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Notícias – Fins de Junho 2016 (Milton Lodi)

  1 – É fato sabido por todos que a tenacidade de Jorge Ricardo é uma das suas principais características. Mesmo com um enorme número de vitórias, e com a vida financeira estabilizada, não encerra a sua brilhantíssima carreira de jóquei. Por duas vezes alcançou a liderança mundial em número de vitórias, mas a perdeu não só por ter um competidor extremamente competente como também em função de acidentes e até uma gravíssima doença que o fez parar de montar por mais de meio ano. Certa vez, conversando comigo, ele disse que Russel Baze, o canadense domiciliado nos Estados Unidos monta habitualmente em um hipódromo pequeno na costa oeste, e pela sua alta qualidade recebe as melhores montarias. Isso, o levou a ultrapassar 12.500 vitórias. Ricardinho me disse que, além dos naturais contratempos comuns a todas as pessoas, ele sabia que a profissão de jóqueis é uma profissão de risco, mas ele não iria parar de montar enquanto não voltasse a ser o líder mundial em vitórias, e que depois que ótimo Russel Baze parasse de montar em definitivo, ele iria colocar umas tantas vitórias à frente, e na liderança para depois pensar em parar. Jorge Ricardo tinha razão. A sua profissão é mesmo de risco, em uma corrida o seu cavalo caiu, e ele teve múltiplas fraturas em um cotovelo, e o braço ficou com os movimentos muito reduzidos. Meses depois ele voltou, ganhando menos e ainda com o distrato de seu compromisso com uma das melhores coudelarias da Argentina, tendo sido substituído pelo também brasileiro Altair Domingos. Para qualquer jóquei comum, seria o fim de um sonho de voltar à liderança mundial de vitórias. Isso seria um momento normal para o encerramento de sua caminhada nas pistas, mas as doenças e os acidentes aconteceram com um ser humano diferente, com uma tenacidade incomum. Longe de Russel Baze mais de 180 vitórias, o tempo passando e com a tendência normal do aumento da diferença para o excepcional canadense, Ricardo continua lutando, com menos montarias do que antes, mas seguia firme com seu objetivo, voltar à liderança mundial. Agora, em meados de junho de 2016 vem à notícia que Russel Baze teve um acidente, fraturou uma clavícula, e aos 57 anos de idade, tendo montado corredores que levantaram 199 milhões de dólares, com 12.842 vitórias em 53.578 páreos disputados, anunciou o encerramento da sua carreira de jóquei. O Brasil teve a oportunidade de vê-lo montar em um torneio realizado em 2015 no Hipódromo do Cristal, e a impressão deixada foi a melhor possível, a de um genuíno ás das rédeas. Ao saber da notícia na Argentina, Jorge Ricardo deplorou o fato, pois entendia que Russel Baze era um extraordinário jóquei, mas que o fato abriria ou aumentava as suas possibilidades de voltar à liderança mundial. Com cerca de 180 vitórias para chegar novamente à liderança mundial, com 2 ou 3 anos de idade a menos que Russel Baze, se não advier um contratempo, a obstinação, a persistência, a tenacidade do nosso especialíssimo jóquei Jorge Ricardo vai se consagrar como o mais vitorioso jóquei do mundo em todos os tempos. Vamos aguardar. Se eu conheço bem Jorge Ricardo, ele só vai parar quando atingir 13.000 vitórias.

 

2 – No 1º semestre de 2016, que recém terminou, foi o primeiro ano na reprodução da extraordinária Tréve, que em 2013 e em 2014 venceu a mais charmosa prova do calendário mundial, o Prix de L´Arc de Triomphe. Foi a segunda égua a conseguir esse extraordinário feito. Anteriormente, só 5 animais haviam conseguido esse bi-campeonato. O primeiro foi o francês Ksar, que veio a ser o pai de Tourbillon. O segundo foi a égua Corrida, em 1936 e 1937, que no haras foi a mãe de Coaraze. Em 1950 e 1951 foi às vezes de Tantieme, outro francês de grande poderio locomotor. Em 1955 e 1956, o melhor corredor de todos os tempos, o italiano Ribot, de criação e propriedade do mestre Federico Tesio, assombrou o mundo permanecendo invicto, tendo corrido as mais importantes provas da Itália, da Inglaterra e da França. Ribot não tinha adversários, era um fenômeno, não dava a menor chance aos adversários. Em 1977 e 1978 foi a vez de Alleged, que como Ribot, após as corridas foi ser reprodutor nos Estados Unidos. Finalmente, 2013 e 2014 foram às vezes de uma segunda égua, Tréve. Tréve chegou a tentar o tri em 2015, mas só chegou colocada, não ganhou. Quer dizer que, dos 6 bi-campeões, são 4 machos e 2 fêmeas.

 

3 – Fato extraordinário surgiu em fins do 1º semestre de 2016. Como é do conhecimento dos turfistas de todo o mundo, o páreo com a maior bolsa de prêmios é a Dubai World Cup (DWC), que distribui no páreo 10 milhões de dólares. Agora vem a notícia que um norte-americano, proprietário de alguns hipódromos nos Estados Unidos, lançou a Pegasus World Cup (PWC), a ser corrida no fim de janeiro de 2017, com a bolsa de 12 milhões de dólares, com um máximo de 12 concorrentes, e com a inscrição de 1 milhão de dólares cada. Em menos de um mês, as 12 inscrições foram confirmadas, sendo que cada inscrição dá o direito do comprador da inscrição negociá-la com outro interessado. Um dos inscritos desde já é California Chrome, que foi em 2015 ganhador de duas das três provas da tríplice-coroa norte-americana. Avalia-se que 60% dos 12 milhões, isto é, 7.2 milhões, irão para o cavalo vencedor, e daí saindo as premiações do proprietário, dos profissionais, além do imposto de renda. Deve dar um líquido para o proprietário, salvo melhor juízo, cerca de 5 milhões de dólares.

 

 

 

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