Personagens do Jockey: Dilson Silva, a unanimidade em pessoa do Jockey Club Brasileiro » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Personagens do Jockey: Dilson Silva, a unanimidade em pessoa do Jockey Club Brasileiro

dilson (14)“Toda unanimidade é burra.” A frase dita pelo jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues se aplica para diversos setores e até mesmo pessoas de nossa sociedade. Em pouquíssimas situações podemos ousar em dizer que a frase torna-se obsoleta e sem sentido. E um desses difíceis casos se chama Dilson Silva, 61 anos, 22 de puro amor e dedicação ao Jockey Club Brasileiro. Não há alguém que frequente as dependências do clube que tenha algo que desabone tudo o que se refere ao trabalho e ao ser humano deste divertido e boa praça funcionário da Secretaria da Comissão de Corridas.

Dilson é mais um personagem a ter a história contada no site do JCB. História esta que começou em março de 1994 e tinha tudo para dar errado, como ele mesmo diz. Com o auxílio de José Ronaldo, antigo dono da empresa J. Carneiro, Dilson ingressou no Jockey, mas sem carteira assinada. Sua função? Digitador. 

– Eu trabalhava em uma confecção quando recebi o convite. Eu só vim aqui para digitar todos esses certificados, era muita coisa. Lembro bem que tinha uma menina aqui, chamavam ela de Mudinha, pois ela não falava. Tiraram ela e eu acabei entrando no lugar. No início eu pensei que nem iria ficar, pois eu não tinha carteira assinada. Trabalhava de terça à sexta só fazendo este trabalho. Como algumas coisas digitais estavam sendo implantadas, achei que seria mandado embora. Mas assinaram minha carteira um pouco mais de dois meses após eu ter entrado. Fiquei muito feliz como estou até hoje – disse. 

Como todo brasileiro, Dilson sempre usou a inteligência a seu favor. De olho nas demandas gastronômicas que os seus então colegas de trabalho tinham, ele passou a fazer uma outra função (paralela) aqui dentro do JCB, a de “camelô”. 

– Trabalho desde os 14 anos e sempre tive responsabilidade, sempre gostei de ganhar um dinheiro por fora, de vender coisas. Eu vinha do Centro do Rio e trazia muita coisa. Chocolates, doces, bebidas (mates e refrigerantes) e o pessoal comprava muito. Tinha até encomenda, o pessoal encomendava bastante comigo. Com isso, eu complementava a renda e ainda agradava os meus colegas de trabalho – revelou. 

Confira a entrevista completa com Dilson Silva 

dilson (18)INÍCIO NO JOCKEY

– Eu trabalhava em uma confecção quando recebi o convite através do José Ronaldo, que era dono da empresa J. Carneiro. Eu só vim aqui para digitar todos esses certificados, era muita coisa, mas aceitei o convite, pois nunca fugi de trabalho. Lembro bem que tinha uma menina, chamavam ela de Mudinha, pois ela não falava. Tiraram ela e eu acabei entrando no lugar. No início eu pensei que nem iria ficar, pois eu não tinha carteira assinada. Trabalhava de terça à sexta só fazendo este trabalho. Como algumas coisas digitais estavam sendo implantadas, achei que seria mandado embora. Mas assinaram minha carteira um pouco mais de dois meses após eu ter entrado. Fiquei muito feliz como estou até hoje – disse. 

TRABALHO “PARALELO” 

Quando eu comecei a trabalhar aqui dentro, eu vinha sempre do Centro do Rio e trazia muita coisa. Chocolates, doces,dilson (17) bebidas (mates e refrigerantes) e o pessoal comprava comigo. Tinha até encomenda depois de um tempo. Eu sempre gostei de ganhar um dinheiro por fora, de vender coisas. Com isso, eu complementava a renda e ainda agradava os meus colegas de trabalho. Vendia até para o antigo gerente de turfe que trabalhava aqui, era um dos meus principais clientes. Ele sempre comprava mate, doces e caixas de chocolate comigo. Depois de dez anos vendendo, vi que era a hora de parar, não trazia muito lucro, era mais para agradar, uma coisa que eu estava acostumado a fazer. Acabei parando de vez e não voltei mais.

MUDANÇAS NAS FUNÇÕES

Comecei na digitação. Entre a digitação e a minha função hoje, teve muita coisa que surgiu. Teve uma época que arrumaram um mutirão com o teleturfe que era para digitar os programas na revista. Fiquei muito tempo fazendo essas funções. Digitando para os programas e para a revista, muita gente ajudava, trabalhava muita gente aqui. Até que fui aproveitado aqui na secretaria, onde eu estou até hoje.

FUNÇÃO ATUAL

Hoje eu sou um dos responsáveis pelos programas oficiais. Ninguém queria pegar esta parte quando eu cheguei. Nesta época, asdilson (1) inscrições eram feitas no papel. Um funcionário ficava me ditando o páreo, o animal e o jóquei e eu digitava. Era muito trabalho. Ficávamos de 9 da manhã até às 15 da tarde para fazer. Hoje é tudo mais fácil. Do próprio centro de treinamento  já dá para inscrever os cavalos. Poxa, quem pegou a época antiga, não pode reclamar do trabalho que é feito aqui hoje. Está tudo mais fácil. É um trabalho de muita responsabilidade, sou muito detalhista. Não gosto de errar. Quando eu erro alguma coisa no programa, eu fico doente e nem durmo. Faz parte, mas ninguém gosta de errar. Mesmo assim, pelo jeito que era feito antigamente, hoje está muito melhor.

AMIGOS QUE O JCB DEU

Eu sempre tive muita amizade com o pessoal da revista, quando ela era feita por aqui. Era a Nilda, o Cid e a Kátia, mais tantos outros. Hoje a revista nem está mais aqui. Eu lembro que o pessoal da secretaria tinha até ciúme de mim por causa disso. Eu chegava, todo o pessoal já me chamava, vinha fazer festa. A Kátia, por exemplo, é minha amiga até hoje, sou muito feliz de ter uma amiga como ela. Ao longo do tempo a gente foi se afastando e fui ficando mais com o pessoal da secretaria. Aqui tinha o Henrique, o Mauro, além do Aldo e do Luciano, tinham muitas outras pessoas. Era muito bom aqui também.

dilson (4)O IRMÃO LUCIANO

O Luciano é um irmão que o Jockey Club Brasileiro me deu. A gente teve uma afinidade logo de cara. O Deomar também pode ser citado como um irmão, pois é nosso amigo também e está sempre conosco. Nós nos vemos sempre fora daqui, estamos sempre indo um na casa do outro. O Carnaval é sagrado para nós. Toda sexta-feira de Carnaval, nós vamos para a Praça Onze e ficamos lá vendo o movimento dos blocos e tomando as nossas cervejas.  Já nos demais períodos do ano, nos reunimos nas sexta-feiras. Nós “alugamos” um camarote no Jockey para assistir às corridas e também saborear uma cerveja. Ou seja, é uma amizade muito grande, é um irmão que eu levo para a vida toda.

JOCKEY CLUBE BRASILEIRO

Para mim é uma realização. Primeiro porque é o meu último trabalho, como estou aposentado, no dia que eu sair, não trabalharei mais. Depois que são 22 anos de dedicação total. Eu só tenho que agradecer ao Jockey Club Brasileiro por tudo.  Aqui é a nossa casa. Sempre considerei e vou sempre considerar. Me aposentei há seis anos e por amor e pelo que eu sinto segui trabalhando aqui. Me sinto bem e tem mais de um ano que não marco o ponto atrasado, chego cedo pra adiantar tudo. Gosto muito de trabalhar aqui, amo o que faço e, se precisar, eu ajudo em outras coisas. Sempre tive responsabilidade e sempre amei trabalhar aqui.

Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Fotos: Sylvio Rondinelli

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