. Tanto que um ano depois, ocorreu uma das grandes alegrias de sua carreira: ao conseguir montaria, ela foi a primeira joqueta a participar do Grande Prêmio Brasil (GI).

Com uma carreira em ascensão no Rio, rumou para consolidar de vez a sua caminhada em São Paulo. Além da carreira, a vida pessoal também teve mudanças. Ela não conseguiu somente ganhar diversos páreos em Cidade Jardim, como conquistou também o coração do jóquei Vagner Leal. Desse amor, nasceu um ainda maior: a pequena Heloísa, que chegou para dar ainda mais força para esta mulher que tem o Esporte dos Reis correndo nas veias.  

Prestigiando o marido em mais uma reunião no Hipódromo da Gávea, Josiane bateu um papo bem descontraído com o site do JCB. Na conversa, ela falou da carreira, de títulos, de família e, principalmente, falou sobre os seus planos para o futuro.  

Confira a entrevista na íntegra com Josiane Gulart:

INÍCIO DO SONHO

Meu irmão (A. Gulart) veio para cá primeiro. Ele virou jóquei e começou a ganhar as corridas, então pedi ao meu pai para que a gente tentasse vir para o Rio para eu me tornar joqueta. Mas ele era totalmente contra, não queria isso pra mim. Deixava eu montar na nossa cidade, mas não podia competir. Esperei fazer 16 anos e aí viemos pra cá de vez. Fiz os testes para entrar na escola e quando eu vi, já estávamos morando no Rio de Janeiro e eu dentro da escola montando.

DIFICULDADES NO RIO

Não tinha joqueta na minha época, então foi muito difícil. Até para me alojar foi complicado, foi tudo adaptado para eu poder entrar aqui. Muitas outras tentaram ingressar e desistiram. Posso destacar que eu tive muita sorte, pois muita gente me ajudou na época. Presidente, Comissão de Corridas, proprietários, treinadores… Minha mãe vinha todos os dias me ver treinar nos matinais, esperava eu terminar os trabalhos. Seu Pipo (Aloísio Cavalcante Marques) também destaco ele como uma pessoa que me ajudou bastante no meu início aqui. 

CAMINHO ATÉ SER JOQUETA

Tive muitas oportunidades e assim me tornei recordista de vitórias na época da escolinha. Foram 131.  Para uma mulher conseguir este feito foi fantástico. Estava indo tudo bem até que antes de eu me tornar joqueta profissional eu caí de uma égua de São Paulo, ali na variante. Quebrei uma costela e retirei o baço. Quando voltei, eu já era aprendiz de primeira e não tinha mais vantagem de peso. Tive dificuldades, mas ainda assim me tornei joqueta. Em seguida eu caí de novo. Fiquei mais um tempo parada. Neste momento bate um monte de coisas, você sabe que tem muito preconceito com as mulheres. Ainda mais quando cai, a tendência é demorar mais pra voltar. Tem sempre um  que diz que a gente não consegue mais. Mas o que acontece sempre é que ninguém fica parado e volta como antes. Precisa-se de um tempo para engrenar novamente. Isso muita gente não entende. 

IDA PARA SÃO PAULO

Ir pra São Paulo foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Eu não estava tendo muitas oportunidades aqui e me chamaram para ir para lá. Uma vida nova, pista nova, novo tipo de corrida, novas pessoas, foi tudo novo e gratificante. Ganhei muitas corridas lá, ganhei GPs que eu ainda não tinha ganho por aqui. Dei muito certo correndo em Cidade Jardim.

CAVALOS INESQUECÍVEIS

Victory Is Ours foi o cavalo que abriu as portas para mim. A partir dele é que os demais apareceram. O primeiro Grande Prêmio que ganhei mesmo foi com o Fúria Olímpica, do Haras Regina. Seu Altair era o treinador, um dos profissionais de lá que me deu muita oportunidade. Torrão de Ouro me marcou demais também, ganhei um Grupo 1 na semana do São Paulo com ele. 

 VAGNER LEAL

Essa nossa história é estranha porque assim que eu fui pra São Paulo ele veio para o Rio de Janeiro e passou seis meses. Ou seja, nos nos desencontramos no primeiro momento. Depois que ele voltou para São Paulo é que nos encontramos e nos conhecemos. Mas em um primeiro momento não teve nada, ele veio para o Rio e eu fui para São Paulo. Foi um desencontro.

FUTURO

Quero voltar a montar, ganhar corridas e ficar por aqui de vez, manter a Heloísa bem perto da raia e voltar logo a montar. Tem muitos proprietários conhecidos e amigos que tem cavalos por aqui e eles me perguntam bastante sobre o meu retorno, estou com muitas saudades de montar. Ficou tudo certo por aqui, estamos adaptados e criamos uma boa estrutura. Já venho trabalhando na raia por três dias na semana e aos poucos vou treinando para poder retornar o quanto antes. Além de tudo, a Heloísa é muito pé quente, se ela estiver no Hipódromo, o Leal sempre ganha, quero que isso aconteça comigo também (Rs)! Minha vida é turfe e já já estou de volta, podem esperar!!

Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Fotos: Gerson Martins e Sylvio Rondinelli

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