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Comentários sobre o G.P Brasil de 2016 (Milton Lodi)

         Como de hábito, a semana do Grande Prêmio Brasil de 2016 deu oportunidade para a realização de vários leilões, uns de produtos da nova geração, a nascida em 2014 e que deverá estrear a partir de janeiro de 2017, e vários outros de animais em treinamento. Na semana anterior, na 5ª feira, houve o tradicional leilão de potros dos Haras Campestre, Balada e Vale Verde. No Tattersall da Gávea houve um bom comparecimento de turfistas. Nesse ano de cenário político conturbado, após 13 anos de administração pública vermelha, em um claro movimento de socialização do país programado para uns 30 anos de desvio para a esquerda, e com a interrupção dessa tendência criando um momento difícil para uma vida normal em um sistema democrático equilibrado, tudo isso previa um clima muito inadequado à venda e compra de cavalos de corrida. Os 13 anos referidos empobreceram o país, e em especial o turfe, com ênfase para o setor da criação. O curioso é que, mesmo com a drástica diminuição nos nossos plantéis, que chegou ao 2º semestre de 2015 com pouco menos de 2.500 reprodutoras cobertas, um declínio em volume de nascimentos previstos para cerca de 2.000 potros, a qualidade não tem piorado, ao contrário, houve sensível melhora. Mas isso se deve em boa parte à sanidade dos animais, sob severo controle do uso de medicamentos. Fisicamente os potros apresentam-se em condições de boa saúde, pois são filhos de garanhões e reprodutoras não dependentes de drogas para correr.

Mas a falta cada vez maior de recursos, para os criadores, que refletem a estagnação das dotações dos nossos clubes promotores de corridas cada vez mais defasados, não deveriam entusiasmar eventuais interessados em comprar cavalos de corrida, especialmente com a promoção de vendas de potros em época muito antecipada, isto é, quase um ano antes da época média das estreias nas pistas. Os proprietários ficam mais onerados com o sustento e os riscos em tempo maior, e isso, com a habitual pressa em estrear visando abreviar o ressarcimento dos custos, não terminam bem, o índice de lesionamentos não é pequeno. Os potros devem estrear no momento adequado a cada um, nem antes nem depois, são eles que devem determinar o bom momento e não o interesse financeiro dos proprietários e dos treinadores, que antecipam a fase dos primeiros treinamentos sacrificando uma importante fase ainda de desenvolvimento físico. Com tudo isso, o primeiro leilão de potros da temporada do Grande Prêmio Brasil de 2016 não foi ruim como previsto, se não chegou ao patamar bom pelo menos foi razoável nas circunstancias, apresentando preço médio da ordem de 20 mil reais. A bem da verdade, os potros nascidos e criados no extremo sul do país, nas regiões de Itaquí e Uruguaiana, apresentam bom padrão.

Um detalhe surpreendente é o peso específico desses potros, criados em regime de grande soltura, alguns até atingindo 500 Kg ou mais, quando é fato sabido que os potros, em fase de desenvolvimento, crescem e ganham peso quando fechados e na sombra. A modernização da técnica criacional é uma evidencia, já se foi o tempo em que, no sul de nosso país, a criação ficava ao sabor somente da Natureza. Na semana seguinte, a do Grande Prêmio Brasil, vieram mais leilões de mais animais. Aí houve resultados extremos, se por um lado mais de um haras conseguiu preço médio de 50 mil reais, houve potros e potrancas, apresentados sem preço sem base e sem defesa, que não encontraram interessados. As compras e vendas ficam cada vez mais difíceis, os eventuais compradores estão cada vez mais exigentes, pois o custo do trato mensal é igual para os melhores e os piores, a diferença fica por conta dos preços de aquisição. Assim, no geral, pode-se dizer que os preços em média ficaram no padrão do razoável. Com a reviravolta na alta política do país, com a esperada caída progressiva da administração pública da onda vermelha, têm que se admitir um reequilíbrio em todo os setores, indústria, comércio, investimentos e também na produção inclusive na dos cavalos de corrida. Eu já disse mais de uma vez que, para atingirmos ótimas dotações, compatíveis com os investimentos em função da grande competitividade do setor, as dotações teriam que ser dobradas. Essa tem que ser a meta dos clubes promotores de corridas do nosso país, naturalmente em melhorias progressivas, o que deveria ou deverá ocasionar um também progressivo entusiasmo pela atividade.

               No que diz respeito às corridas de 10, 11, 12 e 13 de junho, tivemos muito frio, freqüência bem menor do que seria razoável, e em conseqüência movimentos de apostas muito fracos. Na verdade, estamos no limite máximo negativo proporcionado pelos vermelhos, que felizmente começam a ser retirados dos comandos administrativos. Com a natural recuperação econômica – financeira de nosso país, há uma lógica previsão de grandes melhorias.

   My Cherie Amour post10            No Grande Prêmio Brasil, desfalcado antecipadamente por Daniel Boone, Universal Law e Some in Tieme, e com as atuações apenas razoáveis dos quatro ou cinco prováveis melhores competidores, tivemos um páreo realmente espetacular, com a vitória do potro de 3 anos My Cherie Amour(foto), um filho de Ay Caramba em filha de Jules, de criação e propriedade do Haras Doce Vale (Bagé, RS), treinado por Venâncio Nahid e montado por W.S Cardoso, um jóquei novo saído da Escola de Jóqueis do JCB há cerca de um ano.

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