Não é novidade para ninguém que colocar o nome Jockey Club Brasileiro no currículo traz uma grande diferença e um peso para quem trabalha na instituição. E, para se carregar este nome, o funcionário ou prestador de serviços não pode ter medo de aprender funções novas no dia a dia. Seja em qual nível hierárquico for, se a missão foi dada, a missão terá de ser cumprida.
É com este pensamento que Cesar Ferreira do Carmo, 64 anos, vem sendo um dos pilares do setor de jardinagem do Jockey Club Brasileiro, onde trabalha há mais de três décadas. Com a disciplina de quem prestou o serviço militar, Ferreira, como é carinhosamente conhecido aqui dentro, nunca se intimidou com as, segundo ele, centenas de funções que já desempenhou dentro do clube.
– Acho que quando você fica fazendo a mesma função, você se acomoda, sei lá. Por isso que eu sempre quis aprender coisas novas. Fui designado para várias funções. Sempre fui indicado para fazer coisas em qualquer área. Diziam: “Ferreirinha, vai lá e faz isso”. Desde que eu servi o Exército, sempre fui um cara responsável, os superiores me passavam as missões e elas eram todas cumpridas. Sempre dei conta do recado. E isso eu levei para o Jockey e levo até hoje. Comigo não tem tempo ruim, o que mandar eu fazer, eu faço – revelou ao site do JCB.
Veja a entrevista completa de mais este personagem do Jockey:
HISTÓRIA NO JOCKEY CLUB
Fui indicado por um militar que trabalhava comigo. Este era um amigo e eu precisava do emprego, ele já me conhecia. Comecei aqui como porteiro, depois fui para o setor de ponto, que era um mini departamento pessoal do Jockey na época. Fiz uma pequena carreira por lá. Fui escriturário, auxiliar de setor…Desempenhei muitas funções. Sempre fui um cara que quis aprender as coisas. Qualquer função que me colocassem para fazer eu aprendia. O pessoal foi vendo a minha vontade de trabalhar e de aprender. Fui designado até para chefiar a bilheteria de shows aqui. Shows de Tom Jobim, Legião Urbana, alguns artistas internacionais. Tive o prazer de conviver com toda essa classe de artistas por conta desses trabalhos. Eventos eu fiz muito aqui também. Depois fui para o campo, fui tomar conta do pessoal de jardinagem, de serventes, esse setor todo. E aqui estou eu, praticamente no fim da minha jornada, firme e forte encarregado dessa turma.
FAZ TUDO SEM MEDO DE ERRAR
Eu sempre fui um cara que tinha interesse nas coisas. Acho que quando você fica fazendo a mesma função, você se
acomoda, sei lá. Por isso que eu sempre quis aprender coisas novas. Sempre fui indicado para fazer isso e diziam: “Ferreirinha, vai lá e faz isso”. Desde que eu servi o Exército, sempre fui um cara responsável, os superiores me passavam as missões e elas eram todas cumpridas. Sempre dei conta do recado. E isso eu levei para o Jockey e levo até hoje. Aqui eu posso te dizer, sem sombra de dúvidas, que já fiz uma centena de coisas . Hoje, em grande parte dos setores, se existe algum problema, sempre falam: “Passa para o Ferreira”. Até a chefia, a gerência. Mas eu tenho que deixar uma coisa claro: sempre tive a sorte de trabalhar com gerentes e superintendentes maravilhosos. Sempre me respeitaram e me incentivaram.
AMIGOS PARA SEMPRE
Tem pessoas aqui que são como se fossem da minha família. Vi muita gente entrar e sair, mas algumas guardo com muito carinho. Tenho muito respeito e um sentimento muito bonito por muita gente. Pessoas que inclusive nem aqui estão mais, partiram dessa para melhor. Outras que estão em casa cuidando da saúde. Como o Miguel Sobral, mestre de obras. Este é um irmão, mas hoje se encontra cuidando da saúde. Avelar Vasconcelos também. Estão todos tratando de saúde. Deixam a saudade, mas estamos sempre aqui torcendo por eles.
As festas de final de ano sempre foram marcantes. Teve uma vez que me marcou muito. Antigamente, o Jockey liberava os funcionários para trazerem convidados. Uns traziam dois, outros traziam cinco convidados. Nesta festa que lembro, foram muitos convidados. Foi tanta gente que o clube ficou lotado, uma multidão mesmo compareceu ao local. Mais até do que comportava o ambiente. Foi tanta gente que não tinha alimento suficiente para todos. Para mim, ficou para a história esta festa. Foi a festa com a maior quantidade de pessoas aqui no Jockey que eu já vi. Para você ver o quanto estas festas eram concorridas, foi muita gente mesmo. Só não vou saber te precisar quando foi, mas que ficou na história, isso ficou.
AMOR PELOS CAVALOS
Eu já gostava muito de animais, fui criado na roça e meu pai tinha um terreno onde ele criava galinhas e tinha alguns cavalos. Mas aprendi a gostar mesmo aqui no Jockey. Até mesmo quando não estou aqui eu acompanho, coloco no canal para ver as corridas aos domingos em que estou em casa. Vejo os amigos competindo e isso me agrada muito. Principalmente porque hoje, por mais que eu não esteja aqui, eu sempre acompanho pelo carinho que eu tenho por esses bichos e por este local.
JOCKEY CLUB BRASILEIRO
O Jockey Club Brasileiro significa muita coisa para mim, muita mesmo. Não tenho do que reclamar dessa instituição. Tudo isso ajudou a criar a minha família. Hoje eu tenho neto, quando que eu pensaria em ter uma família estruturada assim a ponto de ter neto? A minha família só está aí hoje por conta de tudo que eu conquistei aqui no JCB. Poxa, neste momento, em plena crise, o Jockey sempre honrou os seus compromissos, nunca nos deixou na mão. Por isso valorizo muito tudo isso aqui, a instituição, as pessoas. O trabalho é a base de tudo e eu tive uma grande base para que eu conseguisse estruturar minha família.
Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Fotos: Emerson Silva

