O Preakness – 2016 (Milton Lodi) » Jockey Club Brasileiro - Turfe

O Preakness – 2016 (Milton Lodi)

             Quatorze dias após a realização do Kentucky Derby, foi disputado no sábado dia 21 de maio de 2016 o Preakness Stakes, a segunda prova da tríplice coroa norte-americana. Neste dia, em raia de areia encharcada, compareceram para disputar a prova 11 concorrentes no Hipódromo de Pimlico, em Maryland, capital do Estado de Baltimore. A grande expectativa era a vitória do ótimo Nyquist, vitorioso em Kentucky, numa expectativa e torcida geral por um novo tríplice-coroado. Vários dos potros que participaram do páreo em Kentucky não foram inscritos no Preakness, por terem entendido de mínimas possibilidades de enfrentar com sucesso o invicto Nyquist, já com 8 vitórias, ou preferindo ir direto para o Belmont Stakes, a 3ª prova, em 2.400 metros, que fica a cinco sábados de diferença para o Kentucky Derby. Naturalmente Nyquist foi o grande favorito, ainda mais que seriam cerca de 1.900 metros, 100 a menos que em Kentucky, o que o favorecia em novo confronto com Exaggerator, que havia chegado em 2º para ele na primeira prova. Pois o competidor corre normalmente acomodado para um arremate final. A raia encharcada não seria em principio um elemento novo negativo, pois, nos Estados Unidos, todos os técnicos e engenheiros responsáveis pelas pistas têm todos, ou pelo menos quase todos, a prática de “selar” as raias, isto é, compactá-las fortemente, os pisos ficam mais firmes e sem deixar a passagem de água. A idéia não é drenar a água, mas impedi-la de amolecer ou amaciar o piso.EXAGGERATOR

Quando da vitoriosa administração do Presidente José Carlos Fragoso Pires no JCB, tendo sido encontradas as pistas em péssimas condições de uso, foi contratado um técnico dos Estados Unidos, ao custo de 1 milhão de dólares (àquela época o dólar estava ao par do real), e ele fez o que sabia, isto é, tornar o piso de areia impenetrável. O resultado foi que, quando chovia muito, a pista quase desaparecia com uma quase piscina aparente. Era água espirrando por todos os lados, e naturalmente foi havendo correções que fizeram a pista ficar adequada. Aliás, antes da vinda do técnico norte-americano um sério trabalho foi feito, e da raia saíram três grandes sacos com pedras, torrões, ferraduras que resultaram em melhora, além do grande desnivelamento, com trechos com areia com até 20cm de altura, e com variações de até 5cm em toda a pista, indiscriminada por dentro, pelo centro e por fora. Voltando ao Preakness, com muito menos número de adversários, não havia porque Nyquist se precipitar para não ser eventualmente obstaculado em lote de 20 animais, em pista de 1.600 metros de volta. Todos esperavam um ritmo mais adequado, do que os primeiros 400 metros em 22 e os 800 em 45. Mas dada a partida, o jóquei mexicano instigou o favorito, que, junto com o ponteiro, em raia encharcada, passou os primeiros 400 metros novamente em 22 e os 800 em 46. Enquanto isso, o maior competidor Exaggerator corria não em 8º como na corrida anterior mas em 5º, e iniciando a sua atropelada mais cedo. No meio da reta final, enquanto Nyquist mostrava sinais de cansaço, Exaggerator atropelou vigorosamente para vencer sem dificuldades, enquanto Nyquist perdia o 2º no seu último galão. Como quase sempre, loucas disparadas na ponta, ou no “pace”, em nada resultam de positivo. Certa vez me contaram um fato que teria ocorrido com o jóquei Alex Mota. Não sei se o fato é verdadeiro, mas foi o que me contaram. Um proprietário brasileiro teria levado o Mota para montar um cavalo nos Estados Unidos, mas lá chegando, isso não poderia ocorrer, pois o cavalo levaria um peso bem menor do que aquele que o Mota poderia fazer. O treinador, querendo diminuir aquela frustração, arranjou outra montaria naquele mesmo dia em outro páreo, com um peso acessível ao Mota. Antes do páreo, o Mota teria confidenciado que o ritmo dos páreos era absurdo, e que naturalmente ele não participaria dos ritmos desenfreados. Colocou o seu cavalo em ritmo por ele considerado bom, em função da pequena reta final começou a sua aproximação ainda na última curva, e em atropelada venceu o páreo, tendo encontrado os ponteiros diminuindo a velocidade, exaustos ante a desmedida aceleração inicial. Eu não posso assegurar que isso seja verdade, mas foi o que me contaram.

                 Em termos médios, a capacidade pulmonar do cavalo de corrida vai até uns 700 metros sem respirar, após isso os corredores tem que tomar fôlego, isto é, tem que respirar. É por isso que, em um páreo de forças equilibradas, leva vantagem nos páreos curtos ao que correm atrás, pegando os eventuais ponteiros sendo obrigados a diminuir para tomar fôlego, e aí ao que vem de trás ultrapassam os mais afoitos. Voltando ao Preakness, o resultado insinua que o Belmont deve propiciar a Nyquist um tipo de corrida mais adequado, se não Exaggerator deve ganhar outra vez. Mas é incerta a presença de Nyquist no Belmont.

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